ASSASSINO SEM RASTRO | APESAR DE TER POTENCIAL, NOVO FILME DE LIAM NEESON NÃO TEM NADA DE ESPECIAL

Liam Neeson é um ator de muito talento e versatilidade, tendo até mesmo uma indicação ao Oscar por seu papel no clássico e renomado “A Lista de Schindler”. Recentemente, no entanto, ele parece ter encarnado um só tipo de personagem: um homem de meia idade que passa por algum tipo de tragédia e é obrigado a partir em sequências de ação em busca de vingança ou justiça. É isso que acontece em “Assassino Sem Rastro”, mas com um agravante: seu personagem tem Alzheimer. Infelizmente não é tão interessante quanto parece.

Dessa vez Liam Neeson não é um herói, ele é um assassino de aluguel, mas também não é nenhum monstro e tem seus limites, afinal de contas quando ele recebe seu último trabalho, em que deveria matar 2 pessoas para encobrir um esquema de tráfico sexual infantil e conseguir recuperar um pen drive de uma delas, ele se recusa quando descobre que uma das vítimas seria uma garota de apenas 14 anos que vinha sendo traficada pelo próprio pai. Alex Lewis não mata crianças, então ele fica com o pen drive para ele como garantia e ainda dá um jeito de colocar o FBI na cola dos bandidos.

O Alzheimer de Lewis não é muito aprofundado, assim como todas as outras grandes questões da trama. Além do assassino de aluguel, o foco também está na equipe de detetives do FBI liderada por Vincent Serra (Guy Pierce), o que nem sempre se prova uma boa ideia para a narrativa, apesar de contar com bons atores. Enquanto Lewis se recusa a matar crianças, ele não tem qualquer tipo de reserva para assassinar outras pessoas, e em seu caminho acaba fazendo justiça com as próprias mãos, matando aqueles que o FBI não consegue deter por meios legais. Esse rastro de assassinato deixado por ele é sangrento e rende boas sequências de ação com Neeson fazendo o que já acostumado a fazer – e faz bem.

São nas cenas dramáticas, porém, que o filme dá indícios de que pode ser mais do que parecia ser, mas essas cenas são pouco frequentes e não compensam o a quantidade de momentos clichês e gastos, muito utilizados em basicamente todos os dramas policiais da televisão norte-americana. Dá para notar que lá no fundo o filme tenta fazer um comentário (ou uma crítica) sociocultural, o tema é de grande importância e os crimes hediondos, a dualidade da moral abre um leque gigante que poderia ser explorado de dezenas de formas diferentes, mas o enredo passou longe de conseguir abordar essas questões de forma satisfatória ou até mesmo compreensível.

A direção de Martin Campbell, responsável por 007: Cassino Royale, considerado por muitos como um dos melhores filmes de James Bond, promete mais do que, de fato, entrega. Enquanto algumas cenas parecem receber um cuidado excessivo (como as cenas em que Alex Lewis lida com um ferimento causado por um tiro), o ritmo acaba não engatando fora das cenas mais ativas.

A perseguição da máfia mexicana liderada por Davana Sealman (Monica Belucci), as sequências de ação, Alex Lewis indo de assassino de sangue frio a uma espécie de herói enquanto mata mil e uma pessoas no percurso, tudo isso enquanto lida com uma doença degenerativa e é obrigado a escrever lembretes em seu braço para não se esquecer de informações cruciais, fazem desse um filme mais interessante do que os últimos que Neeson fez do mesmo gênero, ainda que continue longe de ser o melhor. Numa escala de filmes do Liam Neeson, é um filme bom. Numa escala com todos os outros filmes, ele não passa de mediano. No geral, é um filme pouco memorável.