{"id":80447,"date":"2022-09-21T18:14:59","date_gmt":"2022-09-21T21:14:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/?p=80447"},"modified":"2022-09-21T18:25:24","modified_gmt":"2022-09-21T21:25:24","slug":"a-mulher-rei-viola-davis-lidera-epico-sensacional-para-todos-os-gostos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/a-mulher-rei-viola-davis-lidera-epico-sensacional-para-todos-os-gostos\/","title":{"rendered":"A MULHER REI | VIOLA DAVIS LIDERA \u00c9PICO SENSACIONAL COM IRREVER\u00caNCIA E RELEV\u00c2NCIA"},"content":{"rendered":"<p>Um dos principais desafios dos filmes de a\u00e7\u00e3o, principalmente aqueles centrados em cenas de luta, \u00e9 conseguir manter a qualidade para al\u00e9m da a\u00e7\u00e3o. \u00c9 comum assistirmos filmes que entregam tudo quando est\u00e3o a 500km\/h, mas pecam quando t\u00eam que fazer a hist\u00f3ria andar num ritmo mais desacelerado, em que a trama e sobretudo as atua\u00e7\u00f5es devem falar mais alto. \u00c9 uma felicidade poder dizer que o aguardado \u201cA Mulher Rei\u201d foge dessa m\u00e1xima e permanece um \u00f3timo filme do come\u00e7o ao fim, em praticamente todos os seus aspectos. Grande parte disso se deve ao talento inigual\u00e1vel de Viola Davis, mas a diretora Gina Prince-Bythewood tamb\u00e9m merece sua parcela de reconhecimento \u2013 e muito.<\/p>\n\n\n\n<p>Que Viola Davis \u00e9 basicamente perfeita em tudo que se prop\u00f5e a fazer j\u00e1 est\u00e1 mais que provado pelos seus in\u00fameros pap\u00e9is das mais variadas naturezas e em \u201cA Mulher Rei\u201d ela consegue mostrar uma faceta in\u00e9dita at\u00e9 o momento: uma guerreira, l\u00edder de um ex\u00e9rcito africano que existiu de verdade no s\u00e9culo XIX. A General Nanisca \u00e9 respons\u00e1vel por um ex\u00e9rcito exclusivamente feminino, chamado Agojie, formado para proteger o reino de Daom\u00e9 (agora conhecido como Benin, no oeste da \u00c1frica). As guerreiras s\u00e3o respeitadas pelo reino e tem um espa\u00e7o de destaque dentro dessa sociedade, ainda que padr\u00f5es machistas ainda fossem reproduzidos, afinal de contas elas est\u00e3o l\u00e1 para proteger o rei Ghezo (John Boyega), que ainda tem um har\u00e9m de mulheres a sua disposi\u00e7\u00e3o. \u00c9 de um epis\u00f3dio de machismo tamb\u00e9m que Agojie consegue uma valiosa nova guerreira, a jovem Nawi (Thuso Mbedu) que \u00e9 mandada para o ex\u00e9rcito pelo seu pai j\u00e1 que se recusou a casar com um homem que a destratava.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de entrar no m\u00e9rito do enredo, vale muito ressaltar o tanto que o elenco acrescenta \u00e0 hist\u00f3ria e \u00e0s personagens. Elas s\u00e3o bem constru\u00eddas desde o princ\u00edpio, mas o carisma e as emo\u00e7\u00f5es que as atrizes emprestam a elas faz tudo parecer ainda maior e mais intenso. A din\u00e2mica de Nawi com a treinadora do Agojie, Izogie (Lashana Lynch) e a din\u00e2mica de Nanisca tamb\u00e9m com Izogie, a primeira como professora-aluna, a segunda como parceiras-irm\u00e3s e s\u00e3o essas rela\u00e7\u00f5es (junto com toda a a\u00e7\u00e3o, \u00f3bvio) que formam o cora\u00e7\u00e3o do filme e o transformam numa hist\u00f3ria t\u00e3o interessante e que pode ser assistida e aproveitada por qualquer pessoa. Al\u00e9m desses destaques mais espec\u00edficos, \u00e9 um elenco de peso no geral e \u00e9 poss\u00edvel ver sua dedica\u00e7\u00e3o a cada cena e n\u00e3o \u00e9 pra menos: as atrizes fizeram treinamento f\u00edsico pesado por 5 meses e acabaram fazendo quase todas as lutas, o que fez toda diferen\u00e7a para a credibilidade dessas cenas, que n\u00e3o economizam na viol\u00eancia das batalhas e na grandiosidade dessas mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando \u00e0 trama, o aspecto hist\u00f3rico de \u201cA Mulher Rei\u201d \u00e9 igualmente importante, trata-se da um reino africano que tinha um pacto com europeus, do qual Nanisca n\u00e3o se orgulhava nem um pouco e faz quest\u00e3o de abrir os olhos do rei Ghezo a respeito da natureza puramente estrategista e euroc\u00eantrica de seus aliados. Ela alerta sua na\u00e7\u00e3o para o perigo iminente do Imp\u00e9rio Oyo, porque v\u00ea a problem\u00e1tica por tr\u00e1s da parceria que acaba envolvendo essas na\u00e7\u00f5es no tr\u00e1fico de escravos de seu pr\u00f3prio povo (um fato hist\u00f3rico extremamente relevante e que, felizmente, n\u00e3o foi deixado de fora da narrativa). As nuances das rela\u00e7\u00f5es entre os povos africanos, seus costumes e cren\u00e7as e as tradi\u00e7\u00f5es dos povos colonizadores, representados aqui pelos portugueses apenas somam mais camadas, sempre de forma inteligente.<\/p>\n\n\n\n<p>O melodrama tamb\u00e9m se faz presente na hist\u00f3ria, quase sempre de forma positiva. \u201cQuase\u201d porque \u00e9 numa trama de romance que o filme chega mais perto de derrapar, \u00e9 uma trama desnecess\u00e1ria e que n\u00e3o combina com as hist\u00f3rias ao seu redor, mas n\u00e3o se aprofunda o suficiente a ponto de realmente estragar a narrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA Mulher Rei\u201d \u00e9 um filme dirigido e protagonizado por mulheres negras, com um elenco inteiramente composto por pessoas n\u00e3o-brancas e \u00e9 absolutamente imposs\u00edvel ignorar a for\u00e7a e relev\u00e2ncia que uma produ\u00e7\u00e3o desse g\u00eanero tem n\u00e3o s\u00f3 no atual mercado audiovisual, mas na sociedade como um todo. Ainda assim, mesmo sendo feito por pessoas pretas e para pessoas pretas, \u00e9 um filme que pode atingir e entreter a todos, simplesmente por contar uma \u00f3tima hist\u00f3ria com excel\u00eancia. Aos que ainda insistem em reclamar de \u201clacra\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201cmimimi\u201d sempre que uma hist\u00f3ria \u00e9 contada sob o prisma da diversidade, nem esses ter\u00e3o o que reclamar, \u201cA Mulher Rei\u201d \u00e9 um \u00e9pico universal, que n\u00e3o levanta bandeiras a todo frame, simplesmente porque a produ\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 a bandeira em si.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos principais desafios dos filmes de a\u00e7\u00e3o, principalmente aqueles centrados em cenas de luta, \u00e9 conseguir manter a qualidade para al\u00e9m da a\u00e7\u00e3o. \u00c9 comum assistirmos filmes que entregam tudo quando est\u00e3o a 500km\/h, mas pecam quando t\u00eam que fazer a hist\u00f3ria andar num ritmo mais desacelerado, em que a trama e sobretudo as [&hellip;]<\/p>","protected":false},"author":60,"featured_media":80448,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[2415],"tags":[16371],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80447"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/60"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80447"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80447\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80456,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80447\/revisions\/80456"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/80448"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80447"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80447"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80447"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}