PRIMEIRA MORTE | CREPÚSCULO, ROMEU E JULIETA E TODOS OS CLICHÊS DE DRAMA ADOLESCENTE

Junte a saga Crepúsculo, a série Buffy: Caçadora de Vampiros, The Vampire Diaries e quase todo cliché de romance adolescente que você já tiver lido ou visto em alguma série da CW. O resultado disso pode ser muito ruim ou tão ruim que fica bom, depende de quem estiver assistindo. No caso de “Primeira Morte” minhas expectativas estavam altas, mas completamente dentro dos padrões de qualquer outra série adolescente sobrenatural e dessa vez com um detalhe: o casal protagonista é composto de duas meninas. E não duas meninas quaisquer, uma delas é uma vampira, a outra uma caçadora de monstros. Romance sáfico, adolescente, sobrenatural com drama à la Romeu e Julieta. Considere-me investida.

Para você tentar gostar de “Primeira Morte” você tem que estar 100% ciente de todas essas referências que eu falei aqui em cima e se qualquer uma dela não te agrada, pode escolher outra série, porque essa certamente não é para você. Porém, até mesmo para você que, assim como eu, adora um drama adolescente eu posso trazer más notícias.

Juliette Fairmont (Sarah Catherine Hook) nasceu vampira (e isso é relevante porque os nascidos vampiros são muito mais poderosos, difíceis de matar e ainda podem andar tranquilamente sob a luz do sol e se olhar no espelho) numa importante família, que está no poder da hierarquia vampira, os Fairmont.

Uma pausa para comentar que sim, a personagem principal chama Juliette, assim como a mocinha de Shakespeare e a referências não param por aí, a peça que o clube de teatro da escola está fazendo é justamente Romeu e Julieta, a música de abertura menciona Crepúsculo e por assim vai, mas isso não é algo negativo. Se tratando desse tema, seria impossível se distanciar completamente desses títulos, então eles fizeram o contrário e simplesmente decidiram abraçar todos eles descaradamente, foi uma boa decisão. Agora voltando…

O núcleo familiar de Juliette é inexplicavelmente podre de rico e vive em meio à sociedade em sua mansão que abriga Juliette, sua adoravelmente perturbadora irmã Elenir (Gracie Dzienny) e os pais Sebastian (Will Swenson) e Margot (Elizabeth Mitchell), todos são brancos, tradicionalmente bonitos e vampiros, mas convivem com humanos e aprenderam a se alimentar deles sem ter que matá-los. Juliette, contudo, acabou de completar 16 anos e até então só se alimentava de pílulas de sangue para manter seus “sintomas” sob controle, mas as pílulas já quase não fazem mais efeito e agora ela é pressionada a fazer sua primeira matança e atingir seu status completo de vampira.

Enquanto isso, Calliope Burns (Imani Lewis) também vem de uma família de tradição, mas do lado oposto do sobrenatural. Os Burns vêm de uma linhagem de caçadores de monstros (vampiros inclusos) a Cal, agora com 16 anos, está louca para enfim colocar todos seus anos de treinamento em prática e matar seu primeiro monstro, coisa que seus irmãos mais velhos Theo (Phillip Mullings Jr.) e Apollo (Dominic Goodman) já tinham feito com uma idade bem menor que a dela. Junto com Cal e seus irmãos, moram seus pais Jack (Jason R. Moore) e Talia (Aubin Wise) que apesar de serem importantes dentro da organização de seu clã, ainda não alcançaram uma posição de poder.

A família de Juliette sempre morou na cidade de Savannah e a família de Cal acaba de se mudar para lá porque seu clã ficou sabendo que a presença de monstros na cidade aumentou consideravelmente nos últimos tempos e é o trabalho deles colocar isso em ordem. Juliette é uma vampira, mas queria não ser. Ela, literalmente, não tem vontade nem de matar inseto, quem dirá um ser humano e, sem saber que Cal é uma caçadora, logo se vê atraída por ela. Cal já desconfia que Juliette pode ser uma vampira, mas saber que se tratada de uma nascida vampira, tenta matá-la na primeira oportunidade, mas a atração é mútua mesmo assim, e antes da tentativa de assassinato elas dão uns beijos numa festa.

A série é baseada num conto de mesmo nome, da autora V.E. Schwab, que também escreveu o roteiro do primeiro episódio. O fato de ter vindo de um conto deixou a história aberta para inúmeras possibilidades, mas junto com as possibilidades vieram lacunas que não forma preenchidas com a nova trama. O universo sobrenatural de “Primeira Morte” é bem extenso, ou pelo menos é essa a impressão que passa já que a cada hora aparece uma criatura nova e a todo momento é feita uma nova explicação com palavras inventadas e pouco convincentes sobre regras complexas, mas um dos principais problemas é a superficialidade dessas informações. Praticamente nada é explicado a fundo, os assuntos são jogados, mas nunca sabemos o como ou o porquê de as coisas acontecerem como acontecem.

Todos os problemas da série parecem ter essa mesma raiz, a superficialidade. Os diálogos são todos engessados, com os personagens sentados um de frente pro outro, nenhum cenário tem qualquer traço de personalidade e as tramas que poderiam ser melhor desenvolvidas em relação aos outros personagens é levada em frente. Tudo isso poderia ser salvo se o relacionamento entre as duas fosse digno de foco. É interessante o modo como elas se conhecem e são imediatamente atraídas uma pela outra, é mais interessante ainda que o fato de serem duas garotas seja apenas um detalhe e não uma grande questão e Juliette e Cal têm uma química legal na maior parte do tempo, mas elas têm poucas cenas juntas que justifiquem todos os sacrifícios feitos.

 “Primeira Morte” pode ser divertida de assistir se você conseguir ignorar algumas (várias) coisas, como os efeitos especiais dos monstros que chegam a ser patéticos em muitas cenas, mas os atores são bons, principalmente considerando que não têm tanto com o que trabalhar (menção honrosa para as atrizes que fazem as mães das meninas e irmã da Juliette) e a série tem bastante espaço para uma segunda temporada melhor, até mesmo por conta de tudo que foi deixado em aberto. Eles ainda podem acertar a mão, desde que se lembrem sempre que estão fazendo uma série teen e não precisam se levar tão a sério.