{"id":80323,"date":"2022-08-24T15:15:05","date_gmt":"2022-08-24T18:15:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/?p=80323"},"modified":"2022-08-24T17:35:10","modified_gmt":"2022-08-24T20:35:10","slug":"nao-nao-olhe-jordan-peele-cria-um-espetaculo-visual-impossivel-de-se-evitar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/nao-nao-olhe-jordan-peele-cria-um-espetaculo-visual-impossivel-de-se-evitar\/","title":{"rendered":"N\u00c3O! N\u00c3O OLHE! | JORDAN PEELE CRIA UM ESPET\u00c1CULO VISUAL IMPOSS\u00cdVEL DE SE EVITAR"},"content":{"rendered":"<p>Jordan Peele \u00e9 um diretor que, em pouqu\u00edssimo tempo, conseguiu deixar sua marca na ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica. Seu primeiro trabalho como diretor j\u00e1 alcan\u00e7ou um status de cl\u00e1ssico quase que imediatamente. &#8220;Corra!&#8221;, lan\u00e7ado em 2017, definiu o tom que acompanharia todos seus trabalhos, a jun\u00e7\u00e3o do terror com cr\u00edticas sociais, sobretudo racial. Enquanto &#8220;Corra!&#8221; trazia cr\u00edticas mais \u201c\u00f3bvias\u201d e menos subjetivas, em seu segundo trabalho, &#8220;N\u00f3s&#8221; (2019), Peele se aprofunda mais no g\u00eanero de horror e coloca mais uma camada sobre seus coment\u00e1rios sociais. Considerando os sucessos de seus predecessores, j\u00e1 era esperado que seu novo projeto viesse com altas expectativas. O hist\u00f3rico, atrelado a um marketing pesado por parte da Universal, transformou \u201cN\u00e3o! N\u00e3o Olhe!\u201d em um dos filmes mais aguardados do ano tanto pela cr\u00edtica quanto pelo p\u00fablico. A grande quest\u00e3o que fica \u00e9 se o novo filme acompanha a qualidade de seus antecessores, mas ainda que n\u00e3o supere os outros dois (e na minha opini\u00e3o, isso realmente n\u00e3o acontece), \u201cN\u00e3o! N\u00e3o Olhe!\u201d \u00e9 um filme t\u00e3o grandioso, e tamb\u00e9m diferente, de &#8220;Corra!&#8221; e &#8220;N\u00f3s&#8221;, que uma compara\u00e7\u00e3o acaba sendo injusta com os tr\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma vez Peele conta com o protagonismo de Daniel Kaluuya (em uma performance intensa, focada no olhar), que agora vive Otis Jr, o OJ, filho de um adestrador de cavalos que \u00e9 dono de uma empresa que fornece cavalos para produ\u00e7\u00f5es de Hollywood, o \u00fanico neg\u00f3cio de adestramento de cavalos pertencente a uma fam\u00edlia negra, e n\u00e3o qualquer fam\u00edlia: os Haywood s\u00e3o descendentes do jockey negro e desconhecido que montava o cavalo na primeira arte em movimento, criada por Eadweard Muybridge no s\u00e9culo XIX, provando a rela\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia com a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica desde muito cedo. Tudo ia bem com o neg\u00f3cio e com o rancho e seus cavalos, at\u00e9 que Otis pai \u00e9 morto em circunst\u00e2ncias estranhas e OJ, que n\u00e3o tem muito jeito para os neg\u00f3cios, \u00e9 obrigado a substituir seu pai.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de conhecermos a fam\u00edlia Haywood no entanto, somos apresentados a uma cena, no m\u00ednimo macabra, da filmagem de um sitcom com o elenco morto, o cen\u00e1rio destru\u00eddo e um macaco ensanguentado \u2013 mas n\u00e3o com seu pr\u00f3prio sangue. Esse mist\u00e9rio est\u00e1 conectado com a hist\u00f3ria de Ricky \u201cJupe\u201d Park, personagem de Steve Yeun e dono de um parque tem\u00e1tico interessado em comprar os cavalos do racho Haywood. N\u00e3o tem muito mais o que dizer sem entregar spoilers.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando para a fam\u00edlia Haywood, depois da morte do pai, OJ \u00e9 o novo encarregado dos neg\u00f3cios, mas recebe a ajuda de sua irm\u00e3 Emerald (Keke Palmer). Emerald, uma jovem animada, esperta e engra\u00e7ada na medida certa (pontos para Keke Palmer por conseguir trazer a com\u00e9dia mesmo no clima tenso) tem sede de fama e a oportunidade perfeita para isso aparece quando os irm\u00e3os come\u00e7am a suspeitar que OVNIs estejam envolvidos na morte de seu pai e nos acontecimentos bizarros que v\u00eam ocorrendo no rancho e decidem filmar os acontecimentos sobrenaturais para se tornarem os primeiros a oferecer provas concretas de seres alien\u00edgenas. Se juntam a eles nessa empreitada o jovem Angel (Brandon Perea), que trabalha com tecnologia na loja onde eles compram as c\u00e2meras e depois Antlers Holst (Michael Wincott), um diretor misterioso e talentoso a procura da filmagem perfeita.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 ir\u00f4nico que o t\u00edtulo e o e grande lema do filme seja \u201cN\u00e3o! N\u00e3o Olhe!\u201d, uma alus\u00e3o ao OVNI que, aparentemente, s\u00f3 mata quando \u00e9 encarado, uma vez que o visual do filme \u00e9 simplesmente imposs\u00edvel de se evitar. Uma passagem sobre \u201cfazer um espet\u00e1culo\u201d \u00e9 o que abre o filme, e \u00e9 exatamente isso que recebemos. Jordan Peele n\u00e3o hesita em sonhar alto e faz quest\u00e3o de criar imagens absolutamente exuberantes, n\u00e3o s\u00f3 do cen\u00e1rio que faz lembrar um filme de velho-oeste, mas tamb\u00e9m com a criatura respons\u00e1vel pelo suspense principal da trama \u2013 que fica ainda melhor em IMAX. Al\u00e9m do show de dire\u00e7\u00e3o de Peele, \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m exaltar o trabalho impec\u00e1vel da dire\u00e7\u00e3o de fotografia de Hoyte Van Hoytema e o design de som. \u201cN\u00e3o! N\u00e3o Olhe!\u201d \u00e9 um \u00f3timo exemplo da diferen\u00e7a que faz ter uma equipe de qualidade e bem alinhada, transformando cada cena do filme em um espet\u00e1culo \u00e0 parte.<\/p>\n\n\n\n<p>Se, em algum momento, o filme decepciona, \u00e9 s\u00f3 por conta de expectativas criadas por ele e dentro dele mesmo. Algumas tramas e personagens parecem estar no caminho de se tornar t\u00e3o grandiosas (ou at\u00e9 mesmo mais interessantes) do que a pr\u00f3pria trama original, mas acabam desaparecendo sem entregar o prometido, como \u00e9 o caso da hist\u00f3ria do sitcom e do diretor Antlers. Por ser um filme de Peele, n\u00f3s j\u00e1 chegamos ao cinema com a expectativa de encontrar muitos mist\u00e9rios, cr\u00edticas escondidas e subjetividades. \u00c9 imposs\u00edvel dizer que Peele n\u00e3o sabe fazer terror, bebendo da fonte do suspense dos grandes cl\u00e1ssicos que s\u00e3o influ\u00eancias claras nessa obra (ressaltaria a influ\u00eancia mais \u00f3bvia como Tubar\u00e3o, de Spielberg) e sendo o excelente diretor que \u00e9, sabemos que nada em seu filme \u00e9 por acaso e certamente voc\u00ea poder\u00e1 identificar novas camadas de cr\u00edticas, desde que assista mais de uma vez. Por enquanto, eu assisti apenas uma e confesso que n\u00e3o pude detectar a hist\u00f3ria por tr\u00e1s do enredo principal.<\/p>\n\n\n\n<p>Se fosse necess\u00e1rio criar um rank, pra mim \u201cCorra!\u201d e \u201cN\u00f3s\u201d ainda ficariam na frente, respectivamente, mas se estend\u00eassemos esse rank para o geral, \u201cN\u00e3o! N\u00e3o Olhe!\u201d ainda se sobressairia como um dos melhores filmes do ano.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jordan Peele \u00e9 um diretor que, em pouqu\u00edssimo tempo, conseguiu deixar sua marca na ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica. Seu primeiro trabalho como diretor j\u00e1 alcan\u00e7ou um status de cl\u00e1ssico quase que imediatamente. &#8220;Corra!&#8221;, lan\u00e7ado em 2017, definiu o tom que acompanharia todos seus trabalhos, a jun\u00e7\u00e3o do terror com cr\u00edticas sociais, sobretudo racial. 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