6.5/10

Ponto Sem Retorno

Diretor

Ridley Scott

Gênero

Drama

Elenco

Jacob Elordi, Margaret Qualley, Josh Brolin

Roteirista

Mark L. Smith e Christopher Wilkinson

Estúdio

20th Century Studios

Duração

118 minutos

Data de lançamento

27 de agosto de 2026

Em um mundo devastado por um vírus, poucos sobreviveram. Entre eles está Hig, um piloto que resistiu à epidemia, mas perdeu sua esposa. Agora, os sobreviventes vivem sob ameaça dos Ceifadores, saqueadores que vagam em busca do que sobrou.

Quando um filme de Ridley Scott é anunciado, já podemos esperar uma qualidade técnica ímpar. Seu trabalho é recheado de visuais espetaculares, cenários grandiosos e uma direção primorosa no que diz respeito à estética – com “Ponto Sem Retorno”, não é diferente. Ambientado num futuro próximo e pós-apocalíptico, o filme retrata um mundo ermo, habitado por poucos: algum tipo de vírus apagou o mundo como conhecíamos e deu lugar a essa nova realidade. Não há muitas explicações sobre esse vírus, só vemos evidências físicas de suas consequências e, como fio condutor dessa história, temos Hig (Jacob Elordi), um piloto solitário que criou para si uma rotina que dá algum sentido à sua vida nesse novo mundo. Mesmo com um senso mínimo de estrutura, o que prevalece é a sensação geral de desalento – esse novo mundo é um mundo morto, apagado, solitário porque os pequenos grupos de sobreviventes são poucos e esparsos, mas Hig se apega à possibilidade de que exista, não muito longe de onde ele está, um lugar com a promessa de uma existência melhor, mais agradável, por conta de uma voz que ele ouviu em seu rádio de comunicação uma vez. É o suficiente para que Hig siga em frente, mas não tem o mesmo efeito na narrativa. 

Durante a primeira hora do filme, Ridley Scott não tem pressa para nos apresentar essa nova realidade ou aos personagens. Não há nada de errado em tomar esse cuidado especial para mostrar detalhes e estabelecer o contexto da história; Hig, principalmente, parece ser um personagem rico no que diz respeito à sua história pregressa, que se reflete na relação que tem com seu cachorro. Sobre seu amigo, Bangley (Josh Brolin) temos menos informações, mas logo conseguimos ver como os dois se complementam. A dinâmica entre eles e a compreensão do funcionamento de sua sobrevivência entretém nos minutos iniciais, mas se torna repetitiva muito cedo. Já no primeiro ato, fica evidente um problema de ritmo que acompanha o filme até o final; são muitas cenas contemplativas que não parecem ter muito a dizer – e menos ainda a adicionar à narrativa. Vez ou outra, esse platô é interrompido por uma cena que contém ação no sentido mais tradicional, mas algumas são tão dissonantes que parecem fazer parte de outro filme.

Ao longo do caminho de Hig, outros personagens passam a fazer parte de sua história, em especial Pops (Guy Pearce) e Cima (Margaret Qualley). A partir da chegada dos dois, a história de Hig ganha um novo rumo, com novas possibilidades, e é também o momento em que o filme parece mais vivo, mais interessante, mas não o suficiente para compensar a falta de energia até ali. “Ponto Sem Retorno” não é um “filme de fim de mundo” tradicional, ele não está focado na catástrofe, no desespero da sobrevivência a qualquer custo e sim, no desgaste emocional que uma situação como essa pode causar em quem sobreviveu. É uma perspectiva instigante, a ideia de um mundo que não luta para voltar a ser o que era antes, mas que apenas se adapta às novas condições. Em muitos momentos, “Ponto Sem Retorno” lembra produções como “The Last of Us”, principalmente nos cenários e na trilha sonora, mas a série ainda tem um senso de urgência, com o vírus como uma constante ameaça, enquanto no filme de Ridley Scott isso parece já ter sido superado – e o resultado é um filme também sem ímpeto. Tecnicamente, há pouco – senão quase nada – do que se reclamar. As atuações também são consistentes, como já era de se esperar. É um filme que tenta nos convencer, através de imagens, do estado do mundo, em vez de nos fazer senti-lo. 

 

Por Júlia Rezende

6

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