SEM VOLTA PARA CASA | O MENINO ARANHA FINALMENTE VIRA UM HOMEM

Não existem dúvidas que “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa” é o filme mais esperado do ano para a maioria dos jovens na internet. Uma espetacular campanha de marketing, baseada em supostos vazamentos, garantiu uma expectativa absurda nas redes sociais para o filme, que o levou à quebra recordes de vendas de ingressos na pré-venda, independente da pandemia de COVID-19. O que motivou tamanho “hype” foram os rumores que começaram em dezembro de 2019 e foram confirmados somente em agosto de 2021, a respeito da presença do “multiverso” no longa, conceito que permite o resgate de personagens de outros filmes de sucesso e então abre o leque etário do longa, atraindo ainda mais os marmanjos de plantão que foram assistir, quando crianças, “Homem-Aranha” em 2002. O maior receio, porém, é que o filme não tivesse uma história que estivesse a altura de tanta expectativa e que os velhos conhecidos fossem jogados na trama apenas para mais sequências de ação. E felizmente, não é este o caso.

O terceiro longa com o personagem de Tom Holland no título é, sem sombra de dúvidas, o melhor deles. E isso não se deve a presença de nenhum outro personagem além do próprio Peter Parker de Tom Holland, que sempre entregou fantásticas atuações, mas sempre com um roteiro que deixava o seu personagem com um comportamento muito distante das origens dos quadrinhos e sempre nos fazia pensar “mas que menino estúpido”, por mais que estivéssemos gostando do filme no geral. Em “Sem Volta para Casa”, finalmente, Chris McKenna e Erik Sommers criaram coragem para transformar o menino em HOMEM, que reconhece o peso das suas ações e com muito custo aprende a ponderar sobre valores. Reforço essa história do “muito custo”, pois no longa isso é algo que realmente demora mas o Peter Parker dos últimos 15 minutos do filme é o Peter Parker que o cinema sempre mereceu.

Como já pontuei, não há o que dizer da atuação de Holland que mostra que consegue sim passar do herói “bobinho” para um herói de verdade, com um trabalho interessante de postura e olhares. Por outro lado, não dá para dizer o mesmo de Jacob Batalon e Zendeya, não necessariamente por culpa deles já que o roteiro pouco desenvolve os seus personagens e mesmo em sequências com acontecimentos surpreendentes, a sensação que fica é que nada mudou para eles desde “Homem-Aranha: De Volta ao Lar”. Ainda no elenco de apoio temos Benedict Cumberbatch e Jon Favreau, que entregam apenas o esperado em pouco tempo de tela, e Marisa Tomei que finalmente consegue dar um destaque e um toque especial para sua May.

Do lado dos vilões, que já vimos em artes promocionais e trailers, o maior destaque vai para Willem Dafoe que, de forma completamente inesperada, consegue adicionar ainda mais camadas ao complexo Duende Verde que vimos 19 anos atrás. Ele é absolutamente assustador, muito mais do que no filme de 2002. Alfred Molina, assim como já havia dito na entrevista que revelou a sua presença no filme, entrega exatamente o mesmo personagem, como se apenas tivesse continuado a atuar depois da sua última cena em 2004. Jamie Foxx, por outro lado, segue pouco coerente com o que vimos em 2014 e fica difícil de reconhecer o personagem, o que mostra na verdade uma insegurança da produção, e especialmente da direção, com a baixa popularidade do vilão em seu filme original.

E falando em direção, John Watts se mostra o verdadeiro vilão do esperado filme. Sem consistência com seus trabalhos anteriores, o diretor fica perdido com a subida “mudança de clima” para Peter e seus amigos, não conseguindo fluir muito bem os atores entre momentos cômicos e tensos. Watts também se perde na sequência de ação final, não conseguindo equilibrar bem tudo o que tinha a sua disposição (caberia aqui uma mão dos irmãos Russo que souberam dar conta de dezenas de heróis e vilões nos filmes precedentes a este). Todavia, ao menos, as cenas mais dramáticas e emocionantes são bem feitas e, com ângulos certos e controle preciso do tempo, conseguem trazer as lágrimas aos olhos do espectador, seja ele fã do Homem-Aranha ou não.

A trilha sonora peca somente nos primeiros minutos do filme, quando destoa tanto da cena que chega a distrair quem assiste. Mas no geral Michael Giacchino acerta mão e consegue nos guiar muito bem nesta aventura. E outro ponto a ser destacado é a direção de fotografia de Mauro Fiore, vencedor do Oscar pela fotografia de Avatar. O veterano consegue balancear as cores de uma forma incrível que dá identidade para o filme e o distancia de qualquer outro longa do Homem-Aranha até então.

Assim, resta dizer que “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa” é tudo o que os fãs estavam esperando e MUITO MAIS! É um filme sobre amadurecimento que termina com um gostinho de novo começo, o que nos deixa ainda mais ansiosos para a já confirmada próxima trilogia. Acaba a trilogia do menino, que comece a trilogia do Homem-Aranha.

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