“Encontros” faz analogia ao paradoxo das nossas relações tão (des)conectadas

Em “Encontros”, o diretor e produtor francês Cédric Klapisch volta a falar de amor numa gostosa e divertida comédia romântica. Como poucos diretores, Klapish conseguiu realizar uma obra que fala de amor, sem haver amor entre seus protagonistas. Não vá achando que isso não é positivo porque, sua narrativa é excelente, permeada de situações mordazes.

Cédric nos apresenta a solidão que permeia a vida de dois jovens de trinta e poucos anos, que são vizinhos, que frequentam os mesmos ambientes, que vivem se cruzando, que têm muitas coisas incomuns, mas que não se conhecem. O público testemunha estes desencontros casuais em um roteiro que concede grandes espaços para mesmo que seus rumos não se definem, não peque em esticar seu desenlace. Pode-se concluir que este é o mérito do filme.

Mélanie e Rémy são dois vizinhos de apartamentos separados por uma parede, porém não sabem da existência um do outro. Eles utilizam diferentes entradas dos prédios, o que parece dificultar ainda mais um possível encontro. Dentre relações amorosas casuais, idas a psiquiatras e um fofo gatinho branco (impossível não se apaixonar por ele), estas coisas incomuns os mantêm conectados e distantes ao mesmo tempo, porém, eles permanecem solitários.

Assim como as coisas incomuns que possuem, Mélanie e Remy são os típicos ‘’os opostos se atraem’’. Ela é profissionalmente bem sucedida enquanto ele está ameaçado a ser demitido. Ela dorme em excesso, ele tem problemas de insônia. Ela consegue engatar parceiros para encontros, ele não dá tanta sorte e o espectador testemunha todo este modesto e envolvente filme que não apela para efeitos melodramáticos.

Encontros discute não apenas o estado de espírito daqueles que estão só como também a conexão do jovens, busca por diversão até encontrar o parceiro ideal e a forma como eles veem o mundo, temas que ganham credibilidade ao estarem presentes. Esta é mais uma obra de Cédric Klapisch nos quais seus protagonistas sazonam e vão ganhando força, afinal, já vimos isso em seus filmes anteriores como “Bonecas Russas”: extremamente atraente e delicado. Ótimo programa para se curtir a dois.

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