PÂNICO | MISTURANDO O CLÁSSICO COM O NOVO, “PÂNICO” PROVA QUE AINDA TEM ESPAÇO NO TERROR

Você é gosta de filmes de terror? Se a resposta for sim, você provavelmente já assistiu pelo menos um dos filmes da franquia Pânico e também provavelmente entendeu a referência da pergunta. Em Pânico, que não se chama Pânico 5, mas poderia, as referências têm um peso enorme (e essencial) e se você nasceu nos anos 2000 ou por algum motivo ainda não está familiarizado com a franquia, fica a recomendação de assistir pelo menos ao original de 1996 (apesar da metalinguagem já característica da história fazer um bom trabalho de recapitulação) para poder aproveitar tudo que o novo filme tem a oferecer.

Logo no começo conhecemos Tara (Jenna Ortega), uma adolescente que está sozinha em sua casa em Westboro quando recebe uma ligação, claramente uma homenagem à cena de abertura clássica do original, em que Drew Barrymore passa pela mesma situação e se torna uma vítima do assassino Ghostface, mas já não estamos mais nos anos 90 e quando a linha de telefone fixo toca, Tara não atende de primeira, mas quando insistem a chamada e ela enfim atende, se depara com o famoso jogo sobre fatos de filme de terror. Tara diz ser fã do gênero, mas prefere os filmes de terror mais elevado, com profundidade e complexidade emocional, como O Babadook, Corrente do Mal e Hereditário e não os filmes de slasher como “Facada”.

“Facada” é o filme dentro do filme. Ele existe no universo do Pânico contando os eventos que se passaram em Westboro durante o filme original e é apenas uma das camadas de metalinguagem utilizadas, mas nem só de referências o novo Pânico é feito. Temos agora um novo grupo de protagonistas. O ataque sofrido por Tara faz com que sua irmã mais velha, Sam (Melissa Barrera) retorne à cidade, trazendo junto seu namorado Richie (Jack Quaid). Sam não é muito próxima da irmã e carrega seus próprios traumas relacionados a um segredo de família, a dose certa de mistério que uma protagonista de filme de terror precisa. Seu namorado, que não é da cidade e não conhece os crimes que aconteceram lá nem assistiu à franquia “Facada”, acaba servindo como alívio cômico. Além do núcleo familiar, temos os estudantes amigos de Tara, os gêmeos Mindy (Jasmin Savoy Brown) e Chad Meeks-Martin (Mason Gooding), Wes (Dylan Minnette), Liv (Sonia Ammar) e Amber (Mikey Madison). Em um filme como Pânico, o grupo central de amigos é sempre muito importante para a saga e, seguindo as regras dos filmes de terror (expostas desde o primeiro filme), quem não morre acaba sendo o vilão. Grande parte do sucesso do novo filme se deve à escolha certa desse elenco, todos são ótimos atores e têm uma química inegável.

A volta do Ghostface a Westboro leva também ao retorno dos personagens já muito conhecidos e amados pelos fãs da franquia desde o começo. Dewey (David Arquette) passou por umas questões pessoais nos últimos tempos e se aposentou, mas honra seu histórico de herói (ainda que muitas vezes atrapalhado) e parte para ajudar quando fica sabendo dos novos ataques. As outras heroínas do filme e participações aguardadas pelos fãs são as personagens da Sidney Prescott (Neve Campbell), a garota sobrevivente de todos os filmes anteriores e Gale Weathers-Riley (Courteney Cox), a repórter que contou a história dos primeiros ataques.

A trama segue um paralelo em relação ao roteiro original, mas consegue se adaptar aos tempos modernos com humor e clareza. Assim como os personagens explicam no próprio filme, em mais um exemplo de sua metalinguagem sendo usada de forma certeira, Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett parecem ter encontrado a fórmula perfeita para fazer um reboot que funciona. Na verdade, Pânico não é exatamente um reboot, nem exatamente uma sequência, talvez por isso tenha sido chamado apenas de “Pânico”, como o original. O terror ainda está presente, talvez até mais assustador, balanceando os sustos com o suspense, mas sem deixar de ser um slasher, muito pelo contrário, Pânico tem orgulho de sua franquia, até mesmo das sequências que não foram tão boas assim – e eles mesmos reconhecem esse fato, e se utiliza de seus erros e acertos, e até mesmo da relação dos filmes com seu fandom, para contar uma nova história capaz de agradar quem já acompanha desde o início e quem está chegando agora também.

Os novos personagens conseguiriam carregar a trama sozinhos, mas a presença dos personagens originais está longe de ser dispensável. Cada vez que aparecem, trazem consigo suas bagagens emocionais e o peso fazer parte de uma franquia desse porte. O terceiro ato é o grande destaque, como tem que ser, e deixa claro esse equilíbrio perfeito entre o que é novidade e o que vem do original. Talvez fosse uma boa ideia fazer desse o filme que encerra a franquia, para acabar por cima, mas é difícil de acreditar que essa será a última vez que veremos o Ghostface em ação considerando o sucesso de entretenimento que conseguiram alcançar. Agora é esperar para ver se a cidade de Westboro enfim ficará livre desses crimes violentos que não param de se repetir.