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Aquaman 2: O Reino Perdido

Diretor

James Wan

Gênero

Ação

Elenco

Jason Momoa, Patrick Wilson, Yahya Abdul-Mateen II

Roteirista

David Leslie Johnson-McGoldrick

Estúdio

Warner Bros. Pictures

Duração

124 minutos

Data de lançamento

20 de dezembro de 2023

Arthur precisa contar com a ajuda de seu meio-irmão Orm para proteger Atlantis contra Black Manta, que liberou uma arma devastadora em sua busca obsessiva para vingar a morte de seu pai.

Pelo jeito, a “era de ouro” da DC e da Marvel realmente passou. Os últimos filmes de ambas têm sido recebidos com cada vez menos entusiasmo pelos fãs que, até agora, pareciam dispostos a amar qualquer produto que ambas tivessem a oferecer. É um resultado esperado depois desse público ter sido bombardeado com uma quantidade enorme de conteúdos que acabaram, de certa forma, “sucateando” as novas produções. Alguns títulos são exceções, mas outros não escapam da mesmice. Infelizmente, esse é o caso de Aquaman 2: o Reino Perdido, o segundo filme solo de Jason Momoa como Arthur Curry, o Aquaman. Não há necessariamente algo de fundamentalmente errado com o filme, e talvez, se tivesse sido lançado em outro momento, ou alguns anos atrás, poderia ser recebido com outros olhos. É um filme que segue a fórmula pronta de filmes clássicos de super-heróis à risca, mas essa fórmula é batida, os personagens também trazem poucas (ou nenhuma) novidades e nem mesmo a direção de James Wan consegue acrescentar algo verdadeiramente interessante à história.

Passados os acontecimentos do primeiro filme, Arthur Curry agora é o rei de Atlantis, mas também acarreta uma nova função: a maternidade. Ele e Mera (uma Amber Heard com tempo mínimo de tela) agora têm um bebê que ocupa o tempo livre de Arthur e de seu pai Tom (Temuera Morrison), que está sempre lá para ajudar. Os outros personagens também estão de volta, a mãe Atlanna (Nicole Kidman), o irmão Orm (Patrick Wilson) que começa como um prisioneiro e até mesmo o grande vilão Arraia Negra (Yahya Abdul-Mateen II), que busca uma forma de consertar seu traje para vingar a morte de seu pai e matar o Aquaman. O vilão faz parte de uma equipe de pesquisadores que acaba encontrando o material necessário para reconstruir o traje, mas também encontram um tridente com forças ocultas que beneficiam o “lado errado” da batalha. É um roteiro sólido e uma narrativa bem amarrada, o problema é que é pouco além disso. Com a quantidade exorbitante de filmes, séries e afins com essa temática, ser apenas consistente não é suficiente para ser memorável.

Os personagens continuam com a mesma essência do primeiro filme. A relação fraternal entre Arthur e Orm é o tema central e funciona, eles têm uma boa química e a dinâmica de “amor e ódio” cai como uma luva, mas, assim como a trama de ação, a sensação é de que falta algo que faça com que a gente assista e queira mais do que estamos vendo. As motivações de Arthur e de Orm são tão legítimas quanto poderiam ser, mas nem sempre fazer “tudo certo” pode fazer um filme realmente divertido. O humor de Curry é uma característica pessoal, mas pouco explorada e até mesmo sua relação com o filho parece superficial. Entre as extensas cenas de ação, temos lampejos de humanidade, mas a sensibilidade custa a aparecer e, justamente numa história sobre família, fica faltando a emoção.

Nesse momento final da atual fase do DCU, que em breve será comandado por James Gunn, James Wan poderia ter aproveitado a oportunidade para tirar esse herói pouco convencional da caixa e levá-lo a outros patamares. Um super-herói que sabe tirar sarro de si mesmo, como Arthur Curry costuma fazer, pode ser uma joia rara, desde que bem polida e lidada por alguém que compreende suas possibilidades. No final, o que temos é mais um filme de super-herói, como tantos outros.

 

Por Júlia Rezende

6

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