“O Parque dos Sonhos” encanta com linda lição sobre a importância de sonhar

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“Fazer cinema é uma longa jornada que começa na mente e termina no coração (…) Use seu talento para explorar ao máximo sua imaginação. Expresse aquilo que você pensa. Sua voz é importante”. Por mais que a frase acima esteja diretamente ligada à arte do cinema, elas dizem muito sobre a importância de sonhar. A própria arte é a realização de sonhos e a prática da imaginação. Afinal, quem é Steven Spielberg, James Cameron e Ava DuVernay senão grandes sonhadores?

O cinema, em si, nada mais é que dar vida a esses sonhos e passar o poder da imaginação para milhares de pessoas. O Parque dos Sonhos, então, atinge esse objetivo ao focar sua mensagem para o público que mais precisa que essa chama da imaginação se mantenha acessa: as crianças.

O principal poder da animação é traçar seu rumo de forma direta ao querer expressar sua mensagem de esperança para jovens sonhadores. Não só isso, o longa também passa uma importante lição aos pais: deixem suas crianças sonharem. O principal poder do cinema, mas também das animações, é conseguir explorar o inimaginável de forma mais criativa e sem precisar ser, a todo tempo, crível. Nesse caso, um piano cair na cabeça de um coiote no meio do deserto e nada acontecer com ele é válido.

No entanto, a animação ainda precisa atingir seu objetivo como uma obra cinematográfica e ensinar como só o cinema consegue. O Parque dos Sonhos, por mais que esteja longe da dramaticidade de obras da Pixar ou Studio Ghibli, procura trabalhar sua fala o melhor que ela pode, e consegue. A Disney, mesmo que sem ser citada (obviamente), é a principal fonte do longa. Isso porque a Disneylândia não deixa de ser o parque dos sonhos da vida real, já que a imaginação de milhares de espectadores e admiradores das animações ganham vida em um único lugar. 

No longa, o roteiro coloca o espectador como a sonhadora June e coloca todos em uma divertida aventura pelo poder da criação.

A presença da mãe é a principal fonte de mensagem da história. A personagem funciona como a lição que os pais presentes na sala de cinema precisam aprender. Deixar as crianças imaginarem não é afastá-las da realidade do mundo ou esconder as coisas ruins da vida, mas é ensiná-las a serem criativas, para justamente conseguirem superar as principais dificuldades que o futuro aguarda. Isso é bem representado no diálogo entre June e a javali Greta, no qual a jovem menina mostra que o sombrio não sai das pessoas, mas que é sempre preciso lembrar que nós mesmos somos a principal fonte dos sonhos e tudo aquilo que provoca o contrário, não pode nos dominar.

Parar de sonhar é perder um propósito, um guia. Afinal, trilhamos nossa vida a partir de uma idealização, seja morar no exterior com cinco cachorros ou trabalhar como bombeiro. Todos podemos e precisamos sonhar. Ratatouille (2007) e Up – Altas Aventuras (2009) – ambos da Pixar – possuem seus objetivos próprios, mas no fundo tratam da mesma mensagem final.

Como dito anteriormente, a animação está longe de atingir o toque preciso, muito presente nas produções de outros grandes estúdios, isso porque o longa é muito conciso em sua proposta. Por um lado, funciona perfeitamente ao não perder tempo desenvolvendo tramas desnecessárias, indo direto ao assunto. Pelo outro, não há um trabalho emocional perfeito, que consiga tirar lágrimas do público, transmitindo a sensação de faltar algo a mais. 

Isso aparece principalmente no fato do longa ter dado a oportunidade de ser maduro e trabalhar um tema pesado para suprir a falta que o final dá. Porém, o filme segue a risca de sua idealização com uma conclusão doce, mas ainda reforçando que as coisas ruins não vão embora de forma simples, como explicado anteriormente.

Dentro disso, o roteiro agrada com uma história pouco original, mas ainda certeira. Seus personagens, além de tecnicamente bem realizados, oferecem uma diversão agradável, com momentos equilibrados de humor e aventura. Nisso, o filme também reforça uma outra importante mensagem que conversa bastante com a principal: o trabalho em grupo. Afinal, nenhum sonho é realizado sozinho e é preciso sempre de ajuda ou um simples apoio. O filme trabalha isso muito com as alterações de “mundo”, mostrando as mesmas realidades dentro e fora do parque.

Isso faz com que O Parque dos Sonhos seja uma diversão significativa para aqueles que assistem, além de um aprendizado importante. Da mesma maneira que os parques da Disney conseguem emitir emoções que nem sabíamos que tínhamos, a animação consegue atingir topo o público. Afinal, todos nós temos nosso próprio parque dos sonhos.

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