Supergirl
Diretor
Craig Gillespie
Gênero
Ação
Elenco
Milly Alcock, David Corenswet, Eve Ridley
Roteirista
Ana Nogueira
Estúdio
DC Studios
Duração
107 minutos
Data de lançamento
25 de junho de 2026
Enquanto a nova fase da DC, sob o comando de James Gunn, segue dando seus primeiros passos, dessa vez introduzindo a prima de Clark Kent, Kara Zor-El, mais conhecida pelo público como Supergirl. Milly Alcock já tinha aparecido como Supergirl nos momentos finais de Superman, mas agora ganha um filme inteiro para chamar de seu. Talvez um dos maiores desafios de Supergirl, durante esse começo, seja torná-la relevante de forma independente, tirá-la de uma potencial sombra de Superman, que é inevitavelmente um personagem mais popular e tradicional da DC. O filme até evoca sua presença, outra coisa inevitável, mas deixa os dois afastados fisicamente para que Kara tenha mais oportunidade de mostrar sua personalidade – algo que ela tem de sobra.
Nesse momento em que os filmes de super-heróis ainda lutam para retomar o status que tinham uma década atrás, ainda é arriscado lançar novos personagens – ou aprofundar personagens “antigos”, como é o caso aqui. “Supergirl” sofrerá em dobro por ter como protagonista uma mulher, mesmo que seja uma protagonista muito bem construída. Filmes com protagonistas femininas, no geral, já sofrem cobranças muito além do comum para filmes com protagonistas masculinos e, quando falamos do subgênero de super-heróis, a exigência é infinitamente maior. “Supergirl” é um bom filme de super-herói, preenche todos os requisitos: história de origem, trauma, um motivo para lutar, um vilão inescrupuloso como antagonista, grandes cenas de ação, e por aí vai. Acontece que Kara Zor-El tinha potencial para muito mais além de um “bom filme”.
Diferente do primo certinho e tradicional, Kara é um fio desencapado. Apesar dos poderes (que dependem de um sol amarelo), Kara está longe de agir como uma super-heroína; ela é imprevisível, inconsequente, está sempre enchendo a cara nos bares e se metendo em brigas. É um comportamento mais próximo do anti-herói, sem uma real intenção de ser uma salvadora. Ela é uma jovem sem perspectiva, apenas levando um dia após o outro, mas há nela um carisma que impede que a personagem seja apenas triste ou desesperançosa, desde o princípio dá para notar que há nela muitas outras camadas. É um tipo relativamente incomum até mesmo para os super-heróis masculinos. No que diz respeito ao desenvolvimento dessa personagem e de sua jornada para ir de anti-heroína para super-heroína, o roteiro de Ana Nogueira, junto com a atuação de Milly Alcock, faz um bom trabalho. Kara Zor-El é uma personagem crível e complexamente humana, e traz essa narrativa extraterrestre para mais perto do público.
A trama de Kara está diretamente ligada ao cachorrinho Krypto e uma criança que busca vingança por sua família. Essa criança, Ruthye (Eve Ridley), tem um papel-chave na narrativa de Supergirl, é através dela que o enredo se desenvolve ao mesmo tempo em que ela funciona como um espelho para a própria Kara, que é obrigada a encarar suas próprias falhas enquanto interage com a menina. A relação delas é o ponto mais sensível do filme e convida o público a conhecer outros lados de Kara. Falando em personagens secundários, temos um Jason Momoa absolutamente radiante como Lobo – radiante porque o ator claramente está se divertindo com o papel, o que acaba combinando muito bem com a personalidade do personagem, que também acaba servindo como alívio cômico. Já o vilão, Krem (Matthias Schoenaerts), é mais raso e menos interessante, falta-lhe uma motivação mais profunda e convincente, algo que ajudasse a construir a história e levá-la adiante em vez de ser apenas uma pedra no caminho da protagonista.
“Supergirl” faz tudo que um filme tradicional de super-herói deve fazer, mas por que se contentar com um enredo convencional quando tem em mãos uma protagonista que é o oposto disso? Era uma ótima oportunidade para contar uma história disruptiva, ou ao menos um tanto mais ousada, que acompanhasse melhor a Supergirl em si. É compreensível que, por já ter uma protagonista feminina, o estúdio tenha optado pelas escolhas mais “seguras” nos outros aspectos, mas essa decisão pode ser justamente o que impeça o filme de ter o sucesso que a protagonista merecia. É importante ressaltar, no entanto, que como personagem, Kara Zor-El é muito bem feita e uma ótima adição a essa nova fase da DC e mesmo com um filme que não alcança todo o seu potencial, tem o necessário para fazer com que o público se anime para o que a personagem ainda tem a mostrar.
Por Júlia Rezende