O Fim da Rua
Diretor
David Robert Mitchell
Gênero
Ação , Aventura , Comédia , Ficção Científica
Elenco
Anne Hathaway, Ewan McGregor, Maisy Estella
Roteirista
David Robert Mitchell
Estúdio
Warner Bros. Pictures
Duração
99 minutos
Data de lançamento
13 de agosto de 2026
Quando se trata de filmes de terror ou filmes com monstros/animais gigantescos, a minha máxima é que esses filmes devem ser, ao menos, divertidos. Exigir lógica, congruência, pode ser um pouco “demais” devido ao lado fantasioso de tudo, e está tudo bem, desde que a história faça sentido dentro das “regras” estabelecidas pela narrativa e faça bom uso desses gigantes. Quando esses elementos estão presentes, a próxima coisa mais importante é a execução; quase sempre, esse gênero de filme acaba sendo trash, filme B, e o que poderia ser apenas divertido acaba caindo no ridículo. Talvez por isso “O Fim da Rua”, novo filme escrito e dirigido por David Robert Mitchell, tenha se destacado tanto: é um filme que, sem grandes explicações mirabolantes, consegue divertir, entreter, sem nunca comprometer sua qualidade de execução. É claro que o elenco tem papel importante nesse sucesso, e até suas duas maiores estrelas reforçam essa característica do filme: as atuações são excelentes porque sabem exatamente os momentos em que não devem levar seus personagens tão a sério, ao mesmo tempo que, quando necessário, entregam performances de maior complexidade.
“O Fim da Rua” é um filme pouco preocupado em se justificar: temos uma breve introdução da família Platt antes que dinossauros comecem a aparecer. Denise (Anne Hathaway) e Greg (Ewan McGregor) são um casal comum, são casados há um bom tempo, têm dois filhos, e algumas rusgas no relacionamento. Eles moram num bairro suburbano num Estados Unidos dos anos 80, se dão bem com alguns vizinhos e outros nem tanto. Num dia qualquer, alguns elementos pré-históricos começam a aparecer no bairro, primeiro algumas plantas, depois alguns animais, até que, de repente, dinossauros andam pelas ruas e logo todo o bairro é transformado numa espécie de pântano pré-histórico. Como isso acontece? Eles não têm muito tempo para questionar, considerando que estão mais ocupados tentando sobreviver. Por algum tempo, “O Fim da Rua” é exatamente o que você pode esperar de um filme que mistura humanos e dinossauros: muito desespero, vidas salvas por um triz – e outras que não têm a mesma sorte. O filme se destaca, no entanto, com suas particularidades inesperadas, sobretudo o humor.
A comédia presente no filme é o seu trunfo, principalmente porque aparece quando você menos espera. Às vezes, o humor está num olhar desconfiado, outras em situações mais escancaradamente engraçadas com os dinossauros (tem uma cena em especial que é impossível de se esquecer, uma situação que certamente nunca fora explorada em filmes de dinossauros antes), mas sempre de forma equilibrada. A família central tem seus clichês, mas os personagens são desenvolvidos com personalidade suficiente para que a gente se apegue a eles e, mais importante, torça por eles enquanto correm de criaturas pré-históricas, mesmo sem saber como sair daquela situação. Talvez o filme pudesse ter se beneficiado de um pouco mais de tempo para explorar o relacionamento do casal, que não ia muito bem, mas confia que a noção de que qualquer um deles poderia ser comido vivo a qualquer momento é o bastante para que voltem a valorizar um ao outro como parceiros e, dentro desse contexto, até dá para acreditar.
David Robert Mitchell compreende muito bem o apelo que criaturas como dinossauros têm para nós, que só as conhecemos através da ficção, e acerta ao entregar algo próximo do que poderia ser a realidade caso tivéssemos que enfrentá-las na vida real. Nenhum dos personagens tem qualquer habilidade impressionante ou alguma conexão especial com os dinossauros, são apenas pessoas comuns fazendo o que podem no meio de uma situação inexplicável e, até então, impossível, o que faz com que seja fácil para nós, como espectadores, nos conectarmos com os personagens. É impressionante ver, primeiro, os dinossauros aparecendo como intrusos num mundo moderno (mais moderno que eles, pelo menos, já que estamos falando dos anos 80), para, aos poucos, os humanos parecerem intrusos em seu lugar, conforme o bairro vai se transformando no habitat natural deles. Quando as situações pedem, os dinossauros são realmente assustadores e a tensão se faz sentir em peso, a comicidade é esquecida por um breve momento, mas depois volta a aparecer quando o momento pede mais leveza. No final, há uma breve “explicação” em relação ao acontecimento, mas quando essa hora chega, o resultado é tão positivo que a justificativa fica em segundo plano.
Por Júlia Rezende