{"id":79354,"date":"2021-09-24T01:15:00","date_gmt":"2021-09-24T04:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.supercinemaup.com\/?p=79354"},"modified":"2021-09-26T01:18:30","modified_gmt":"2021-09-26T04:18:30","slug":"sem-romantizar-ou-vitimizar-a-assassina-a-menina-que-matou-os-pais-e-o-menino-que-matou-meus-pais-nao-tomam-partido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/sem-romantizar-ou-vitimizar-a-assassina-a-menina-que-matou-os-pais-e-o-menino-que-matou-meus-pais-nao-tomam-partido\/","title":{"rendered":"SEM ROMANTIZAR OU VITIMIZAR A ASSASSINA, \u201cA MENINA QUE MATOU OS PAIS\u201d E \u201cO MENINO QUE MATOU MEUS PAIS\u201d N\u00c3O TOMAM PARTIDO"},"content":{"rendered":"<p>A trag\u00e9dia familiar \u00e9 um dos g\u00eaneros mais antigos da literatura e do teatro e todas essas est\u00f3rias t\u00eam inspira\u00e7\u00f5es na realidade. A vida real \u00e9 mais cruel do que qualquer obra de fic\u00e7\u00e3o \u00e9 este o ponto que torna o g\u00eanero \u201ctrue crime\u201d fascinante. O caso Von Richthofen teve uma repercuss\u00e3o absurda em 2002 por reproduzir motes cl\u00e1ssicos de filmes e livros: casal jovem, conflito de classes sociais, disputa de heran\u00e7a milion\u00e1ria e assassina com apar\u00eancia fr\u00e1gil. Finalmente o caso deixou as p\u00e1ginas policiais para virar um filme. Ou melhor, dois filmes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os longas \u201cA MENINA QUE MATOU OS PAIS\u201d e \u201cO MENINO QUE MATOU MEUS PAIS\u201d lan\u00e7ados pelo Amazon Prime Video, recontam o crime brutal que vitimou Manfred e Mar\u00edsia Von Richthofen, partindo do depoimento de Daniel Cravinhos e Suzane Von Richthofen no j\u00fari que condenou os dois. Ela a 39 anos de pris\u00e3o e ele e os irm\u00e3os Cravinhos a 38.<\/p>\n\n\n\n<p>As produ\u00e7\u00f5es recontam a rela\u00e7\u00e3o dos dois jovens desde o dia que se conheceram at\u00e9 o dia do crime. Um ponto positivo dos roteiros \u00e9 ele ser bem objetivo e centrado na constru\u00e7\u00e3o do crime. N\u00e3o tem dramaturgia lateral. N\u00e3o h\u00e1 tentativa de criar uma justificativa no passado para moldar a personalidade de um autor de crime que algumas obras de fic\u00e7\u00e3o caem na tenta\u00e7\u00e3o de seguir. E esse \u00e9 um ponto que vai pegar em cheio os f\u00e3s de \u201ctrue crime\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em \u201cA MENINA QUE MATOU OS PAIS\u201d, pelo ponto de vista de Daniel, vemos uma Suzane que mostrava m\u00faltiplas personalidades e que via na rela\u00e7\u00e3o uma possibilidade de ter uma liberdade que n\u00e3o tinha em casa. Atrav\u00e9s de presentes e da sua personalidade foi envolvendo o namorado at\u00e9 convenc\u00ea-lo a cometer o crime. J\u00e1 em \u201cO MENINO QUE MATOU MEUS PAIS\u201d, pelo ponto de vista de Suzane, vemos uma menina inocente que vivia uma vida perfeita que foi destru\u00edda aos poucos por um relacionamento abusivo que culminou com a morte dos seus pais.<\/p>\n\n\n\n<p>O elenco \u00e9 um dos acertos do filme. Carla Diaz tem talvez o papel mais emblem\u00e1tico e dif\u00edcil da sua carreira. Ela consegue dar v\u00e1rias camadas \u00e0 personalidade de Suzane e \u00e9 n\u00edtida a mudan\u00e7a desses perfis nos dois longas. E Leonardo Bittencourt como Daniel, tamb\u00e9m faz uma boa combina\u00e7\u00e3o com ela para segurar o ritmo da trama.<\/p>\n\n\n\n<p>A dire\u00e7\u00e3o de Maur\u00edcio E\u00e7a acerta por n\u00e3o tentar inventar a roda. Ela \u00e9 assertiva sem tentar contar uma hist\u00f3ria al\u00e9m da hist\u00f3ria. Os roteiros de Ilana Casoy e Raphael Montes, j\u00e1 estabelecidos no g\u00eanero na literatura, repetem o sucesso de \u201cBom dia, Ver\u00f4nica\u201d. A montagem privilegia a experi\u00eancia de quem v\u00ea os dois filmes em sequ\u00eancia ajudando o espectador a construir a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Os filmes sofreram com adiamentos no lan\u00e7amento causados pela pandemia e ganharam tempo para negociar com as plataformas de streaming at\u00e9 ser lan\u00e7ado com exclusividade pelo Amazon Prime Video. E era o melhor formato de lan\u00e7amento poss\u00edvel para o longa, j\u00e1 que no cinema, com duas exibi\u00e7\u00f5es separadas, os filmes corriam o risco de uma recep\u00e7\u00e3o dispersa e uma grande dificuldade de log\u00edstica para abrigar os dois longas nas mesmas salas rivalizando com outras produ\u00e7\u00f5es estrangeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tempos polarizados, a maior virtude do filme \u00e9 n\u00e3o agregar valor. N\u00e3o temos uma romantiza\u00e7\u00e3o e nem vitimiza\u00e7\u00e3o da assassina, temos pontos de vistas diferentes de um mesmo crime para entender melhor como tudo aconteceu.&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A trag\u00e9dia familiar \u00e9 um dos g\u00eaneros mais antigos da literatura e do teatro e todas essas est\u00f3rias t\u00eam inspira\u00e7\u00f5es na realidade. A vida real \u00e9 mais cruel do que qualquer obra de fic\u00e7\u00e3o \u00e9 este o ponto que torna o g\u00eanero \u201ctrue crime\u201d fascinante. 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