O GRANDE MAURICINHO | CONTO DE FADAS COM UM TOQUE MODERNO E INTELIGENTE GARANTE DIVERSÃO PARA TODA A FAMÍLIA

Baseado num livro infantil escrito pelo escritor britânico Terry Pratchett, O Grande Mauricinho é uma animação de contos de fadas com um toque moderno e cheia de metalinguagem. Num ritmo acelerado e com um enredo esperto, conhecemos a história de Mauricinho um gato que fala, seu amigo humano Keith e seus amigos ratos inteligentes. Juntos, eles vão de cidade em cidade aplicando um golpe para ganhar dinheiro: os ratos fingem que são uma praga e o gato e o menino fingem que o capturam, livrando a cidade e levando umas moedas como recompensa.

Em paralelo, temos a narrativa moldura, que nos introduz à metalinguagem que acompanha a história do começo ao fim. Malicia é uma jovem rebelde e cheia de opinião, apaixonada por livros ela começa narrando a história de Mauricinho para depois fazer parte dela e acrescentar no gênero do romance ao, inevitavelmente, formar um par com Keith.

Quando todo o grupo se depara com um mistério numa cidade próxima em que toda a comida está sendo roubada, presumidamente por ratos, ao ponto de deixar todos seus habitantes passando fome, toda a narrativa muda. A história, que até então, tinha um ar de simplicidade, é tomada por questões muito mais complexas e adquire um tom mais sinistro com a apresentação de um vilão implacável e enigmático, num nível muito acima do que estamos acostumados a encarar em outros filmes infantis. Esse aprofundamento é crucial para que “O Grande Mauricinho” vá além de ser uma animação apenas para as crianças para se tornar interessante também para os adultos.

Os personagens também avançam o enredo com sucesso, o que faz sentido considerando que o roteirista aqui é Terry Rossio, um dos roteiristas de Shrek, o percursor desse gênero específico de faz de contas. Além de ser visualmente atraente e ter uma trilha tão energética quanto a narrativa, os personagens fazem um bom trabalho ao manter o espectador ligado – e interessado – durante toda a duração do filme.  Os ratos são especificamente cativantes e roubam as cenas muitas vezes com suas tiradas carregadas de um humor característico dos humanos e que podem fazer rir independentemente de idade.

Contudo, por vezes fica a dúvida em relação ao público-alvo do filme, já que de um lado temos uma narrativa fundamentada nas piadas e brincadeiras características de um grupo de faixa etária muito mais baixa e, do outro, principalmente com o uso da metalinguagem, a narrativa é acelerada e faz uso de uma linguagem tão avançada que pode confundir até mesmo os adultos. Um pouco mais de equilíbrio entre esses polos poderia ter dado ao filme um alcance melhor e um entendimento mais amplo para todos os possíveis públicos, mas é interessante poder acompanhar um filme infantil que não subestima a criança e exige tanto de sua inteligência – ainda que passe um pouco do ponto.

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