7.8/10

Extermínio: O Templo dos Ossos

Director

Nia DaCosta

Genre

Drama , Terror

Cast

Jack O'Connell, Alfie Williams, Connor Newall

Writer

Alex Garland

Company

Sony Pictures

Runtime

109 minutos

Release date

15 de janeiro de 2026

Expandindo o universo criado por Danny Boyle e Alex Garland em Extermínio: A Evolução – e virando esse mundo de cabeça para baixo – Nia DaCosta dirige Extermínio: O Templo dos Ossos. Na continuação dessa história épica, Dr. Kelson (Ralph Fiennes) se encontra em uma nova e chocante relação – com consequências que poderiam mudar o mundo como eles o conhecem – e o encontro de Spike (Alfie Williams) e Jimmy Crystal (Jack O'Connell) se torna um pesadelo do qual ele não consegue escapar. No universo de O Templo dos Ossos, os infectados não são mais a maior ameaça para a sobrevivência – a desumanidade dos sobreviventes se torna mais aterrorizante.

Já pode-se dizer que a franquia de Extermínio é um fenômeno, com seu primeiro filme tendo sido lançado em 2002 e sendo um dos precursores do que conhecemos como filmes de zumbi e infecção, uma sequência que veio 5 anos depois e, quase 2 décadas mais tarde, um filme que não só fecha a trilogia original como inicia uma segunda. Extermínio: Templo dos Ossos é o quarto filme da franquia e o título do meio dessa nova trilogia, iniciada em 2025 com Extermínio: A Evolução. Criada a partir de uma ideia original de Alex Garland, os três primeiros filmes tiveram também a sua direção e seguiram um estilo bem específico, principalmente no que diz respeito à fotografia. O visual mais rústico e mais urgente combinavam perfeitamente com a história sendo contada, o que virou do mundo depois que um vírus infectou praticamente toda a população. Enquanto os primeiros filmes exploraram mais o vírus – e os infectados – como uma novidade, Extermínio: A Evolução deu os primeiros passos para uma nova abordagem, não menos coerente. Quase nunca um filme de zumbis é “apenas” um filme de zumbis, e a progressão dessa história nos prova mais uma vez a máxima de que o pior vilão é sempre o homem. 

No filme de 2025 conhecemos Spike e sua família. O pai, um homem forte e determinado, a mãe, uma pessoa frágil e desestabilizada. Foi a partir dessa família que Extermínio aumentou seu escopo e aprofundou sua visão focando não mais nos infectados, e sim na humanidade. Como antagonista do mundo destruído e sem esperança a que fomos anteriormente acostumados, fomos então apresentados ao Dr. Kelson, um homem da ciência, mas que carrega dentro de si uma compaixão e compreensão da qualidade humana que, geralmente, estão reservadas àqueles que se dedicam à religião. Em Extermínio: Templo dos Ossos, esses fatores são elevados a um novo patamar e tanto o vírus quanto suas vítimas são colocados, temporariamente (ou não) em segundo plano. Esse talvez seja o momento mais desafiador para colocar essa história nas mãos de outra pessoa, mas nesse caso, também se provou o mais acertado. Alex Garland e Danny Boyle passaram as rédeas da direção para Nia DaCosta e a diretora, mais uma vez, entregou um trabalho de excelência, conseguindo deixar sua impressão numa obra já consolidada através de outro olhar.

Os minutos finais de Extermínio: A Evolução já mostravam que uma mudança brusca estava por vir, quando conhecemos a gangue dos Jimmys. Liderados pelo Sir Jimmy (Jack O’Connell), eles são um dos dois caminhos trilhados separadamente na primeira metade do filme. Depois de terem salvado Spike da morte, o recrutaram para a gangue (ou seria uma seita) em que todos se vestem igual, tem o mesmo cabelo (usando perucas) e são chamados de Jimmy. Eles são a representação da religião nesse momento pós-apocalíptico, mas em vez de acreditarem em Deus, creem que o grande poderoso agora é o diabo, “Nick” como eles chamam. Mais do que isso, o Jimmy original prega ser filho de Nick, o próprio Jesus às avessas. 

Se os infectados são aterrorizantes, os Jimmys provam que sempre pode piorar. Utilizando da violência extrema (e até fazem lembrar a ultraviolência de A Laranja Mecânica), o grupo sequestra, tortura e mata basicamente qualquer um que cruze seu caminho, resultando no filme com mais gore de toda a franquia – uma boa notícia para os fãs dessa vertente do terror. O grupo é estruturado como uma seita, dependendo unicamente na confiança dos membros de que o Jimmy principal é mesmo o prometido e esse fato é muito bem explorado quando essa trama se encontra com a outra que corre em paralelo, tendo como ponto em comum o próprio Dr. Kelson.

O ator Ralph Fiennes como Dr. Kelson em Extermínio: O Templo dos Ossos entrega uma das melhores atuações de sua carreira e o êxito do filme está diretamente conectado a essa performance; o personagem é o ponto central de toda a história. Ele começa o filme ainda levando sua vida solitária no Templo dos Ossos, espaço construído por ele mesmo como um monumento à memória das vítimas do vírus, mas sua calmaria logo é interrompida pela aparição do infectado-alfa (Chi Lewis-Parry) a quem ele afetuosamente dá o apelido de Sansão. É claro que, a princípio, Sansão tenta matar o Dr. Kelson, mas depois que é atingido por uma dose de uma droga que tem morfina em sua composição, acaba se viciando e voltando para mais uma dose diariamente. A surpresa é que os momentos em que Sansão está sob efeito da droga trazem de volta aspectos de sua humanidade – aos poucos, mas o suficiente para mostrar que talvez os infectados não estejam tão permanentemente condenados quanto os filmes anteriores supuseram. 

Enquanto essas tramas paralelas iam se desenvolvendo, o filme tem um ritmo um pouco mais lento, mas sem deixar de entreter. É no ato final, porém, quando as duas histórias se encontram, que o filme se encaminha para um clímax genial, tanto em termos de narrativa quanto na questão visual. Comandada por Ralph Fiennes, temos o que certamente é o melhor uso da música The Number of the Beast, do Iron Maiden, de todos os tempos. É uma conclusão energizada e que traz o embate entre ciência e religião de forma emblemática e significativa para o desfecho da franquia, que acontecerá no próximo filme. Se o capítulo final conseguir acompanhar esse ritmo recém estabelecido, tem grande potencial para terminar a saga do mesmo jeito épico que começou.

Por Júlia Rezende

8.5

Mission Accomplished

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