Pressão
Diretor
Anthony Maras
Gênero
Drama
Elenco
Andrew Scott, Brendan Fraser, Kerry Condon
Roteirista
Anthony Maras
Estúdio
Universal Pictures
Duração
100 minutos
Data de lançamento
27 de agosto de 2026
É fácil entender o apelo que filmes de guerra têm. É ação, drama, suspense, tudo num só. Acompanhar um soldado ou um grupo deles lutar pela sua nação ou, ao menos, por sua própria vida é algo emocionante, chama atenção. Um filme sobre os bastidores da guerra, no entanto, enfrenta maiores desafios, principalmente quando o foco é a estratégia, as tecnicalidades e não a ação em campo. Numa guerra, estratégia é tão importante (senão mais) quanto o combate em si, mas quase nunca vira ponto central de grandes produções do audiovisual, mais um motivo que torna “Pressão”, dirigido por Anthony Maras, um filme especial. Ele não só nos coloca nesses bastidores como consegue passar uma tensão latente sem precisar de grandes subterfúgios – uma prova concreta de que qualquer assunto pode virar um bom filme, desde que a história seja bem contada.
Há muitas obras sobre a Segunda Guerra Mundial e como ela chegou ao fim com uma vitória dos Aliados. É de conhecimento geral a importância do Dia D, quando os Aliados retomaram o controle sobre a França através da região da Normandia, mas enquanto a gente conhece o lado da ação, houve diversos fatores essenciais que influenciaram esse resultado; o principal deles foi o clima. Antes do famigerado Dia D, os generais Aliados fizeram um teste conhecido como Operação Tiger que foi um verdadeiro fracasso em todos os sentidos, com centenas e centenas de mortes. Uma catástrofe como essa serviu, ao menos, para alertá-los sobre a necessidade de ajustes e, sobretudo, controle da situação. Um dos cabeças da operação é o general estadunidense Eisenhower (Brendan Fraser), que passou a ter esse controle como sua grande obsessão – quando o Dia D enfim chegasse, tudo deveria estar pronto e perfeito, como uma máquina, pelo menos até onde fosse possível. É nesse contexto que o Capitão James Stagg (Andrew Scott) entra em cena. Ele é um especialista em meteorologia e comanda uma equipe de meteorologistas cuja função é determinar, através de dados, se o Dia D poderá ser colocado em prática na data esperada. O clima provavelmente não tem um papel tão essencial na maioria das guerras, mas especificamente na invasão à Normandia, ele se tornou um elemento chave: as ondas não podiam ultrapassar uma altura específica para que os navios Aliados pudessem chegar à faixa de areia, as nuvens não poderiam estar tão carregadas que os aviões não pudesse alçar voo. Um bom clima, que levaria a uma boa visibilidade, era, portanto, um fator decisivo.
O filme foca nas 72 horas anteriores ao Dia D. Acompanhamos a chegada do Capitão Stagg, o trabalho preciso de seu time de meteorologistas e os momentos decisivos de Eisenhower, enquanto temos vislumbres dos soldados em campo, como um lembrete de tudo que está em jogo. É um filme que impressiona por sua objetividade, sem perder a sensação de espetáculo. Até vemos um pouco da vida pessoal de Stagg, mais para entender seu lado mais “rude”, mas quase nunca desviamos do assunto central; o trabalho dos meteorologistas é extremamente técnico; hoje em dia há diversos instrumentos tecnológicos que permitem uma previsão do tempo computadorizada, mas naquela época tudo dependia de um trabalho árduo e minucioso, cruzando dados com outros meteorologistas de outras partes do mundo e, principalmente, confiando na expertise de profissionais como o Capitão Stagg. Todo esse processo poderia parecer maçante, não fosse pela habilidade de Anthony Maras de transformar tudo isso numa situação de vida ou morte. Mesmo quando os personagens estão dentro de um escritório e longe dos campos de batalha, com termos complicados demais para serem compreendidos por inteiro, a tensão paira no ar e entendemos tudo que está em jogo. Parte desse mérito vem de atuações consistentes e equilibradas de todo o elenco, com destaque para Andrew Scott.
Por Júlia Rezende