{"id":79674,"date":"2021-12-10T15:22:00","date_gmt":"2021-12-10T18:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.supercinemaup.com\/?p=79674"},"modified":"2021-12-10T15:22:08","modified_gmt":"2021-12-10T18:22:08","slug":"amor-sublime-amor-um-elenco-talentoso-e-atualizacoes-certeiras-fazem-um-remake-de-sucesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/amor-sublime-amor-um-elenco-talentoso-e-atualizacoes-certeiras-fazem-um-remake-de-sucesso\/","title":{"rendered":"AMOR, SUBLIME AMOR | UM ELENCO TALENTOSO E ATUALIZA\u00c7\u00d5ES CERTEIRAS FAZEM UM REMAKE DE SUCESSO"},"content":{"rendered":"<p>West Side Story, ou Amor, Sublime Amor em portugu\u00eas, \u00e9 um cl\u00e1ssico absoluto. Baseado em Romeu e Julieta de Shakespeare, surgiu primeiro como um musical da Broadway em 1957 que garantiu 6 indica\u00e7\u00f5es ao Tony Awards e apenas 4 anos depois j\u00e1 ganhou sua vers\u00e3o para os cinemas, que fez ainda mais sucesso, ganhando 10 estatuetas do Oscar de 1962, incluindo de Melhor Dire\u00e7\u00e3o para Jerome Robbins e Robert Wise e Melhor Filme. Diante de tamanho sucesso e considerando que estamos vivendo uma era de remakes e reboots, \u00e9 de se espantar que desde 1961 essa obra tenha permanecido intacta nas telonas, mas isso provavelmente se deve justamente ao seu status de cl\u00e1ssico. Muitas vezes em que remakes s\u00e3o lan\u00e7ados, nos perguntamos se era realmente necess\u00e1rio ou se tinha algo a acrescentar (principalmente se estamos falando de um vencedor do Oscar como esse). Um remake de Amor, Sublime Amor era realmente necess\u00e1rio? Provavelmente n\u00e3o, mas ele certamente teve coisas a acrescentar e at\u00e9 mesmo, a melhorar.<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea n\u00e3o chegou a assistir \u00e0 vers\u00e3o original, Amor, Sublime Amor conta a hist\u00f3ria de romance proibido entre Maria e Tony no meio da disputa de territ\u00f3rios entre as gangues de delinquentes juvenis, os Jets e os Sharks. Os Jets s\u00e3o brancos e se consideram \u201camericanos de verdade\u201d, exalam vandalismo, racismo e herdaram o que havia de pior nas gera\u00e7\u00f5es anteriores. Do outro lado temos os Sharks, porto-riquenhos que vieram para os Estados Unidos \u00e0 procura de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e s\u00f3 encontraram decep\u00e7\u00e3o, preconceito e dificuldades. Os Jets s\u00e3o liderados por Riff (Mike Faist), enquanto os Sharks s\u00e3o liderados por Bernardo (David Alvarez), um boxeador que n\u00e3o foge da luta e \u00e9 tamb\u00e9m irm\u00e3o mais velho de Maria (Rachel Zegler).<\/p>\n\n\n\n<p>As primeiras cenas do filme j\u00e1 trazem a mistura de tons que permeiam suas quase 3 horas de dura\u00e7\u00e3o: o fantasioso, cl\u00e1ssico de musicais, e um naturalismo que se desponta principalmente nas cenas em que a viol\u00eancia e o desmazelo se fazem presentes. O territ\u00f3rio disputado pelas gangues \u00e9 quase um cen\u00e1rio de guerra, s\u00e3o apenas ru\u00ednas do que um dia fora um bairro residencial e que agora passa por um processo de gentrifica\u00e7\u00e3o, ainda assim os jovens, que t\u00eam menos ainda, o defendem como se fosse o \u00fanico peda\u00e7o de terra dispon\u00edvel \u2013 e talvez pra eles realmente seja. O primeiro n\u00famero musical, que nos apresenta \u00e0s duas gangues j\u00e1 \u00e9 capaz de divertir e animar para o que est\u00e1 por vir.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a hist\u00f3ria come\u00e7a mesmo quando no baile da escola, que conta com membros dos Jets e dos Sharks, Maria conhece Tony (Ansel Elgort), o verdadeiro l\u00edder nato dos Jets que acabou de voltar para sociedade ap\u00f3s passar 1 ano na pris\u00e3o por uma agress\u00e3o que quase virou homic\u00eddio, ele agora est\u00e1 em condicional e disposto a se tornar uma pessoa melhor, uma particularidade dessa nova vers\u00e3o que ajuda a humanizar Tony e lhe d\u00e1 um ar mais sens\u00edvel e, consequentemente, mais cativante. Tony e Maria cruzam olhares no gin\u00e1sio lotado e cantam o come\u00e7o de um amor proibido. \u00c9 claro que a proximidade dos dois \u00e9 a fagulha que faltava para agravar ainda mais os \u00e2nimos dos rivais e uma batalha entre as gangues \u00e9 marcada e se torna o grande conflito do restante do filme.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando foi anunciado que Steven Spielberg seria o respons\u00e1vel por dar vida a esse remake, muito foi questionado por conta do hist\u00f3rico de estere\u00f3tipos racistas que estiveram presentes na vers\u00e3o original, seria a melhor op\u00e7\u00e3o que um filme que trata sobre tens\u00f5es raciais e preconceito fosse dirigido por um homem branco e sem experi\u00eancia de vida nesse aspecto? O questionamento \u00e9 mais do que v\u00e1lido, mas Spielberg prometeu que prestaria aten\u00e7\u00e3o nesse assunto e assim o fez. Come\u00e7ando pelo elenco, na vers\u00e3o original quem fez o papel de Maria foi Natalie Wood, uma atriz judia e n\u00e3o latina. Agora na vers\u00e3o de Spielberg a protagonista \u00e9 Rachel Zegler, estreando em Hollywood com apenas 17 anos de idade na \u00e9poca da filmagem e, finalmente, uma descendente latina, o que fez toda a diferen\u00e7a. Rachel \u00e9 um talento nato e merece aten\u00e7\u00e3o (e certamente ganhar\u00e1) por seu papel, Maria que antes era muito mais um agente passivo na hist\u00f3ria, agora ganha uma personalidade forte e combativa, principalmente em rela\u00e7\u00e3o ao seu irm\u00e3o, sem contar com sua voz que em nada deixa a desejar para vozes veteranas tanto das telas quanto dos palcos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros destaques no elenco, e que roubam a cena sempre que aparecem, \u00e9 a atriz Ariana DeBose, que j\u00e1 havia feito dois musicais para TV (A Festa de Formatura na Netflix e a s\u00e9rie Schimigadoon! na Apple TV+), mas pela primeira vez teve a chance de realmente brilhar e mostrar toda sua pot\u00eancia com sua interpreta\u00e7\u00e3o da Anita, amiga de Maria e noiva de Bernardo. Todas suas cenas s\u00e3o eletrizantes e \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o olhar \u2013 e n\u00e3o se impressionar \u2013 cada vez que ela abre a boca. A outra \u00e9 Rita Moreno, a veterana que interpretou Anita na vers\u00e3o original (e ganhou um Oscar por isso) e agora volta como Valentina, uma vi\u00fava dona de loja que, apesar de latina, carrega um enorme apre\u00e7o por Tony e acaba servindo como um ponto de equil\u00edbrio entre as gangues, pouco tem a se falar de Rita, que j\u00e1 provou seu talento in\u00fameras vezes, e s\u00f3 repete esse sucesso na nova vers\u00e3o. Uma cena em especial re\u00fane as duas Anitas e o resultado \u00e9 estrondoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do elenco, muitos dos estere\u00f3tipos presentes no original perderam a for\u00e7a nessa nova vers\u00e3o, que inclui muitos di\u00e1logos em espanhol sem qualquer legenda, dando mais credibilidade e realismo \u00e0 trama.<\/p>\n\n\n\n<p>Se restava alguma d\u00favida a respeito da capacidade de Spielberg de liderar um cl\u00e1ssico quase sagrado como esse, ela certamente foi respondida e com muito louvor. A nova vers\u00e3o conseguiu atualizar os temas sem fazer perder a sensa\u00e7\u00e3o dos anos 50\/60, ainda que trouxesse em sua ess\u00eancia sentimentos e ang\u00fastias muito presentes na nossa sociedade nos dias de hoje. As m\u00fasicas, que contam com letra de Sondheim, um gigante da Broadway que nos deixou recentemente, n\u00e3o sofreram grandes altera\u00e7\u00f5es, assim como o roteiro (de Tony Kushner) no geral, o que tamb\u00e9m se provou uma escolha acertada, j\u00e1 que s\u00e3o t\u00e3o atemporais que nunca parecem datadas. Amor, Sublime Amor fez o que todo remake pretende, mas raramente consegue: atualizar uma obra amada, sem perder sua ess\u00eancia e, de quebra, conquistar uma nova gera\u00e7\u00e3o.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>West Side Story, ou Amor, Sublime Amor em portugu\u00eas, \u00e9 um cl\u00e1ssico absoluto. 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