{"id":80370,"date":"2022-09-07T17:54:58","date_gmt":"2022-09-07T20:54:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/?p=80370"},"modified":"2022-09-07T17:55:13","modified_gmt":"2022-09-07T20:55:13","slug":"era-uma-vez-um-genio-uma-fabula-adulta-sobre-amor-e-desejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/era-uma-vez-um-genio-uma-fabula-adulta-sobre-amor-e-desejo\/","title":{"rendered":"ERA UMA VEZ UM G\u00caNIO | UMA F\u00c1BULA ADULTA SOBRE AMOR E DESEJO"},"content":{"rendered":"<p>Dr. Alithea (Tilda Swinton) \u00e9 uma autoproclamada \u201cnarratologista\u201d, uma acad\u00eamica especializada em estudar as estruturas narrativas. Ela ama hist\u00f3rias e sabe bem a import\u00e2ncia de um bom <em>storytelling, <\/em>n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que Alithea \u00e9 a primeira narradora dessa hist\u00f3ria e opta por cont\u00e1-la como um conto de fadas, apesar de garantir que se trata de uma hist\u00f3ria ver\u00eddica. Mesmo com toda sua intimidade com hist\u00f3rias de fic\u00e7\u00e3o, mitos e fantasia (e at\u00e9 experimentar algumas vis\u00f5es que ela associa puramente \u00e0 sua mente ocupada), Alithea \u00e9 uma mulher c\u00e9tica. A acad\u00eamica \u00e9 solteira e solit\u00e1ria, convencida de que sua pr\u00f3pria companhia \u00e9 mais do que suficiente para levar a vida. Em uma viagem para Istambul \u2013 a trabalho, \u00e9 claro \u2013 Alithea visita uma feira local, encontra \u201caleatoriamente\u201d um pequeno frasco decorado que ela acredita ter visto muito hist\u00f3ria (apesar de n\u00e3o a conhecer) e decide levar pra casa, ou melhor, para seu quarto de hotel. L\u00e1, ao tentar limpar o frasco, sai dele Djinn (Idris Elba), um g\u00eanio da l\u00e2mpada.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro Djinn aparece em sua forma real, quase ocupando todo o espa\u00e7o do grande quarto de Alithea, mas depois se reduz a um tamanho humano, apesar de manter as orelhas pontudas que denunciam sua origem \u201csobrenatural\u201d. Alithea fica surpresa, mas n\u00e3o chega perto de ficar t\u00e3o surpresa quanto qualquer outra pessoa ficaria. Como forma de agradecimento por ter sido libertado do frasco que o aprisionava, Djinn concede os cl\u00e1ssicos tr\u00eas desejos \u00e0 Alithea, mas nem isso tira a acad\u00eamica de sua \u201capatia\u201d, pelo contr\u00e1rio, s\u00f3 desperta seu senso de alerta: Alithea tem vasto conhecimento de contos sobre g\u00eanios e sabe muito bem que nenhum desejo vem sem um efeito colateral para ensinar que voc\u00ea deve ter cuidado com o que deseja e nem tudo \u00e9 o que parece ser e etc, etc etc. Mas Djinn n\u00e3o se d\u00e1 por vencido, ele precisa realizar tr\u00eas desejos para manter sua liberdade no nosso mundo. Ainda desconfiada, Alithea quer conhecer melhor sua nova companhia antes de pensar em pedir por alguma coisa, ent\u00e3o Djinn decide compartilhar a hist\u00f3ria das vezes em que foi aprisionado.<\/p>\n\n\n\n<p>Dirigido por George Miller, que voc\u00ea conhece desde filmes como Happy Feet a Mad Max: Estrada da F\u00faria e tamb\u00e9m assina o roteiro, adaptado de um conto de A.S. Byatt, junto com sua filha Augusta Gore, as hist\u00f3rias do Djinn s\u00e3o um espet\u00e1culo visual e fantasioso (e que depende de computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica em sua maior parte), claramente fruto da imagina\u00e7\u00e3o inquieta de Miller. As hist\u00f3rias de Djinn passam por tr\u00eas mil anos de eventos hist\u00f3ricos, em diferentes cen\u00e1rios e civiliza\u00e7\u00f5es, desde seu encantamento pela Rainha de Sab\u00e1 at\u00e9 o imp\u00e9rio otomano. Durante os dois primeiros atos, as mem\u00f3rias s\u00e3o narradas pelo pr\u00f3prio Djinn, o que nos distancia um pouco dos personagens dessas mem\u00f3rias, e os <em>flashbacks<\/em> s\u00e3o intercalados com o quarto do hotel nos dias atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Como os pr\u00f3prios personagens ressaltam, as hist\u00f3rias vividas por Djinn parecem f\u00e1bulas e o pr\u00f3prio filme acaba se assemelhando a uma f\u00e1bula para adultos tamb\u00e9m. \u00c9 uma forma interessante de apresentar uma trama, mas quando consideramos a import\u00e2ncia que \u00e9 dado e reconhecido ao <em>storytelling<\/em>, acaba deixando a desejar. Os contos do passado pouco t\u00eam a ver com o momento em que Alithea e Djinn compartilham e \u00e9 s\u00f3 no terceiro ato que temos uma intera\u00e7\u00e3o realmente cativante e bonita entre os dois, ao mesmo tempo que esse ato \u00e9 o mais realista, nos levando com Alithea para sua casa em Londres.<\/p>\n\n\n\n<p>Os contos s\u00e3o m\u00e1gicos, mas as atua\u00e7\u00f5es n\u00e3o ficam para tr\u00e1s, Idris Elba e Tilda Swinton podem n\u00e3o ter a maior qu\u00edmica rom\u00e2ntica, mas ambos s\u00e3o \u00f3timos no que se prop\u00f5em, ela como mulher independente e literal, ele como um g\u00eanio emotivo e sens\u00edvel trazendo uma hist\u00f3ria com bonitas reflex\u00f5es sobre amor, desejo e humanidade. E fica praticamente imposs\u00edvel imaginar qualquer outro ator nesses pap\u00e9is, assim como \u00e9 imposs\u00edvel pensar que esse filme teria sa\u00eddo como saiu se n\u00e3o fosse um trabalho t\u00e3o pessoal para Miller.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dr. Alithea (Tilda Swinton) \u00e9 uma autoproclamada \u201cnarratologista\u201d, uma acad\u00eamica especializada em estudar as estruturas narrativas. 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