7,8/10

Marty Supreme

Diretor

Josh Safdie

Gênero

Ação , Drama

Elenco

Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Odessa A'zion

Roteirista

Josh Safdie, Ronald Bronstein

Estúdio

Diamond Films

Duração

149 minutos

Data de lançamento

22 de janeiro de 2026

Timothée Chalamet vive um jovem que sonha alto e embarca em uma jornada frenética, de Nova York a Tóquio, em busca da grandeza.

Há filmes que usam um esporte como vitrine; Marty Supreme faz o contrário: usa o esporte como disfarce. O pingue-pongue aparece, claro — com sua coreografia de reflexos e sua elegância quase absurda —, mas a mesa é só a superfície. O que se joga ali, de verdade, é a velha guerra entre ambição e responsabilidade: o desejo de “virar alguém” contra o peso prosaico de continuar sendo “alguém” para os outros. E é justamente nessa troca — seca, rápida, às vezes cruel — que o filme encontra o tipo de densidade que costuma empurrar obras improváveis para o território das grandes premiações.

Josh Safdie dirige como quem não aceita o conforto de uma narrativa que se acomoda. O filme pulsa, tropeça, acelera, volta com mais força; parece sempre à beira de desandar — e essa beira é o seu habitat natural. Há uma esperteza rara em transformar uma história de ascensão numa travessia emocional: não se trata de turismo de cenários, mas de um percurso de desgaste. A jornada importa porque cobra. Cada vitória vem com juros; cada derrota, com uma conta moral. A ambição, aqui, não é pintada como virtude inspiradora nem como vício caricatural: é um motor que move e destrói na mesma medida, e o roteiro sabe explorar essa ambiguidade sem precisar sublinhar lições.

No centro, Timothée Chalamet entrega uma atuação que não pede licença — invade. Ele convence pela intensidade e, mais importante, pela capacidade de nos fazer acreditar no delírio como método: o olhar que dispara, a fala que atropela, a euforia que vira desespero sem aviso. O personagem é maior do que a sala, maior do que a quadra, maior até do que a própria história — e isso poderia ser um defeito; aqui, vira linguagem. É como se o filme dissesse, com uma franqueza quase indecente, que o mundo inteiro é cenário quando alguém está disposto a apostar tudo em si mesmo. Não surpreende que o restante do elenco orbite, em muitos momentos, como satélite: não por falta de competência, mas porque a encenação escolhe o desequilíbrio como regra do jogo.

E é nessa escolha que mora a “magia” menos romântica — e mais cinematográfica — de Marty Supreme: fazer o espectador continuar, não pela curiosidade do placar, mas pelo vício de acompanhar uma combustão humana. O filme sabe que superação, no cinema, não é levantar e vencer; é cair de um jeito que revele caráter. Ao final, fica a impressão de ter assistido a uma fábula moderna sobre sonhos que exigem maturidade para não virarem só ego — e sobre responsabilidades que, quando encaradas de frente, também podem ser uma forma de grandeza. Pingue-pongue é o pretexto. O impacto vem do que se arrisca fora da mesa.

9

Missão cumprida

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