Eles Vão Te Matar
Diretor
Kirill Sokolov
Elenco
Zazie Beetz, Patricia Arquette, Heather Graham
Roteirista
Alex Litvak e Kirill Sokolov
Estúdio
Warner Bros. Pictures
Duração
94 minutos
Data de lançamento
26 de março de 2026
Talvez seja óbvio pensar que uma mistura de Casamento Sangrento com Kill Bill daria um resultado divertido, mas chegar nessa ideia certamente tem sua autenticidade. E se tem algo que o diretor russo, Kirill Sokolov, entende bem é de diversão. “Eles Vão Te Matar” é o tipo de filme que aposta alto no entretenimento por prazer. Apesar do conceito geral de “eat the rich” e de haver, inegavelmente, um comentário social, não se trata de um filme de reflexão – o que, de forma alguma, o diminui. Os incontáveis slashers ruins que são lançados todo ano estão aí para provar que matança por matança está longe de ser suficiente para construir um filme que valha a ida ao cinema. Aqui, uma série de fatores positivos se juntam para resultar num filme familiar, mas original.
A história começa com duas irmãs, Asia (Zazie Beetz) e Maria (Myha’la), fugindo de um pai abusivo. A fuga dá errado e Asia acaba presa, enquanto Maria volta para o pai. Dez anos depois, Asia, a irmã mais velha, está finalmente livre e chegando para o seu primeiro dia de emprego no The Virgil, um prédio de luxo em Nova York com uma clientela suspeita e funcionárias mais suspeitas ainda. Lá, ela é recepcionada por Lilith (Patricia Arquette), que comanda o hotel, mas assim que chega ao seu quarto, descobre que algo muito sinistro está acontecendo por lá, envolvendo os funcionários e os donos do hotel. O que se segue, a partir desse momento até o final do filme, é uma sequência alucinante de cenas de ação com direito a (muitas) mortes, perseguições, sangue, facas, armas e todo tipo de golpe que você possa imaginar. É uma sequência de ritmo eletrizante, tanto que poderia ser até um risco, caso esse ritmo caísse fora de hora, mas não é o que acontece.
“Eles Vão Te Matar” é também o tipo de filme que depende da qualidade de sua protagonista e, nisso, o êxito é certo. É até estranho que Zazie Beetz nunca tenha protagonizado um filme antes – ela tem presença, qualidade de estrela e é a escolha perfeita para viver uma mulher preparada para absolutamente qualquer obstáculo que a vida – ou esses ricaços – coloquem na sua frente. Seus antagonistas, os vilões, são um grupo menos interessante, mais caricato, mas que ainda funciona dentro do esperado. Quando Asia encontra Maria, o filme ganha um novo fôlego e um novo rumo; Myha’la também é uma aposta certeira e prova, mais uma vez, porque é um nome a ser lembrado da sua geração. Maria é a maior responsável pela camada mais socialmente consciente do filme. Ela também foi parar no The Virgil (que se torna um personagem por si só) para trabalhar como camareira, mas teve um destino bem diferente de sua irmã. Assim como praticamente todos os funcionários, as duas irmãs são negras, e todos que acabam trabalhando nesse lugar só foram parar lá porque estavam em situações vulneráveis de suas vidas. Sem precisar explicar com palavras, a mensagem é clara.
No que diz respeito ao desenvolvimento do roteiro, o filme não traz nada realmente novo ou elaborado; é basicamente o que se espera de um filme com essa temática, mas é a forma que impede que ele seja mais do mesmo. Todas as cenas de ação (e são muitas) são muito bem feitas e eletrizantes. A referência a Kill Bill não é à toa, temos golpes que se assemelham às artes marciais, mas com um toque de fantasia que os tornam cômicos na medida certa. Isso faz com que as sequências de ação sejam mais criativas, deixando de lado as armas de fogo e dando espaço para facões e espadas, com ângulos e movimentos de câmera adicionando novas camadas. A trilha sonora também está entre um dos pontos mais fortes do filme, uma cena específica envolve fogo, facão e uma música da Doechii – e é simplesmente incrível. “Eles Vão Te Matar” não tem medo da violência e do gore, mas também não faz questão de se levar a sério – e nem deveria; é muito melhor poder rir com o filme e seus absurdos – é isso que faz com que esse seja um terrir de sucesso.
Por Júlia Rezende