{"id":80755,"date":"2023-01-16T18:36:43","date_gmt":"2023-01-16T21:36:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/?p=80755"},"modified":"2023-01-16T18:37:00","modified_gmt":"2023-01-16T21:37:00","slug":"babilonia-a-gloria-e-o-declinio-na-arte-dos-excessos-em-hollywood","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cinemaup.com.br\/en\/babilonia-a-gloria-e-o-declinio-na-arte-dos-excessos-em-hollywood\/","title":{"rendered":"BABIL\u00d4NIA | A GL\u00d3RIA E O DECL\u00cdNIO NA ARTE DOS EXCESSOS EM HOLLYWOOD"},"content":{"rendered":"<p>Sempre que surge uma nova tecnologia em qualquer tipo de ind\u00fastria, h\u00e1 quem se prejudique e quem se destaque. \u201cBabil\u00f4nia\u201d retrata um momento espec\u00edfico da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica na d\u00e9cada de 20 em que o cinema transitava de sua era muda para sua era falada. O cen\u00e1rio para essa revolu\u00e7\u00e3o do audiovisual \u00e9 uma Hollywood que se sobressai pelos excessos, tanto na frente quanto por tr\u00e1s das c\u00e2meras e quando o elemento do \u00e1udio \u00e9 incorporado ao processo de filmagem, o mundo de todos os envolvidos vira de ponta cabe\u00e7a. Todas as fun\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas s\u00e3o atingidas, mas temos 3 personagens centrais cujos pontos de vista nos d\u00e3o uma perspectiva da efemeridade do sucesso, da fama e imortalidade da arte e o qu\u00e3o destrutivo tudo isso pode ser pra quem n\u00e3o est\u00e1 preparado.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se encontram pela primeira vez, Brad Pitt \u00e9 Jack Conrad, o principal astro da MGM e gal\u00e3 de Hollywood, Diego Calva \u00e9 Manny Torres, um faz-tudo que auxilia um super produtor de filmes e tem o sonho de estar num set de filmagens e Margot Robbie \u00e9 Nellie LaRoy, uma mulher de esp\u00edrito livre e aspirante a atriz com afinidade com quase todas as drogas existentes. O local de encontro, uma das cenas iniciais e que dita o ritmo e o tom das pr\u00f3ximas 3 horas do filme, \u00e9 uma festa extravagante e libertina, com direito a nudez, bebidas, drogas, figur\u00f5es de Hollywood, artistas de todos os tipos e at\u00e9 mesmo um elefante. \u00c9 um cen\u00e1rio caoticamente divertido que extrapola todos os nossos sentidos, n\u00e3o parece haver uma organiza\u00e7\u00e3o nesse caos, mas a imers\u00e3o do espectador acontece, j\u00e1 que a trilha sonora em conjunto com a edi\u00e7\u00e3o fren\u00e9tica nos coloca bem no meio dessa alta sociedade t\u00e3o gloriosa quanto inescrupulosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Num golpe de sorte (misturado com talento, \u00e9 verdade), Nellie e Manny acabam num set de filmagem, o mesmo de Jack, e embarcam numa jornada para se tornarem importantes como desejavam, Nelly uma grande estrela dos filmes, Manny um grande produtor executivo, mas ambos come\u00e7am enquanto a novidade do som chega e logo percebem que \u00e9 preciso muito mais do que sorte e talento para se manter relevante nesse mercado vol\u00e1til. O mesmo acontece para Jack, que mesmo com seu sucesso h\u00e1 muito tempo garantido e comprovado, n\u00e3o consegue manter seu status quando essa nova era chega. O mesmo frenesi que leva ao sucesso pode tamb\u00e9m levar ao fracasso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 sempre instigante ver um filme falando sobre o processo de se fazer filme e a paix\u00e3o obrigat\u00f3ria que move essa ind\u00fastria. Babil\u00f4nia \u00e9 sobre esse amor \u00e0 arte, mas sob um prisma muito mais pessimista do que poderia ser esperado. Al\u00e9m desses personagens centrais, a hist\u00f3ria conta tamb\u00e9m com o trompetista Sidney Palmer (Jovan Adepo), uma estrela em ascens\u00e3o depois de ser \u201cdescoberto\u201d por Manny, mas que lida com os obst\u00e1culos do racismo por ser um artista negro, Lady Fay Zhu (Li Jun Li) uma <em>performer <\/em>promissora e que merecia mais destaque e a cr\u00edtica de cinema Elinor St. John (Jean Smart), todos tamb\u00e9m submetidos aos altos e baixos de suas carreiras, mas apenas Elinor parece ter real consci\u00eancia da fragilidade de tudo que eles constru\u00edram at\u00e9 ali. \u00c9 dela um mon\u00f3logo que encapsula com negatividade, mas realidade, a brevidade da fama, o quanto qualquer um \u00e9 substitu\u00edvel ainda que \u201cnunca\u201d venha a ser esquecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Damien Chazelle faz com que \u201cBabil\u00f4nia\u201d seja fren\u00e9tico do come\u00e7o ao fim, mas seu terceiro ato (ou at\u00e9 mesmo sua segunda metade) parece tentar for\u00e7ar uma compreens\u00e3o da s\u00e9tima arte que n\u00e3o alcan\u00e7a as expectativas criadas anteriormente, deixando um sabor amargo distinto do que o restante causou. N\u00e3o que essa vis\u00e3o pessimista do que foi e ainda \u00e9 Hollywood e a busca pela fama e reconhecimento seja completamente errada, a quest\u00e3o foi a maneira condescendente pela qual se chega \u00e0 essa conclus\u00e3o. Ainda assim, mesmo nesse final, os visuais s\u00e3o magn\u00edficos e o que temos no final \u00e9 um filme surpreendentemente animado e revigorante, acima de toda negatividade a que se prop\u00f5e. Talvez uma representa\u00e7\u00e3o acertada do que \u00e9 essa ind\u00fastria. \u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre que surge uma nova tecnologia em qualquer tipo de ind\u00fastria, h\u00e1 quem se prejudique e quem se destaque. \u201cBabil\u00f4nia\u201d retrata um momento espec\u00edfico da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica na d\u00e9cada de 20 em que o cinema transitava de sua era muda para sua era falada. 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