A SUSPEITA | SUSPENSE COM GLORIA PIRES NÃO É TUDO QUE PODERIA SER

É sempre bom ver um filme nacional fugindo da mesmice e dos padrões que a própria indústria cinematográfica acabou impondo a si mesma nos últimos anos. “A Suspeita” não é uma comédia nem um filme de ação policial, mas nem por isso escapa dos clichês.

A premissa é bem original (apesar do filme recém-lançado “Assassino Sem Rastro” com Liam Neeson ter uma grande similaridade) e interessante, Lúcia (Gloria Pires) é uma comissária da polícia civil do Rio de Janeiro, sempre muito dedicada ao trabalho, tem suas habilidades colocadas em xeque por conta do Alzheimer que a acomete.

Dirigido por Pedro Peregrino em sua estreia na direção de longas-metragens, o filme vai mais para o campo do suspense investigativo, principalmente por conta dos lapsos de memória causados pela doença e que modificaram a forma da protagonista de levar a vida e o trabalho. Lúcia poderia ser uma personagem complexa com suas questões, ela é uma mulher solteira, independente, que sempre colocou seu trabalho em primeiro lugar (e é muito bem-sucedida nisso) e nunca reservou um tempo para si mesma, por esse motivo poderia ter sido mais explorado o peso de uma doença como o Alzheimer em sua vida, mas apesar das cenas que evidenciam esses sintomas, Lúcia acaba caindo na mesmice.

A confusão e esquecimento de Lúcia criam um mistério acerca de um crime presenciado por ela e pelo qual ela mesma acaba se tornando suspeita. Pelas mãos de Pedro Peregrino, algumas cenas são bem articuladas para nos inserir no mundo de Lúcia e nos passar as mesmas impressões que a personagem tem, o suspense tem potencial, mas o roteiro toma as decisões mais seguras e menos arriscadas, seguindo clichês, sobretudo dos suspenses policiais americanos, tirando um pouco o brilho da história.

Gloria Pires continua sendo Gloria Pires, trazendo toda super expertise e alma de artista para fazer uma belíssima atuação, que lhe rendeu um Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Gramado. É ela o maior motivo para se assistir “A Suspeita”, ajudando no desenvolvimento da personagem.

Quando se trata do enredo, é aí que estão os maiores deslizes do filme. Assim como a personalidade Lúcia, todos os possíveis mistérios são previsíveis e até as tentativas de reviravoltas não entregam o que deveriam. Ao contrário da premissa, nada é original quando vamos para a trama de fato, causando uma certa monotonia presente durante toda a história, tanto no conteúdo quanto na forma.