7.3/10

Hokum: O Pesadelo da Bruxa

Director

Damian McCarthy

Genre

Terror

Cast

Adam Scott, Peter Coonan, David Wilmot

Writer

Damian McCarthy

Company

Diamond Films

Runtime

107 minutos

Release date

21 de maio de 2026

Um escritor de terror visita uma pousada irlandesa para espalhar as cinzas de seus pais, sem saber que a propriedade é assombrada por uma bruxa.

Em Oddity – Objetos Obscuros, o diretor e roteirista Damian McCarthy mostrou sua habilidade de compreender o horror como um gênero de possibilidades, e não de limitações. Nos últimos anos, principalmente, com a ascensão do horror “pós-moderno”, encabeçado pelo terror folk, tem sido raro ver filmes desse gênero que consigam fazer os subgêneros se complementarem para formar um todo mais rico, em vez de escolher um em detrimento do outro. Em Hokum: O Pesadelo da Bruxa, o cineasta comprova sua maestria nesse quesito, trazendo uma história que pega elementos emprestados de diversos subgêneros e momentos diferentes do horror, mas faz com que todos conversem e se conectem para contar uma história singular – mesmo sem trazer conceitos que reinventem a roda. Enquanto um dos maiores desafios dos filmes terror contemporâneos continua sendo mostrar algo novo, filmes como Hokum: O Pesadelo da Bruxa vêm para mostrar que a novidade do resultado final não depende da invenção, e sim de saber utilizar, de um jeito inovador, elementos que já existiam – e que funcionam.

Em Hokum: O Pesadelo da Bruxa, um excelente Adam Scott interpreta Ohm Bauman, um escritor que está terminando de escrever o final do seu mais novo livro. Ohm é um homem perturbado e, ao que tudo indica, atormentado por traumas do passado. Já no começo do filme vemos Ohm como um homem solitário e, logo depois, entendemos o porquê. Ohm vai para um hotel isolado no interior da Irlanda para espalhar as cinzas dos pais, que passaram a lua de mel nesse mesmo lugar. Ele está em luto, mas sua personalidade não parece ter sido muito mais ensolarada mesmo antes disso. A partir do seu comportamento com os funcionários do hotel, fica bem claro que Ohm é arrogante, egocêntrico e cético, e não faz questão de ser particularmente simpático, ou minimamente agradável, com ninguém. Ainda assim recebe a simpatia de Fiona (Florence Ordesh), uma das funcionárias cujo desaparecimento logo depois da interação com Ohm desencadeia uma série de acontecimentos macabros. 

Quando Fiona desaparece, contrariando todas as expectativas, Ohm acaba se envolvendo com a situação. O restante das pessoas do hotel parecem apenas conformadas com o fato, mas Ohm não está tão disposto a simplesmente deixar a história de lado, já que sentiu um tipo de conexão com Fiona. Para encontrá-la, uma de suas sugestões é procurá-la na suíte de lua de mel do hotel, um quarto que está sempre trancado não só pela fechadura, mas também por uma grade fechada a cadeado. A ideia, no entanto, é prontamente rejeitada, porque acredita-se que ali vive uma bruxa. Esse não é o único aspecto obscuro sobre o hotel. Seus hóspedes são estranhos, o local é isolado, há cabras por perto que sempre sobem nos carros e um homem, aparentemente em situação de rua, que anda pela floresta ao redor à procura de cogumelos. Apesar de tudo, Ohm não acredita em nada de sobrenatural que lhe é relatado sobre o lugar e, escondido, acaba entrando na suíte proibida à procura de Fiona. É nesse quarto que embarcamos, junto com Ohm, no que parece ser seu inferno particular. 

Antes de Ohm entrar no quarto, predomina a sensação de algo sinistro no ar, uma certa tensão que acompanha o protagonista. É algo muito mais subjetivo, sugestivo, e já funciona muito bem, deixando a trama – e o personagem – instigantes o suficiente para que a gente fique atento e ansioso para saber seus próximos passos. Uma vez que Ohm está no quarto, no entanto, a subjetividade dá lugar para um horror explícito e impossível de ser ignorado. É a partir desse momento que a maestria de Damian McCarthy realmente brilha. Praticamente limitado a esse único espaço, o diretor utiliza tudo que tem a seu alcance para ampliar a experiência, tanto de Ohm quanto do espectador, e criar um pesadelo imersivo. É cada vez mais raro encontrar filmes de terror que conseguem, de fato, dar medo e não só assustar com mecanismos prontos. Damian McCarthy entende que o horror é um conjunto de elementos e todos eles estão presentes e em perfeita harmonia aqui. Da fotografia, à trilha sonora, aos planos escolhidos pela câmera, tudo funciona em conjunto para amplificar as sensações, e tudo anda lado a lado com a história do próprio Ohm.

Com uma atuação magnética de Adam Scott e uma montagem que não deixa o ritmo cair, Hokum traz em si uma tensão contínua e irrefreável. É assustador, mas também consistente no que diz respeito à sua construção. Ambientação e história estão sempre em sincronia, sem que uma precise se sobrepor à outra. Ainda pela metade, o ano de 2026 já trouxe alguns bons títulos de terror, mas até o momento, Hokum: O Pesadelo da Bruxa é a melhor contribuição ao gênero.

 

Por Júlia Rezende

9

Mission Accomplished

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