6.9/10

Na Zona Cinzenta

Director

Guy Ritchie

Genre

Ação

Cast

Jake Gyllenhaal, Henry Cavill, Eiza González

Writer

Guy Ritchie

Company

Diamond Films

Runtime

108 minutos

Release date

14 de maio de 2026

Uma equipe secreta de agentes de elite embarca em uma missão para recuperar uma fortuna de um bilhão de dólares de um tirano implacável.

Guy Ritchie já se tornou o tipo de diretor a quem associamos um tipo bem específico de filme. Com uma média de um filme por ano na última década, o cineasta tem se mantido ocupado e sua preferência parece estar nos filmes de ação que se preocupam mais em serem divertidos do que explosivos – isso não é uma crítica, muito pelo contrário. Filmes de ação com tiros e lutas a cada cena chegam aos cinemas aos montes, mas Guy Ritchie criou sua identidade com algo mais difícil de se replicar: humor, estilo, personagens interessantes e também, inevitavelmente, tiros e lutas. É uma fórmula que funciona para o diretor na maioria dos casos, mas não é infalível. O ditado diz que não se mexe em time que está ganhando e Guy Ritchie segue isso à risca em “Na Zona Cinzenta”, trazendo de volta não só o seu estilo tradicional, como também um trio de protagonistas com quem já trabalhou antes: Henry Cavill, Jake Gyllenhaal, Eiza González.

Ainda que seja um filme de ação por natureza, “Na Zona Cinzenta” prefere não focar nos conflitos físicos. A própria trama (e o roteiro também é assinado por Guy Ritchie) exige mais tempo para desenvolvimento do que para partir para a pancadaria. Rachel Wild (Eiza González) é uma negociadora, um ás em seu ramo, e é contratada por uma empresa liderada por Bobby (Rosamund Pike) para recuperar uma fortuna que foi roubada por Salazar (Carlos Bardem), um chefão do crime. Com a narração de Rachel entendemos um pouco mais sobre como ela opera e descobrimos que se trata de um serviço que se aproveita das áreas cinzentas da lei e da moralidade. Para colocar seu plano em prática, Rachel chama seus associados de longa data, Sid (Henry Cavill) e Bronco (Jake Gyllenhaal), que ficarão responsáveis por sua extração uma vez que ela consiga o dinheiro de Bobby de volta. Toda essa organização faz lembrar os planos de filmes de grandes assaltos, mas com o “jeitinho” Guy Ritchie: bom humor, diálogos rápidos e dinâmicos e personagens se alfinetando o tempo todo.

Por mais que a trama em si seja um pouco mais complexa do que um filme como esse pede, é a troca entre o trio protagonista que rouba a cena. Sid é um cara mais sério, refinado, enquanto Bronco é um tipo mais debochado e descolado e juntos, entregam uma dinâmica capaz de segurar até as cenas menos “agitadas”. Há entre eles uma camaradagem, com um toque de “bromance”, evidenciada pelo carisma dos dois atores, que parecem completamente confortáveis em seus papéis. A relação dos dois com Rachel também não fica atrás, a Rachel equilibra a personalidade dos dois com seu jeito mais calculista e menos emocional, usando todos os seus atributos, sejam físicos ou intelectuais, a seu favor. É esse trio que adiciona um certo “tempero” a essa história que, sem eles, cairia num lugar de apenas mais do mesmo.

“Na Zona Cinzenta” não é o melhor trabalho de Guy Ritchie, mas também está longe de ser o pior. Quando deixamos as explicações exageradas em relação à trama de lado e focamos unicamente no lado divertido da coisa, o resultado é muito mais positivo. Dificilmente é um filme que será lembrado por muito tempo depois de assistido, nada nele é particularmente único ou inédito a ponto de ser marcante, mas garante o entretenimento durante seus pouco mais de 90 minutos de duração.

 

Por Júlia Rezende

6.5

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