6.0/10

A Morte de Robin Hood

Diretor

Michael Sarnoski

Gênero

Drama

Elenco

Hugh Jackman, Jodie Comer, Bill Skarsgård

Roteirista

Michael Sarnoski

Estúdio

A24

Duração

122 minutos

Data de lançamento

13 de agosto de 2026

Lidando com seu passado após uma vida de crimes e assassinatos, Robin Hood se vê gravemente ferido após uma batalha que ele acreditava ser a última. Nas mãos de uma mulher misteriosa, ele recebe uma chance de redenção.

A lenda de Robin Hood já recebeu as mais diversas adaptações, mas algo que sempre foi um denominador comum é a figura de Robin Hood como um herói, ainda que não muito ortodoxo. Um homem que rouba, mas rouba dos ricos para dar para os pobres. Nessa nova versão, escrita e dirigida por Michael Sarnoski, todo e qualquer traço heroico é tirado de Robin Hood, assim como tudo que julgamos saber sobre sua pessoa. É uma versão crua, inescrupulosa e sombria de um homem sobre o qual mito e verdade não se misturam – muito pelo contrário: subvertem-se. O filme não perde também em começar esse processo de desconstrução, logo na primeira cena, Robin Hood fala sobre o mito e o homem serem coisas completamente diferentes, nele não há nada de heroico, é apenas um homem que mata por prazer e rouba para não ajudar ninguém além dele próprio. É uma fala seguida de uma violência visceral, e a cena como um todo é um perfeito fragmento do que será o filme. Uma história obscura, sobre um homem que sabe ser cruel, ainda mais em contraste com a imagem que os velhos contos teceram sobre ele. O visual também acompanha essa temática; filmado no norte da Irlanda, o filme tem cenários lindos, mas igualmente lúgubres, desesperançosos.

Hugh Jackman interpreta uma versão mais velha de Robin Hood, já ultrapassado pelas consequências de seus atos, de seus crimes. É um homem taciturno e solitário, salvo por Little John (Bill Skarsgård), com quem divide histórias passadas e é justamente Little John que serve como ponto de partida dessa história específica. Os dois são parecidos no que diz respeito à moral, mas Little John ainda carrega alguma alegria característica da juventude; ele ainda tem uma família e coisas a perder, mas não por muito tempo. A violência que cerca os dois é explícita e flerta com o gore, mas combina com a atmosfera pré-estabelecida. “A Morte de Robin Hood” é um filme denso, contemplativo, uma história de perdas e desavenças, mas também uma história de redenção, que começa quando Robin Hood precisa se recuperar fisicamente e acaba indo parar aos cuidados de irmã Brigid (Jodie Comer), uma priora que recebe Robin Hood no convento e constrói com ele uma relação que nos permite entender que, mesmo após toda a violência, ainda há humanidade nesse homem, ainda que “manchada” por todos os seus feitos anteriores.

Embora conte com um protagonista intrigante e um conceito idem, “A Morte de Robin Hood” ainda parece um filme distante. Temos apenas um vislumbre de um curto e específico momento da vida de Robin Hood, e sem maiores “detalhes” do que veio antes, fica difícil distingui-lo como o Robin Hood, e não como qualquer outro bandido que agora repensa seus crimes. Tecnicamente falando, as atuações são um dos pontos altos, sobretudo de Hugh Jackman e Jodie Comer. É um filme belíssimo, a fotografia, a direção e a trilha sonora estão em perfeita sintonia para garantir um clima que se encaixa no estado de espírito do próprio Robin Hood. Por conta de sua atmosfera, no entanto, a narrativa é um tanto truncada, deixando mais a entender do que explicando e, por vezes, o resultado são cenas maçantes, de difícil conexão com o espectador. Uma história de redenção tem sempre grandes chances de ser uma história de emoção, mas aqui a emoção fica de lado para deixar o conceito como protagonista. 

 

Por Júlia Rezende

6.5

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