7.0/10

Mestres do Universo

Director

Travis Knight

Genre

Ação , Comédia

Cast

Nicholas Galitzine, Camila Mendes, Idris Elba

Writer

Chris Butler, Aaron Nee e Adam Nee

Company

Sony Pictures

Runtime

140 minutos

Release date

04 de junho de 2026

Adam caiu na Terra quando era criança e perdeu a espada mágica que o ligava a Eternia. Quase 20 anos depois, ele a recupera e retorna ao seu planeta natal para protegê-lo do malvado Skeletor, mas primeiro precisa desvendar seu passado.

He-Man foi um marco cultural nos anos 80 no mundo e especialmente no Brasil, onde chegou a ganhar música que segue conhecida até hoje. Apesar de (quase) todo mundo conhecer o personagem, seu grito de guerra e adjacentes, He-Man ainda começou como um brinquedo, um boneco de corte de cabelo questionável e que lutava semi-nu, com direito a uma espécie de saia de couro. Embora já tenha havido desenhos e até filmes para o personagem, é difícil pensar como uma história tendo He-Man como protagonista caberia nos dias de hoje. Certamente não é um filme necessário, e pouco tem a acrescentar em relação ao universo de heróis, mas tem o mais importante para uma estreia cinematográfica: carisma e bom-humor suficientes para garantir uma ida ao cinema divertida. 

Assim como a maioria dos revivals, remakes etc, o novo “Mestres do Universo” (apesar de não ser exatamente nenhuma dessas coisas) aposta na nostalgia para cativar sua audiência. Não só na trama ou nos “easter eggs”, mas em sua essência também. “Mestres do Universo” grita anos 80, no melhor sentido possível; as cores vibrantes, os movimentos de luta, o vilão caricato e até as guitarras da trilha (uma das partes mais empolgantes do longa). É claro que a nostalgia em relação ao próprio personagem também está presente, com diversas referências que sempre casam muito bem com o novo contexto. Entretanto, essa nostalgia não é usada para fazer com que He-Man, ou a história como um todo, fique parada no tempo. O filme é muito consciente de si como produto de uma nova era, com novas ideias. A começar pelo próprio He-Man, que aqui conhecemos como Adam, quando ele ainda era uma criança, vivendo como príncipe de Eternia. O pequeno Adam não era pequeno só na idade, ele era um menino franzino comparado aos seus colegas de treinamento de luta e não tinha “ficar forte” como uma de suas aspirações. Nada na luta física o atraía, preferindo sempre o diálogo – para a tristeza de seu pai, mas Adam sempre podia contar com a proteção de sua mãe. Quando Esqueleto (Jared Leto) invade Eternia com Maligna (Alison Brie), à procura da Espada do Poder, um artefato que contém toda a força de Eternia, a Feiticeira, que protegia a espada, elege Adam como responsável por guardá-la e a Rainha toma a difícil decisão de mandar Adam para um lugar onde ele nunca seria encontrado, para que ele pudesse se preparar e voltar para casa quando estivesse pronto – é assim que ele vem parar na Terra.

A construção do personagem de Adam é interessante, ele cresceu, física e emocionalmente, mas manteve seus princípios em relação ao combate físico. Adam não é violento, não é agressivo e, na verdade, chega a ter uma postura mais passiva em relação à vida. Em contraste, quando volta para casa e passa pela transformação, virando quem conhecemos como He-Man, ele ganha músculos gigantes e a força de deuses, por mais que ele não queira usá-los – não que ele tivesse escolha, já que Esqueleto o obriga a, também, falar a língua da violência. O filme usa essa dicotomia para discutir ideais de masculinidade – e esse talvez seja o grande cerne da trama. Adam desde pequeno ouvia o pai dizendo que um “homem de verdade” é aquele que protege e projeta sua força do físico e agora que ele finalmente tem isso a seu favor, deve ponderar se seu pai estava certo o tempo inteiro, ou se há outras coisas mais importantes a se levar em conta quando o assunto é ser ou não um “homem”. Embora não se aprofunde tanto, não deixa de ser uma discussão atual – e necessária. Há algum alívio em ver um homem desse porte escolher não fazer disso toda a sua personalidade.

Os outros personagens não têm a chance de ser tão explorados quanto Adam, mas nem por isso são menos interessantes. Teela (Camila Mendes) e seu pai Duncan (Idris Elba), que acompanham a jornada de Adam mais de perto, são os maiores destaques e um ótimo contraponto para Adam. Teela é a mais destemida e equilibrada desse trio, mas isso não a deixa menos carismática ou engraçada. Já Duncan começa como um guarda durão para depois virar alívio cômico, mas aos poucos seu personagem é desenvolvido até se tornar uma versão melhor de si mesmo. Outros conhecidos do público também têm seus papéis a cumprir – e o fazem muito bem, com diversas referências ao passado, mas não tem como falar de “Mestres do Universo” sem falar de Esqueleto. Jared Leto faz um trabalho sensacional e, mesmo debaixo de um CGI carregado, consegue imprimir uma personalidade única para o grande vilão. Esqueleto não hesita em fazer suas maldades, mas é o tipo de vilão que a gente ama odiar, ele é sarcástico, engraçado e sempre disposto a fazer um comentário ácido sobre as peculiaridades de He-Man.

O humor do filme não aparece só com Esqueleto, muito pelo contrário. “Mestres do Universo” aposta na comédia para justificar seus absurdos, e faz isso tirando sarro de si mesmo, para deixar bem claro que não está se levando tão a sério, como uma pessoa que, sabendo de seu ponto fraco, faz questão de fazer piada de si mesma antes que outra o faça. Essa decisão funciona porque há mesmo algo de “ridículo” numa história em que o herói veste uma tanga, resgata sua força de uma “espada do poder” e tem um esqueleto como vilão. O filme abraça a “cafonice” e a transforma num trunfo, mas por vezes desliza na qualidade de seus diálogos, que parecem implorar por uma risada, mas não são capazes de causá-las; acontece mais de uma vez, mas não o suficiente para realmente manchar a experiência geral que é positiva. Mesmo com seus defeitos, “Mestres do Universo” é um filme com alma, carregado de esperança e transmite sua mensagem de uma forma extremamente divertida e envolvente. E, se as (três) cenas pós-créditos servem de dica, tem muito mais desse universo vindo no futuro.

 

Por Júlia Rezende

 

8

Mission Accomplished

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