Minions & Monstros
Diretor
Pierre Coffin e Patrick Delage
Gênero
Animação
Elenco
Roteirista
Pierre Coffin e Brian Lynch
Estúdio
Universal Pictures
Duração
90 minutos
Data de lançamento
01 de julho de 2026
Hollywood não sabe encerrar franquias. Quando uma propriedade rende bilhões, inspira brinquedos, parques e campanhas publicitárias, qualquer discussão sobre desgaste criativo costuma ser soterrada pelo barulho das caixas registradoras. Os Minions talvez sejam a representação perfeita dessa lógica: personagens que deixaram de pertencer apenas ao cinema para se tornarem uma espécie de idioma comercial universal. Por isso, a maior surpresa de “Minions & Monstros” não está em uma piada particularmente eficiente ou em algum novo personagem vendável. Está no fato de que, quando tudo indicava uma repetição automática, a franquia encontrou uma maneira legítima de se renovar.
O acerto começa pela decisão de abandonar temporariamente a simples sucessão de vilões e trapalhadas para transformar a própria história do cinema em matéria narrativa. Ambientar a aventura na Hollywood dos anos 1920 não funciona apenas como mudança de cenário. O cinema mudo, o sistema de estúdios, a chegada do som e a tradição dos filmes de monstros são incorporados ao percurso dos personagens. Até o Minionês, normalmente utilizado apenas como combustível para piadas, adquire uma função especialmente inteligente quando a indústria passa a exigir que suas estrelas falem uma língua compreensível.
É nesse ponto que a homenagem deixa de ser uma coleção preguiçosa de referências. O longa não se limita a apontar para clássicos e aguardar o reconhecimento satisfeito do espectador adulto. Ele absorve movimentos, enquadramentos, cenários, arquétipos e transformações tecnológicas que ajudaram a formar Hollywood. A comédia física dos Minions, muitas vezes tratada como um recurso infantil primário, encontra um parentesco natural com o cinema silencioso. Aqueles corpos amarelos caindo, correndo, destruindo cenários e sobrevivendo ao impossível parecem finalmente colocados no período histórico ao qual sempre pertenceram.
Isso permite que o filme alcance um equilíbrio raro dentro da própria franquia. As crianças continuam recebendo monstros, perseguições, quedas, gritos e toda a estupidez calculada que se espera dos personagens. Os Minions não se tornam sofisticados, e nem deveriam. A diferença é que agora existe algo por trás do caos. O humor mais banal divide espaço com uma declaração de amor ao ato de produzir imagens, inventar histórias e transformar limitações técnicas em linguagem. A bobagem continua sendo bobagem, mas deixa de ser vazia.
Naturalmente, “Minions & Monstros” não abandona completamente os vícios da Illumination. Em alguns momentos, o ritmo acelerado ameaça engolir as melhores ideias, como se o estúdio ainda temesse que uma criança pudesse perder o interesse diante de alguns segundos de contemplação. A aventura também acaba retornando ao espetáculo barulhento e às soluções narrativas previsvisíveis típicas da franquia. Sua emoção é simples, seus personagens não carregam grande densidade e algumas referências funcionam melhor como reconhecimento imediato do que como desenvolvimento dramático.
Nada disso, porém, apaga a beleza inesperada do conjunto. Há uma diferença considerável entre uma franquia que apenas se fantasia de novidade e outra que encontra uma nova razão para existir. Pierre Coffin reconheceu que não queria simplesmente dirigir mais um filme dos Minions e encontrou na Hollywood dos anos 1920 a possibilidade de tornar o projeto interessante novamente. Essa resistência inicial parece ter sido justamente o que salvou o longa da fabricação automática.
“Minions & Monstros” conquista porque não tenta abandonar aquilo que tornou seus protagonistas populares. As babaquices, o humor físico e a linguagem incompreensível permanecem intactos. O que muda é o ambiente ao redor deles, agora construído com afeto, conhecimento e uma admiração verdadeira pela história da sétima arte. É um filme acessível para crianças, divertido para famílias e surpreendentemente recompensador para quem ainda acredita que Hollywood pode olhar para o próprio passado sem transformá-lo apenas em mercadoria nostálgica.
Em uma franquia que parecia condenada a repetir eternamente as mesmas bananas, explosões e criaturas amarelas, surgiu um longa capaz de lembrar que até o produto mais industrial pode carregar algum amor pelo cinema. “Minions & Monstros” não disfarça sua natureza comercial, mas consegue algo muito mais difícil: faz dela uma celebração cinematográfica genuína, divertida e, por vezes, verdadeiramente bonita.