6.0/10

Pânico 7

Diretor

Kevin Williamson

Gênero

Terror

Elenco

Neve Campbell, Courteney Cox, Isabel May

Roteirista

Kevin Williamson, Guy Busick e James Vanderbilt

Estúdio

Paramount

Duração

114 minutos

Data de lançamento

26 de fevereiro de 2026

Quando um novo Ghostface surge na pacata cidade onde Sidney Prescott reconstruiu sua vida, seus medos mais sombrios se tornam reais enquanto sua filha se torna o próximo alvo do assassino.

Uma franquia de terror (ou de qualquer gênero, na verdade) alcançar seus 30 anos com 7 filmes é, no mínimo, respeitável. Esse prestígio aumenta quando consideramos que, dentre os primeiros 6 filmes lançados, nenhum foi considerado um fracasso – pela crítica, pelo público ou (o mais relevante para os produtores) pela bilheteria. Até mesmo quando mudaram o rumo da saga, numa espécie de reboot com o Pânico V, o resultado foi positivo e uma nova dose de energia foi injetada na franquia. O problema é que apesar das vezes em que saiu ganhando mesmo contra as probabilidades, Pânico não é simplesmente à prova de balas, e os acontecimentos que precederam a produção da sétima sequência claramente tiveram consequências negativas no produto final. Enquanto o caminho traçado pelas irmãs Carpenter em Pânico V e Pânico VI renovaram a franquia com novos ares e novos personagens sem nunca perder o toque de nostalgia, Pânico 7 e sua tentativa de “retornar às raízes” escancara as fragilidades de uma franquia com tamanha longevidade, principalmente quando elege, mais uma vez, Sidney Prescott como protagonista e deixa que toda a trama seja, pela milésima vez, às custas de seu sofrimento. Tudo bem que ela sempre ganha, mas Sidney simplesmente nunca terá paz?

Depois da saída dos diretores mais recentes, Kevin Williamson foi recrutado para comandar a nova sequência. Ele foi o responsável pelos roteiros de Pânico 1, 2 e 4, mas agora atua também como diretor, pela primeira vez. A cena de abertura, um dos pontos altos e mais aguardados de qualquer um dos filmes, é extremamente promissora: um casal aluga a casa de Stu Macher (um dos Ghostfaces do primeiro filme, que foi dado como morto) que agora virou uma espécie de ponto turístico para fãs da franquia meta Facada. Cada canto da casa é decorado com a memorabília dos filmes, assim como dos crimes reais que inspiraram o filme. A abertura funciona perfeitamente dentro do contexto da franquia de Pânico, com as doses certas de tensão, gore e metalinguagem, mas quando a trama enfim começa, vemos que a criatividade não acompanhará o restante do filme. Com o retorno de Sidney como protagonista, as possibilidades são imediatamente diminuídas, nós acompanhamos a vida de Sidney pelas últimas décadas e tem pouco sobre a personagem que ainda não conhecemos. Junto com Sidney vem Tatum (Isabel May), sua filha mais velha, com 17 anos, o que causa estranheza considerando que ela nunca fora mencionada em Pânico 4, quando temos um vislumbre da família de Sidney. Esse é apenas um dos fatos que parecem improvisados em Pânico 7 e, sinceramente, é o menos relevante.

A introdução de Tatum (nome dado em homenagem à amiga de Sidney que foi uma das vítimas no Pânico original) é feita de forma divertida e inteligente, replicando a introdução da própria Sidney 30 anos atrás, ela tem até um namorado (Sam Rechner) de comportamento meio suspeito para chamar de seu. Além de Tatum, a trama também apresenta alguns novos personagens, que devem se tornar suspeitos de serem os novos Ghostfaces – nenhum realmente marcante e traz de volta alguns personagens já conhecidos, um que acreditávamos estar morto e a veterana Gale Weathers, cuja entrada triunfal se torna um dos pontos altos do filme. Gale traz também os gêmeos Mindy (Jasmin Savoy Brown) e Chad (Mason Gooding), os únicos remanescentes dos últimos dois filmes. As irmãs Carpenters nem sequer são mencionadas, as únicas menções aos acontecimentos de Nova York vêm de Gale, que diz ter sentido a falta de Sidney, mas que ela se livrou de uma. A participação de Mindy e Chad, ambos trabalhando para Gale, é bem-vinda e são alguns dos alívios cômicos do filme, mas poderiam ter sido mais bem aproveitados, principalmente Mindy que aspira se tornar uma jornalista. 

Dentro das possibilidades, ignorar a prévia existência das irmãs Carpenters parece ser, de fato, a melhor opção, mas com elas fora de cena e com todas as baixas que já ocorrem em relação aos personagens “legado”, Kevin Williamson é obrigado a trabalhar com os novatos para desenvolver a trama e, mais importante, as mortes. O problema é que nenhum desses novos personagens tem muito carisma ou se mostram interessantes o suficiente para que nos importemos com eles. As mortes tem bastante gore, mesmo quando são menos inspiradas e algumas são definitivamente criativas, mas muitas vezes a tensão e o medo ficam em segundo plano. É quando se fala da revelação dos assassinos, no entanto, que Pânico 7 realmente deixa a desejar. As motivações são rasas e beiram o absurdo, transformando a revelação, que é sempre o momento mais esperado, em um momento de frustração. Será que Pânico é tão grande que se basta, tanto que a identidade do Ghostface deixa de ser um ponto-chave para o enredo? A introdução de Tatum, que além do sobrenome demonstra ter também a resiliência de Sidney, escancara a tentativa de entregar a tocha de Pânico para uma nova geração, mas parece impossível colocar a filha de Sidney como protagonista sem voltar a envolver Sidney em toda a luta por sobrevivência. Enquanto Pânico VI fez um ótimo trabalho em mostrar um futuro sem Sidney, Pânico 7 volta a colocar esse futuro em xeque – um movimento no mínimo arriscado para uma franquia que parece estar esgotando todos os recursos para se reinventar. 

 

Por Júlia Rezende

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