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Mortal Kombat II

Diretor

Simon McQuoid

Gênero

Ação

Elenco

Karl Urban, Lewis Tan, Jessica McNamee

Roteirista

Jeremy Slater

Estúdio

Warner Bros. Pictures

Duração

116 minutos

Data de lançamento

07 de maio de 2026

Os lutadores favoritos, incluindo Johnny Cage, enfrentam-se na batalha final contra o regime sombrio de Shao Kahn que ameaça destruir o Reino da Terra e seus guardiões.

Quando o assunto é adaptação de jogos de videogame para o cinema, o maior desafio parece ser sempre o mesmo: conseguir agregar o aspecto visual, mantendo-o fiel ao material original, a um roteiro capaz de envolver narrativamente um espectador passivo, ao contrário daquele que, jogando, está acostumado a fazer parte da história. São poucos os filmes que conseguiram fazer essa junção com sucesso; o mais comum costuma ser escolher um ou outro. É esse o caso de Mortal Kombat II (ainda mais que o primeiro), que opta por priorizar o aspecto visual, com diversas sequências de lutas mortais, como o próprio título sugere. O lado positivo é que faz isso muito bem, já o lado negativo é que sobra muito pouco para desenvolver qualquer outra coisa. 

A premissa em si parte do mesmo princípio do primeiro Mortal Kombat, guerreiros de uma outra dimensão tomarão controle da Terra se vencerem seus lutadores em 10 torneios, o problema é que já foram 9, então  agora Raiden (Tadanobu Sato) tem a função de encontrar guerreiros da Terra que possam ajudar a defendê-la essa última vez. Para tanto, Mortal Kombat II prefere trazer novos personagens a “reutilizar” os protagonistas do filme anterior, o que introduz personagens como Kitana (Adeline Rudolph), Kano (Josh Lawson) e Johnny Cage (Karl Urban), para citar os mais memoráveis. Em termos de enredo, Kitana é a que mais tem a oferecer, sua trama é uma das únicas que se desenvolvem para além da ação, já os outros dois servem mais como um alívio cômico, principalmente Johnny Cage, e desempenham bem essa função. Num filme com tanta luta e violência, um pouco de humor é sempre bem-vindo. 

Para que o filme possa ser aproveitado, é necessário que desliguemos o cérebro pelas duas horas de sua duração – e isso não é necessariamente um comentário negativo. Mortal Kombat II dedica todo seu esforço para trazer a sensação do jogo aumentada para as telonas: são muitas cores, muitos sons, infinitos golpes e poderes que recebem o tratamento de CGI, mil e uma coreografias de luta e, se isso faz o seu tipo, há pouco do que reclamar. O gore do jogo está presente, e o ritmo é frenético, com uma luta atrás da outra e poucas pausas para diálogos. No que diz respeito ao roteiro, ele é praticamente inexistente. Mesmo nas batalhas, temos tão pouca informação adicional que fica difícil mensurar o que realmente está em jogo. Pessoas morrem e voltam o tempo todo, por que deveríamos nos preocupar com suas vidas? O que significa dizer que a Terra está em perigo? Tudo é levado a um lugar tão abstrato que é muito fácil esquecer as possíveis consequências. 

Até mesmo a subtrama envolvendo um amuleto de imortalidade faz pouco sentido quando paramos para analisar por mais do que alguns minutos (que geralmente é o tempo dado entre um combate e outro). Não há qualquer tipo de profundidade, mas essa não parece ser sequer uma preocupação para o diretor, Simon McQuoid. Mortal Kombat II poderia ser muitas coisas, mas acaba sendo “apenas” duas horas de pancadaria divertida, ainda que seja uma diversão vazia.

Por Júlia Rezende

 

5.5

Houston, temos um problema

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