EM TEMPOS DE EMPATIA, “IMPERDOÁVEL” DÁ UMA BOA LIÇÃO

O perdão é algo que está diretamente ligado aos dogmas religiosos. Presente nas preces, na Bíblia e na paixão de Cristo. Mas, apesar de um contexto de fé, não é tão simples conquistar um perdão. Existem comportamentos humanos que são considerados imperdoáveis e que marcam o indivíduo que os comete para sempre.

Essa é a história de Ruth Slater, condenada pela morte de um policial, após cumprir 20 anos de pena ela ganha oportunidade de recomeçar a vida na condicional. Só que a ressocialização não é simples. Ao voltar para Seattle e para as suas origens, ela tem a marca de um crime no seu passado que impede seus passos no presente. Além de recomeçar a vida, ela tem a esperança de reencontrar a irmã mais nova Katie, que foi separada dela após o crime e encaminhada para adoção sem contato algum.

Mas, nesse recomeço, ela terá que lidar com a marca de quem matou um policial no passado e lidar com as consequências de ter vivido duas décadas na cadeia. Com o perdão judicial da condicional ela entende que o perdão social não será tão simples de se conquistar e para isso deverá enfrentar seu passado.

O drama com pegada de suspense traz uma Sandra Bullock se desconstruindo da imagem de America ‘s Sweetheart indo em busca de papéis densos e que podem mostrar sua capacidade como atriz.  Poucas vezes na filmografia da atriz vencedora do Oscar em 2010 por “Um Sonho Possível” vimos ela sofrer tanto. E esse sofrimento mexe com a percepção do público com a questão de empatia relacionado a invisibilidade de ex-detentos no seu processo de ressocialização. Com bom elenco, a trama se desenvolve em um ritmo interessante sem ficar arrastado pelo drama da personagem principal. Mas, infelizmente com pouco espaço para Viola Davis e Vincent D’onofrio mostrarem seu enorme talento.

O longa dirigido por Nora Fingscheidt adapta uma minissérie britânica de 2009 aproveitando o drama e criando um clima de suspense e uma revanche que não existem no original, mas que faz bem a trama atual.

A produção da Netflix mostra a vocação do serviço como plataforma de lançamento de novos blockbusters e com uma projeção interessante para produções como essa que talvez não tivessem um apelo comercial tão forte.

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