6.5/10

Minions & Monstros

Diretor

Pierre Coffin e Patrick Delage

Gênero

Animação

Elenco

Roteirista

Pierre Coffin e Brian Lynch

Estúdio

Universal Pictures

Duração

90 minutos

Data de lançamento

01 de julho de 2026

Os Minions embarcam em uma jornada para encontrar criaturas assustadoras para aparecerem em seu filme de monstros.

Hollywood não sabe encerrar franquias. Quando uma propriedade rende bilhões, inspira brinquedos, parques e campanhas publicitárias, qualquer discussão sobre desgaste criativo costuma ser soterrada pelo barulho das caixas registradoras. Os Minions talvez sejam a representação perfeita dessa lógica: personagens que deixaram de pertencer apenas ao cinema para se tornarem uma espécie de idioma comercial universal. Por isso, a maior surpresa de “Minions & Monstros” não está em uma piada particularmente eficiente ou em algum novo personagem vendável. Está no fato de que, quando tudo indicava uma repetição automática, a franquia encontrou uma maneira legítima de se renovar.

O acerto começa pela decisão de abandonar temporariamente a simples sucessão de vilões e trapalhadas para transformar a própria história do cinema em matéria narrativa. Ambientar a aventura na Hollywood dos anos 1920 não funciona apenas como mudança de cenário. O cinema mudo, o sistema de estúdios, a chegada do som e a tradição dos filmes de monstros são incorporados ao percurso dos personagens. Até o Minionês, normalmente utilizado apenas como combustível para piadas, adquire uma função especialmente inteligente quando a indústria passa a exigir que suas estrelas falem uma língua compreensível.

É nesse ponto que a homenagem deixa de ser uma coleção preguiçosa de referências. O longa não se limita a apontar para clássicos e aguardar o reconhecimento satisfeito do espectador adulto. Ele absorve movimentos, enquadramentos, cenários, arquétipos e transformações tecnológicas que ajudaram a formar Hollywood. A comédia física dos Minions, muitas vezes tratada como um recurso infantil primário, encontra um parentesco natural com o cinema silencioso. Aqueles corpos amarelos caindo, correndo, destruindo cenários e sobrevivendo ao impossível parecem finalmente colocados no período histórico ao qual sempre pertenceram.

Isso permite que o filme alcance um equilíbrio raro dentro da própria franquia. As crianças continuam recebendo monstros, perseguições, quedas, gritos e toda a estupidez calculada que se espera dos personagens. Os Minions não se tornam sofisticados, e nem deveriam. A diferença é que agora existe algo por trás do caos. O humor mais banal divide espaço com uma declaração de amor ao ato de produzir imagens, inventar histórias e transformar limitações técnicas em linguagem. A bobagem continua sendo bobagem, mas deixa de ser vazia.

Naturalmente, “Minions & Monstros” não abandona completamente os vícios da Illumination. Em alguns momentos, o ritmo acelerado ameaça engolir as melhores ideias, como se o estúdio ainda temesse que uma criança pudesse perder o interesse diante de alguns segundos de contemplação. A aventura também acaba retornando ao espetáculo barulhento e às soluções narrativas previsvisíveis típicas da franquia. Sua emoção é simples, seus personagens não carregam grande densidade e algumas referências funcionam melhor como reconhecimento imediato do que como desenvolvimento dramático.

Nada disso, porém, apaga a beleza inesperada do conjunto. Há uma diferença considerável entre uma franquia que apenas se fantasia de novidade e outra que encontra uma nova razão para existir. Pierre Coffin reconheceu que não queria simplesmente dirigir mais um filme dos Minions e encontrou na Hollywood dos anos 1920 a possibilidade de tornar o projeto interessante novamente. Essa resistência inicial parece ter sido justamente o que salvou o longa da fabricação automática.

“Minions & Monstros” conquista porque não tenta abandonar aquilo que tornou seus protagonistas populares. As babaquices, o humor físico e a linguagem incompreensível permanecem intactos. O que muda é o ambiente ao redor deles, agora construído com afeto, conhecimento e uma admiração verdadeira pela história da sétima arte. É um filme acessível para crianças, divertido para famílias e surpreendentemente recompensador para quem ainda acredita que Hollywood pode olhar para o próprio passado sem transformá-lo apenas em mercadoria nostálgica.

Em uma franquia que parecia condenada a repetir eternamente as mesmas bananas, explosões e criaturas amarelas, surgiu um longa capaz de lembrar que até o produto mais industrial pode carregar algum amor pelo cinema. “Minions & Monstros” não disfarça sua natureza comercial, mas consegue algo muito mais difícil: faz dela uma celebração cinematográfica genuína, divertida e, por vezes, verdadeiramente bonita.

7.5

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