AGATHA CHRISTIE NO CINEMA: UM LEGADO PARA O GÊNERO DE MISTÉRIO

Agatha Christie, a “Rainha do Mistério”, é uma das autoras mais prolíficas e populares da literatura policial. Seus romances intricados e suas habilidades em criar enredos repletos de reviravoltas surpreendentes cativaram leitores por gerações. Além do sucesso literário, as histórias de Christie encontraram um lar no cinema, onde várias adaptações foram produzidas ao longo das décadas.

Seus enredos enganosos, personagens complexos e finais inesperados continuam a inspirar novas gerações de cineastas e escritores de mistério. Suas obras reúnem elementos chave, como: um local, um ou mais assassinatos, um grupo de pessoas que se tornam suspeitas e, claro, um detetive para resolver o mistério. Filmes mais recentes como “Entre Facas e Segredos” (2019) e “Mistério no Mediterrâneo” (2019), usam muito do estilo de Agatha Christie.

Conheça um pouco mais sobre o seu impacto nas telonas, desde os filmes da Era de Ouro de Hollywood até as produções contemporâneas.

A ERA DE OURO DAS ADAPTAÇÕES

Nos anos 1920, estreou o primeiro filme baseado em um livro da autora, chamado “The Passing of Mr. Quin”. Considerado raro, o longa adapta o conto de The Coming of Mr. Quin. Em 1931, estreou o primeiro filme com o detetive Hercule Poirot, chamado “Alibi”, que foi estrelado pelo ator Austin Trevor.

A Era de Ouro de Hollywood viu as primeiras adaptações das obras de Agatha Christie ganharem vida nas telonas. Filmes como “Assassinato no Expresso Oriente” (1974) e “Morte no Nilo” (1978), estrelados por Albert Finney como o icônico detetive belga, Hercule Poirot, conquistaram crítica e público.

No entanto, o personagem mais adaptado de Christie é a astuta Miss Marple. Margaret Rutherford e Angela Lansbury foram duas das atrizes que interpretaram a detetive amadora. Os cinco filmes estrelados por Rutherford aconteceram durante a década de 1960, como “O Mistério do Penhasco” (1961), trouxeram um toque de humor às adaptações.

HERCULE POIROT NA TV E OUTRAS PRODUÇÕES

A série de TV britânica “Agatha Christie’s Poirot” (1989-2013) protagonizada por David Suchet como o detetive, tinha como objetivo adaptar todos os romances da escritora. A série cativou espectadores em todo o mundo por mais de duas décadas e segundo muitos críticos, a caracterização de Suchet é considerada a mais precisa de todos os atores que fizeram Hercule Poirot.

Em 2017, houve a primeira (grande) adaptação mais contemporânea de uma obra de Christie, chamada “A Casa Torta”, estrelado por Glenn Close. A diferença é que nesta obra, o detetive responsável pela investigação é Charles Hayward, interpretado por Max Irons.

Além disso, produções de outros países também fizeram suas versões dos clássicos da escritora. O filme francês “Le Gran Alibi” (2008) é inspirado no livro “A Mansão Hollow”, de 1946. E também o filme indiano “Chorabali” (2016), que é inspirado no livro Cards on the Table, de 1936.

OS FILMES DE KENNETH BRANAGH

O diretor e ator Kenneth Branagh tem como plano construir um universo compartilhado com as obras de Agatha Christie.

A primeira adaptação foi “Assassinato no Expresso Oriente” (2017), dirigido e estrelado por Branagh como detetive bigodudo Hercule Poirot. Uma das histórias mais conhecidas e amada da escritora. A nova adaptação trouxe a história clássica conhecida, que manteve as reviravoltas. Além disso, contou com grande nomes no elenco, como Judi Dench, Michelle Pfeiffer, Willem Dafoe, Penélope Cruz, entre outros.

Já o segundo longa “Morte no Nilo” (2022) que teve críticas mistas, mas ainda seguiu fielmente a história do livro. O filme tem problemas com os seus efeitos visuais e polêmicas no elenco principal, como o ator Armie Hammer que foi acusado por abuso sexual na época do lançamento do filme. Kenneth trouxe algo novo para a história a contar sobre a juventude de Hercule Poirot, destacando os seus traumas e cicatrizes, que mesmo não sendo abordado na obra original, ajudam na bagagem dramática do personagem para o cinema.

E por último, neste mês de setembro de 2023, estreou “A Noite das Bruxas“, a nova adaptação de Branagh, que é o mais fraco dentre os três. Neste filme, ele opta por não seguir a história do livro, usando apenas alguns recursos da obra. Entre as mudanças mais radicais estão: a estrutura da narrativa, que segue uma temática voltada para o terror sobrenatural; e a mudança da personagem Joyce Reynolds, que no filme é uma vidente de meia idade interpretado por Michelle Yeoh, e no livro, Joyce é uma menina de 13 anos que adora inventar histórias e isso acaba custando sua vida.

Kenneth Branagh gosta muito das obras da escritora e essas mudanças bruscas no enredo podem ser uma estratégia de trazer algo novo para o público ou até uma manobra para conseguir manter a franquia que ainda é vista como algo mediano, mas interessante.

O LEGADO DA RAINHA DO MISTÉRIO

O legado de Agatha Christie é verdadeiramente duradouro e significativo. Como a “Rainha do Mistério”, ela não apenas definiu o gênero policial como o conhecemos hoje, mas também inspirou gerações de escritores, cineastas e amantes dos livros de investigação.

Sua habilidade em criar enredos inteligentes, cheio de puzzles, personagens memoráveis e reviravoltas surpreendentes continua a ser uma fonte inesgotável de influência, deixando um legado na cultura popular.

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