Dia D
Diretor
Steven Spielberg
Gênero
Drama , Ficção Científica
Elenco
Emily Blunt, Josh O'Connor, Colin Firth
Roteirista
David Koepp
Estúdio
Universal Pictures
Duração
145 minutos
Data de lançamento
10 de junho de 2026
Quando falamos de alienígenas na ficção, eles geralmente representam uma ameaça, mas quase nunca é assim nos filmes de Spielberg. É natural ter medo do desconhecido, mas a grande questão é que o desconhecido pode resultar em algo positivo ou negativo – depende de cada um decidir se vale ou não assumir o risco. Em “Dia D”, a trama é mais sobre essa decisão do que sobre os alienígenas em si. É um tipo de narrativa que parece estar voltando a fazer parte de Hollywood aos poucos, mas vê-la pelas mãos de Steven Spielberg é um grande presente para os fãs de cinema. Poucos cineastas têm a destreza e a sensibilidade de Spielberg para contar histórias grandiosas, mesmo quando a trama em si não é tão “impressionante” – “Dia D” é o exemplo perfeito disso. Hoje em dia, o público está acostumado com histórias rápidas e de impactos óbvios, um filme tem que ter tramas complexas com um grande plot twist para valer a pena, enquanto histórias que prezam por desenvolver personagens ou retratar sentimentos são consideradas “arrastadas”. Esse pode ser o novo “status quo” na era dos vídeos verticais de menos de 3 minutos, mas não significa que não há mais espaço para os filmes como conhecemos; Spielberg vem para provar que a arte do cinema segue viva e resistente.
A trama de “Dia D” é surpreendente por fugir dos caminhos de sempre para falar de alienígenas. Desde o princípio sabemos, como público, que eles existem. No filme, no entanto, isso ainda é informação classificada e há o embate entre dois grupos: um encabeçado por Noah Scanlon (Colin Firth), que trabalha numa ONG que acumula décadas de arquivos e provas desses aliens e tem todos os esquemas de segurança para manter tudo isso em segredo e, do outro lado, um grupo que quer dividir tudo isso com a população mundial, encabeçado por Hugo Wakefield (Colman Domingo). O filme já começa com a trama em andamento, Daniel (Josh O’Connor) está em posse de um artefato que o grupo de Noah quer resgatar, mas ele está trabalhando com Hugo, que tem um projeto secreto em andamento. Para conseguir colocar as mãos no objeto, Noah sequestrou a namorada de Daniel, Jane (Eve Hewson) e agora Daniel tenta dar um jeito de se livrar de Noah, mas com o objeto e Jane ao seu lado. O filme não perde tempo com explicações ou histórias pregressas, ele nos joga direto na ação, mas é fácil se situar em pouco tempo.
Correndo paralelamente, temos a trama de Margaret Fairchild (Emily Blunt), uma moça do tempo que trabalha arduamente para se tornar âncora do jornal local. Sua vida parece absolutamente ordinária, até o momento em que um pardal posa na mesa de sua casa e, de repente, sua vida muda completamente. A performance de Emily Blunt é excepcional, sua personagem passa por situações extremamente incomuns e desafiadoras, que exigem um alcance impressionante de emoções, e Emily passa por todas elas com uma naturalidade e elegância que já lhe são características, mesmo em cenas que pesam um pouco mais no melodrama. “Dia D” é um filme emocionante por definição e muitos elementos contribuem para essa sensibilidade, como os close-ups, a trilha sonora marcante de John Williams e até mesmo toda a simbologia, mas Spielberg ainda reserva um espaço importante para a ação, com algumas sequências capazes de induzir ansiedade, muito bem montadas.
“Dia D” tem a qualidade de filmes grandiosos e é muito fácil perceber a paixão do diretor por essa arte em cada cena, em cada desdobramento. Acima de qualquer outra coisa, “Dia D” quer focar na humanidade e na capacidade humana de se deslumbrar – seja com alienígenas ou com filmes; melhor ainda: ele acredita piamente nessa capacidade, mesmo quando muitas evidências apontam para o contrário. É Steven Spielberg fazendo o que faz de melhor, com elementos que ele sabe trabalhar como ninguém. O filme não tem qualquer pretensão de reinventar, conceitualmente, a imagem que temos dos alienígenas – inclusive, ele parece querer reforçar a ideia de que, talvez, a gente já saiba muita coisa sobre esses seres. Não é um filme de grandes reviravoltas (as que existem não são realmente surpreendentes), é um filme de mensagem, de estímulos e de alma, que deixa sua narrativa ecoar através da própria existência. Indo diretamente contra o cinismo, Steven Spielberg nos convida a ver o mundo com olhos mais otimistas e esperançosos e, para isso, faz um filme pautado exatamente nessas ideias.
Por Júlia Rezende