7.5/10

Coyote vs. Acme

Diretor

Dave Green

Gênero

Animação , Comédia

Elenco

Will Forte, Lana Condor, John Cena

Roteirista

Samy Burch

Estúdio

Warner Bros. Pictures

Duração

103 minutos

Data de lançamento

27 de agosto de 2026

O filme acompanha Wile E. Coyote, que, após produtos Acme falharem inúmeras vezes em sua busca pelo Papa-Léguas, decide processar a Acme Corporation. Will Forte ("O Último Cara na Terra") dá vida ao advogado de Coyote, que entra em um embate contra seu ex-chefe, interpretado por John Cena ("O Esquadrão Suicida"), enquanto desenvolve uma relação de amizade com o desenho animado e seguem determinados a vencer o caso.

A nostalgia está em alta em Hollywood nos anos mais recentes. São inúmeros anúncios de remakes, reboots e sequências aparecendo anos – às vezes décadas – depois da produção original. Trazer uma obra já familiar tem a vantagem do público cativo – pessoas que já acompanham e sentem falta daquele universo – mas vem também com a pressão de fazer jus ao que veio antes. O grande desafio desse tipo de produção parece ser se manter relevante com temáticas da atualidade sem abrir mão de sua essência. A última tentativa da Warner Bros. com os Looney Tunes nesse sentido foi Space Jam: Um Novo Legado (2021), um filme divertido, mas que não caiu nas graças da crítica ou do público – comprovando, mais uma vez, que apenas a sensação de familiaridade não é suficiente para transformar um filme num sucesso. A trajetória de Coyote Vs. Acme até as salas de cinema tem elementos muito diferentes do comum, no entanto. Era um filme aguardado – e pedido – pelos fãs, mas rejeitado pelo próprio estúdio. E essa combinação acabou fazendo o marketing perfeito. 

Grande parte do marketing de Coyote Vs. Acme foi construída em cima da frase “O filme que a ACME não queria que você assistisse”, o que é apenas um eufemismo para “o filme que a Warner não queria que você assistisse” – e caiu como uma luva. Os Looney Tunes são, e sempre foram, propriedade da Warner, e também sempre foram amados pelos fãs. O filme foi finalizado e ganhou previsão de estreia nos cinemas para 2023 (depois de ter sido considerado para uma estreia direta no streaming). Acontece que houve a fusão entre a Warner e a Discovery e diversos projetos já finalizados foram engavetados, como Batgirl, Scooby-Doo e Coyote Vs. Acme. Foi uma decisão comercial, baseada na ideia de que custaria mais caro distribuir o filme e promovê-lo do que simplesmente esquecer os gastos de produção e fingir que ele nunca existiu, principalmente porque o estúdio contaria com uma dedução nos impostos. Pode fazer sentido na ponta do lápis, enquanto o estúdio apenas fazia contas e não olhava para o conteúdo, para o lado artístico. Do outro lado, havia os fãs (e a equipe de produção do filme), que não poderiam se importar menos com a matemática da coisa e exigiram incansavelmente que o filme fosse exibido. A Warner não tinha interesse no lançamento, mas cedeu em parte e permitiu que o filme fosse comprado por uma distribuidora – e só assim Coyote Vs. Acme viu a luz do dia – ou o escuro do cinema – e que bom que foi assim. Seria uma pena que um filme divertido como esse não encontrasse seu público.

Mas toda a questão com a Warner não foi um marketing apenas por conta da controvérsia do lançamento – ela fala diretamente com o enredo do filme. Na trama, Coyote continua em sua busca incessante para capturar Papa-Léguas, mas sempre falha quando tenta usar algum novo produto fabricado pela Acme que, inevitavelmente, não funciona como deveria. Cansado (finalmente) da situação, ele vai atrás de um advogado para processar a empresa e acaba conhecendo Kevin Avery (Will Forte). Kevin é um advogado cuja alma já foi consumida pelo corporativismo, e ele não tem qualquer vontade de ajudar o Coyote, mas sua estagiária, Paige (Lana Condor), ainda acredita num mundo melhor e mais justo, e convence Kevin a trabalhar no caso de Coyote. É assim que o filme se transforma, também, num filme de tribunal. A luta de Coyote contra a ACME é um caso clássico de Davi e Golias e é louvável a forma como o filme consegue inspirar a empatia do público por um personagem cujo objetivo de vida é caçar um pássaro e que não emite qualquer palavra, utilizando o próprio Kevin como um reflexo do Coyote para o espectador.

O espelho da luta entre Coyote e Acme e a do filme contra a própria Warner adicionou camadas a um filme que já seria suficientemente bom por si só. Ver a história fictícia ganhando vida nos aproxima dos personagens, indo além da nostalgia. Coyote vs. Acme é um filme que sabe usar tudo o que tem a seu favor, o melhor do humor inocente dos Looney Tunes, a emoção de uma história com um herói improvável e muito coração. Enfim, os Looney Tunes têm o filme que merecem nessa década e provam que ainda têm muito a oferecer, desde que saibam ser aproveitados.

 

Por Júlia Rezende

8

Missão cumprida