{"id":80680,"date":"2022-12-12T22:09:32","date_gmt":"2022-12-13T01:09:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/?p=80680"},"modified":"2022-12-12T22:09:46","modified_gmt":"2022-12-13T01:09:46","slug":"ela-disse-performances-solidas-e-uma-direcao-assertiva-contam-o-comeco-do-movimento-metoo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/ela-disse-performances-solidas-e-uma-direcao-assertiva-contam-o-comeco-do-movimento-metoo\/","title":{"rendered":"ELA DISSE | PERFORMANCES S\u00d3LIDAS E UMA DIRE\u00c7\u00c3O ASSERTIVA CONTAM O COME\u00c7O DO MOVIMENTO #METOO"},"content":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo \u201cEla Disse\u201d vem da express\u00e3o \u201cele disse, ela disse\u201d (<em>he said, she said <\/em>em ingl\u00eas), utilizada quando existe um rumor sem provas, em que fica a palavra de um, contra a palavra de outro. Com frequ\u00eancia, as den\u00fancias de mulheres sobre situa\u00e7\u00f5es de machismo e abuso s\u00e3o reduzidas a isso e descartadas, e a escolha do t\u00edtulo em manter apenas a parte feminina da express\u00e3o diz tudo sobre a hist\u00f3ria contada e seu protagonismo. \u201cEla Disse\u201d \u00e9 uma hist\u00f3ria sobre mulheres e contada por mulheres e isso faz toda diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, o renomado jornal americano <em>The New York Times<\/em> publicou um artigo que come\u00e7ou o movimento que ficou conhecido como <em>#MeToo<\/em> e mudou (espera-se que para sempre) a cultura dos bastidores de Hollywood. As respons\u00e1veis pela investiga\u00e7\u00e3o para essa mat\u00e9ria foram as jornalistas Megan Twohey e Jodi Kantor, que trabalharam juntas para expor anos e anos de abusos, ass\u00e9dio e estupro por parte de Harvey Weinstein, um dos fundadores da produtora Miramax e um dos nomes mais importantes de Hollywood nas \u00faltimas d\u00e9cadas que se utilizou de seu status de poder, fama e dinheiro apara descredibilizar e silenciar suas v\u00edtimas, desde mulheres que desempenhavam fun\u00e7\u00f5es menores de produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 atrizes mundialmente famosas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEla Disse\u201d \u00e9 a hist\u00f3ria de todas as mulheres envolvidas nesse epis\u00f3dio, desde as que sofreram com os abusos at\u00e9 as que participaram da investiga\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o do artigo. O protagonismo feminino \u00e9 a chave para essa ser uma narrativa de bom gosto. Essa hist\u00f3ria poderia facilmente ser um document\u00e1rio \u2013 o filme mesmo assume esse papel em alguns momentos e adota um tom mais did\u00e1tico e explicativo, al\u00e9m de colocar a pr\u00f3pria atriz Ashley Judd para representar ela mesma \u2013, principalmente por se tratar de um tema sens\u00edvel, cujo qualquer deslize pode desencadear diversos traumas e situa\u00e7\u00f5es problem\u00e1ticas, mas felizmente at\u00e9 mesmo o drama fict\u00edcio incorporado \u00e0 hist\u00f3ria ver\u00eddica s\u00e3o de bom tom e ajudam a criar uma experi\u00eancia mais imersiva e uma conex\u00e3o maior com as personagens.<\/p>\n\n\n\n<p>As jornalistas Megan Twohey (Carey Mulligan) e Jodi Kantor (Zoe Kazan) foram duas personalidades que tamb\u00e9m traduziram muito bem para o cen\u00e1rio dram\u00e1tico, a maternidade e feminismo ativo de ambas serviram para humanizar e gerar um grande senso de empatia em rela\u00e7\u00e3o aos espectadores. Elas s\u00e3o determinadas e resistentes sem nunca perder o tato ou for\u00e7ar qualquer tipo de situa\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas, tudo isso impulsionado pelas atua\u00e7\u00f5es memor\u00e1veis de Carey e Zoe, que se destacam at\u00e9 mesmo diante dos momentos que exigem maior sutileza de suas personagens, mas nunca ofuscando as outras mulheres presentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das decis\u00f5es mais acertadas da diretora Maria Schrader \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o a aus\u00eancia de cenas que retratassem os abusos graficamente, em vez do que seria mais \u00f3bvio, temos apenas os relatos narrados enquanto vemos locais que fazem as vezes para nos transmitir a sensa\u00e7\u00e3o sem precisar nos mostrar a a\u00e7\u00e3o e o mesmo artif\u00edcio \u00e9 utilizado para representar o grande agressor da hist\u00f3ria: Harvey Weinstein. Ele \u00e9 constantemente mencionado, ouvimos sua voz, sentimos avers\u00e3o \u00e0 sua pessoa, \u00e0s suas atitudes, chegamos at\u00e9 mesmo a v\u00ea-lo de costas numa cena em que ele fica, enfim, frente a frente com os jornalistas do The New York Times, mas seu rosto nunca \u00e9 mostrado, o que poderia ter lhe conferido um ar de criatura m\u00edstica ou superpoderosa, mas que, por ser bem-feito, acaba na verdade lhe tirando qualquer possibilidade de poder ou superioridade, pela primeira vez em sua carreira.<\/p>\n\n\n\n<p>O <em>#MeToo<\/em> \u00e9 um movimento crucial para o avan\u00e7o em dire\u00e7\u00e3o ao respeito e igualdade de g\u00eanero em Hollywood, que apesar de ter come\u00e7ado com Weinstein, se provou necess\u00e1rio mundialmente e em todas as esferas. Um movimento assim merecia um filme a sua altura, e assim o teve. Com sutileza e sensibilidade, \u201cEla Disse\u201d mostra o pontap\u00e9 inicial de um movimento que, ao que tudo indica, \u00e9 e continua sendo revolucion\u00e1rio, com a seriedade e sobriedade que lhe \u00e9 devido.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo \u201cEla Disse\u201d vem da express\u00e3o \u201cele disse, ela disse\u201d (he said, she said em ingl\u00eas), utilizada quando existe um rumor sem provas, em que fica a palavra de um, contra a palavra de outro. 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