7.1/10

Hit para Dois

Diretor

John Carney

Gênero

Comédia , Drama

Elenco

Paul Rudd, Nick Jonas, Peter McDonald

Roteirista

John Carney e Peter McDonald

Estúdio

Diamond Films

Duração

98 minutos

Data de lançamento

11 de junho de 2026

Uma história musical inspiradora sobre uma cantora de casamentos, uma estrela do rock e a música que se interpõe entre elas.

O diretor e roteirista John Carney sempre tem a música como força motriz de suas histórias – quase sempre a música E a Escócia. O diferencial é a forma como John Carney traz essa temática, sua relação com a música é muito mais profunda do que apenas um meio para alcançar a fama, “Hit para Dois”, inclusive, é um dos poucos filmes do diretor que retrata uma fama “grandiosa”, mas está longe de ser o ponto central do filme. O poder da música como forma de expressar sentimentos, como você se apresenta para o mundo e, principalmente, como uma declaração de amor, parecem ser assuntos mais interessantes para Carney e é isso que vemos em “Hit para Dois”, ainda que seja o filme mais “mainstream” do diretor até agora. 

Nessa história, o protagonista é um tipo de personagem familiar, Rick Power (Paul Rudd) é o vocalista de uma banda de casamento, mas seu sonho sempre foi maior que isso. Ele também é compositor e sempre esperou o momento em que o mundo descobriria e aproveitaria o seu talento, mas a realidade é muito diferente; quando ele dá um jeito de cantar uma música autoral nos casamentos, a recepção nunca é muito calorosa. Os membros da banda, com exceção de seu melhor amigo Sandy (Peter McDonald, que também colaborou com o roteiro), tratam a banda simplesmente pelo que é: um trabalho. Para Rick, no entanto, estar no palco significa muito mais do que isso, o que acaba gerando conflito entre eles de vez em quando. Se dependesse unicamente da vontade de Rick, ele provavelmente estaria por aí, com seu violão nas costas, tentando levar a vida como um artista independente, mas ficar na Escócia, mesmo sendo americano, e cantar na banda de casamento é algo necessário para que ele possa manter a única coisa que ele ama mais do que a música: sua família, a esposa Rachel (Marcella Plunkett) e a filha adolescente Aja (Beth Fallon). 

Em um dos casamentos em que Rick toca com a banda, ele conhece Danny Wilson (Nick Jonas), um dos convidados do casamento que também tem uma relação especial com a música. Danny já fez parte de uma boy band e agora luta para se manter relevante e emplacar uma carreira solo. Por um acaso, Rick e Danny acabam se dando bem e passam uma noite bebendo, conversando sobre a vida e trocando experiências sobre música e composição. Apesar dos dois serem de mundos diferentes e, de certa forma, Danny representar muito do que Rick gostaria de ter (reconhecimento e uma carreira), Rick fica impressionado com o quanto os dois tinham em comum, unidos pelo amor à música. Teria sido a experiência perfeita se, meses depois, Rick não ouvisse no rádio os versos de uma música que havia compartilhado com Danny naquela noite; uma música que Rick confidenciou estar tentando terminar de escrever há anos. 

A disputa entre Rick e Danny sobre a autoria da música, principalmente o Danny lentamente enlouquecendo por não conseguir receber os créditos pela composição e poucas pessoas ao seu redor acreditando nele, é a grande trama em “Hit para Dois”. Rick passou anos tentando emplacar um sucesso, fazer com que as outras pessoas pudessem apreciar sua música tanto quanto ele, mas bastou poucos meses para que Danny pegasse sua composição e fizesse dela o seu maior sucesso, um símbolo direto de sua reentrada na indústria da música. Há muitas camadas na relação de Rick com Danny, com a música e com a família, e todas elas estão interligadas de uma forma ou de outra. O filme tem seus melhores momentos quando foca nesse turbilhão de emoções que passam por Rick e nos mostra até onde ele está disposto a ir para “resolver” a situação. 

O humor é muito presente durante toda a história, sobretudo nas situações em que Rick se mete junto com Sandy, e combina bem com o clima geral do filme, mas o espaço para o drama e situações com maior carga emocional também são garantidos. Tanto Paul Rudd quanto Nick Jonas sabem transitar bem entre essas nuances, seus personagens são pessoas muito diferentes entre si, mas se encontram em pontos comuns quando o assunto é música e os dois atores acessam esse lugar com uma facilidade natural e têm química suficiente para que as motivações de ambos possam ser compreendidas pelo espectador. À primeira vista, pode parecer que Danny foi apenas um “ladrão” e o único errado na situação, mas existem muitas nuances que fazem com que esse tipo de conclusão não seja assim tão simples.

Por mais que tenhamos um Rick muito bem desenvolvido, como uma pessoa completa e multidimensional, esse mesmo tratamento fica em falta quando falamos dos demais personagens, até mesmo Danny. Em relação aos filmes anteriores de John Carney (há, inclusive, uma referência ótima a “Once – Apenas uma Vez”, o melhor filme do cineasta na minha opinião), “Hit para Dois” é um tanto mais superficial, dependendo de momentos-chave, como no terceiro ato, para passar sua mensagem, mas mesmo sem a complexidade, é um filme que conquista pelo carisma dos protagonistas, as considerações a respeito da música e pelo final arrebatador. 

 

Por Júlia Rezende

7

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