“Turma da Mônica: Lições” é um belíssimo presente para quem cresceu com a turminha

Se você perguntar para quase qualquer brasileiro se ele – ou ela – já ouviu falar da Turma da Mônica, é bem provável que a resposta seja ‘sim’. É evidente que a turminha do bairro do Limoeiro já se consagrou como um forte patrimônio cultural de nosso país, conquistando não só o espaço nas bancas de jornal, como também na televisão, nas prateleiras dos supermercados, em roupas e acessórios, no cinema e, o mais importante, no coração de uma imensidade de brasileiros.

Nos últimos anos, a Maurício de Sousa Produções trouxe o projeto Graphic MSP, que convidava artistas diversos a escrever histórias reimaginando personagens clássicos da turminha. Dentre histórias do Penadinho, Chico Bento, Bidu e afins, a trilogia que mais se destacou foi produzida pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi, que trazia um novo olhar sobre os quatro principais personagens da turminha, Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali.

Anos depois, na CCXP, foi anunciado que a primeira dessas histórias, “Laços”, ia ganhar um live action, e a reação não poderia ser diferente: os fãs foram à loucura. Imaginar que aqueles personagens tão especiais, que marcaram diversas gerações, iriam ganhar uma adaptação com atores reais parecia loucura, mas uma loucura maravilhosa e empolgante. Daniel Rezende dirigiu ótimos atores mirins, transformando-os nos personagens que fizeram parte de tantas infâncias brasileiras, dosando a quantidade certa de nostalgia, maturidade e emoção para fazer um longa-metragem no mínimo espetacular.

Ainda que sejam raras as sequências que superam a obra anterior, alguns anos depois do lançamento de “Laços” é exatamente o que Rezende nos entrega: um filme surpreendentemente melhor, ainda mais divertido e com muito mais emoção.

Giulia Benite como Mônica; Laura Rauseo como Magali; Kevin Vechiatto como Cebolinha; Gabriel Moreira como Cascão. “Turma da Mônica: Lições”, Paris Filmes. Todos os direitos reservados.

Em Lições, um acidente acaba fazendo com que os pais de Mônica a mudem de escola, afastando a dona da rua de seus melhores amigos. Ao mesmo tempo, os pais de Cebolinha o colocam para passar com uma fonoaudióloga, e os pais de Cascão o colocam na natação. Para completar, o filme se aprofunda mais na comilança de Magali, retratando tal problema como uma consequência da ansiedade.

Não é novidade pra ninguém que os quatro personagens estão juntos há anos, protagonizando o que conhecemos como “Turma da Mônica”. Dessa forma, ao afastar a personagem principal do resto da turma, cada um dos demais é obrigado a repensar seu papel no grupo, tentando preencher um vazio que só poderia ser preenchido pela presença da amiga. Não só isso, o espectador também é levado a se sentir como se uma parte de sua infância estivesse sido arrancada de si, pois não são apenas amigos sendo separados, mas sim 60 anos de histórias que se quebram e são remontadas em cima de dois sentimentos: amor e saudade.

Isabelle Drummond e Gustavo Merighi como Tina e Rolo. “Turma da Mônica: Lições”, Paris Filmes. Todos os direitos reservados.

Este pontapé inicial – a separação dos amigos de longa data – abre espaço para a introdução de personagens clássicos do vasto universo criado por Maurício de Souza. Marina, Humberto e Milena, por exemplo, são introduzidos nas novas rotinas de Mônica, Cebolinha e Magali, respectivamente. Para aqueles que cresceram lendo as histórias da turminha, é certamente revigorante ver tais personagens tão bem representados. Vale citar também a presença de Isabelle Drummond, que brilha no papel de Tina, em uma adição que complementou muito bem a adaptação do quadrinho para as telonas.

Dentre os novos personagens, entretanto, destaca-se o Do Contra. Para os bons entendedores, o personagem é horrível, sem graça e uma péssima adição ao filme (ba dum ts). Em outras palavras, Do Contra é, de longe, o personagem secundário mais divertido de todo o longa-metragem, encantando facilmente o público com sequências muito bem escritas e muito bom humor. Assim, ainda que tenha sido o primeiro papel do ator mirim Vinícius Higo, o personagem rouba a cena com extrema naturalidade.  

Vinícius Higo como Do Contra e Augusto Madeira como professor de natação. “Turma da Mônica: Lições”, Paris Filmes. Todos os direitos reservados.

O elenco principal também não deixa nada a desejar. Com Giulia Benite como Mônica, Laura Rauseo como Magali e Kevin Vechiatto como Cebolinha, o público novamente consegue enxergar os clássicos personagens sendo representados em tela com exímia perfeição. Já com relação ao Cascão, fica claro que é o personagem mais distante com relação aos quadrinhos, mas o carisma de Gabriel Moreira torna o personagem ainda mais fofo e divertido do que o original, fazendo com que o público queira ver mais e mais deste talentoso ator mirim. 

Ainda assim, o que mais encanta em Lições não são seus personagens e atores, mas toda a emoção que consegue transpassar para o público. Com uma mistura brilhante entre trilha sonora, direção e uma pitada bem servida de nostalgia, o novo filme da Turma da Mônica consegue facilmente emocionar aqueles que cresceram lendo as histórias de Maurício de Sousa, indiferente da idade em que se encontram.

Giulia Benite como Mônica; Laura Rauseo como Magali; Kevin Vechiatto como Cebolinha; Gabriel Moreira como Cascão. “Turma da Mônica: Lições”, Paris Filmes. Todos os direitos reservados.

Com tamanha emoção apresentada, se torna quase impossível não derramar uma lágrima sequer durante os momentos de tristeza, coragem e amadurecimento compartilhados entre estes personagens tão queridos pelo público. Para aqueles que acreditam que a adaptação perfeita não existe, certamente vão se surpreender com o resultado final entregue por Daniel Rezende.

Com paletas de cor sublimes, movimentos de câmera muito bem pensados para agregar à narrativa e um roteiro impecável, Turma da Mônica: Lições não é só mais um filme, é uma experiência. Acima de tudo, é um delicioso presente para aqueles que tiveram a honra de crescer com as histórias do Bairro do Limoeiro, que traz consigo também uma importante lição para seus espectadores: é possível crescer sem deixar de ser criança.

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