[et_pb_section admin_label=”section”][et_pb_row admin_label=”row”][et_pb_column type=”4_4″][et_pb_text admin_label=”Texto” background_layout=”light” text_orientation=”justified” use_border_color=”off” border_color=”#ffffff” border_style=”solid”]

“Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível” está chegando aos cinemas, trazendo o agora adulto personagem-título encarnado por Ewan McGregor para revisitar seu amigo de infância Ursinho Pooh e os outros adoráveis habitantes do Bosque dos 100 Acres criados por A. A. Milne. Uma viagem nostálgica revisitando personagens muito amados do panteão Disney, o que parece ser algo que a empresa está fazendo com bastante frequência ultimamente ao criar versões em “live-action” de filmes queridos do passado. Mas seriam esses resgates de clássicos uma tendência recente? Muito se fala, sobre reboots e remakes de franquias de sucesso. Os cinemas estão cada vez mais abarrotados deles. Porém no caso específico da Disney, existe algo que diferencia esses remakes recentes. Algo que os torna mais mágicos e até mesmo, mais naturais que a concorrência, concretizando-se em forma de estrondosos sucessos de bilheteria e agradando em cheio tanto adultos nostálgicos quanto uma nova geração de crianças. Um sucesso que muitas vezes não é encontrado pelos remakes de outros estúdios. Qual seria a diferença?

A resposta pode ser encontrada no passado. A Disney sempre teve como objetivo encantar e fascinar todas as gerações. Sempre teve o cuidado de apresentar seus filmes e personagens para novas gerações, garantindo que independentemente da sua idade, aquelas histórias fizessem parte de sua infância e de sua vida.

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Vamos voltar no tempo para 1937. “Branca de Neve e os Sete Anões” estreava, consolidando-se como um sucesso sem precedentes. Trazendo o maior salto de qualidade e tecnologia que a história da animação já presenciou, o inesquecível filme foi o primeiro longa-metragem de animação da história, criando uma nova modalidade de cinema, que muitas décadas mais tarde viraria até uma categoria do Oscar. Com seus personagens encantadores, canções inesquecíveis, cenários belíssimos pintados à mão e animação inovadora, Branca de Neve criou o padrão que todos os longas animados seguiriam até hoje. Foi a maior realização artística do estúdio e mudou a história da animação. Porém também foi um sucesso difícil de igualar. O estúdio tentou se superar artisticamente com uma sequência de longas extremamente cativantes e inovadores como “Pinóquio”, “Fantasia” e “Bambi”. Todos visualmente deslumbrantes, elevando ainda mais a qualidade da animação. Porém, a Segunda Guerra Mundial havia começado o que prejudicou gravemente a distribuição dos filmes no mundo todo e também diminuiu o interesse do público, fazendo com que nenhum dos novos filmes fizesse o sucesso esperado, chegando até a causar prejuízo financeiro.

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Em 1942, o governo americano também encomendou ao estúdio filmes de propaganda nacionalista para conseguir um apoio maior do público para os esforços de guerra. O dinheiro parecia apenas sair e não entrar. Para salvar o dia, Roy Disney – irmão mais velho de Walt e definitivamente o mais racional da dupla – teve uma ideia brilhante: relançar Branca de Neve nos cinemas, assim conseguindo um lucro com gasto mínimo, e o mais importante, apresentando o filme para uma nova geração que não teve a oportunidade de assistir ao filme durante sua primeira exibição. O filme foi relançado nos cinemas em 1944, assim começando uma tradição que a Disney manteria até hoje; a de apresentar suas histórias para geração após geração, a cada espaço entre sete e dez anos. Branca de Neve foi relançado nos cinemas em todas as décadas do século passado. Seguiram-se relançamentos em 1952, 1958, 1967, 1975, 1983, 1987 e 1993. Durante esses anos, quase todos os outros longas foram relançados também, muitos dos quais fracassaram financeiramente em seu primeiro lançamento mas conseguiram alcançar sucesso nas décadas seguintes.

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Durante o final e a virada do século, essa tradição de relançamentos continuou bem viva, mas agora em diferentes formatos. Os amados clássicos de animação seriam agora relançados para o mercado de vídeo. Com a chegada do DVD, muitos deles foram remasterizados e adaptados para o novo formato, permitindo que os fãs tivessem seus filmes favoritos na melhor qualidade possível, para sempre com eles. E com a evolução da tecnologia, os filmes continuaram a ser relançados a cada sete anos aproximadamente em novos formatos, como o Blu-Ray e agora em formato digital. Garantindo assim que todas as gerações tenham contato com essas histórias e personagens fantásticos. Não importa quando você nasceu, ao chegar em um dos parques Disney, você irá se emocionar ao encontrar seus personagens favoritos, porque eles fizeram parte da sua infância, assim como dos seus pais, seus avós, seus filhos, seus netos e as gerações passadas ou futuras. É a magia Disney, nunca falhando em encantar gerações e fazendo você voltar a ser criança.

Hoje em dia, porém, com o avanço da tecnologia e o acesso à internet, o público se tornou cada vez mais informado e exigente. Como continuar levando essa magia para todas as gerações, frente uma sociedade cada vez mais cínica e blasé, e como surpreender uma geração que já cresceu possuindo aqueles filmes em casa e assistindo à exaustão em suas TVs? Recontando essas histórias, adaptando-as para a audiência moderna. É aí que entram os remakes em “live-action”. A tecnologia evoluiu ao ponto em que praticamente não existem mais limites para a animação gerada por computador, viabilizando unir filmagens “live-action” e animação computadorizada, permitindo assim que nenhuma história seja impossível de ser contada agora da forma mais realista possível, trazendo nossos personagens favoritos à vida como nunca vimos antes.

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Embora as primeiras vezes que a Disney recontou suas histórias animadas em formato live-action tenham sido nos anos 90, com filmes como o primeiro remake de “Mogli”, lançado em 1994 com o nome de “O Livro da Selva” e a adaptação de 1996 de “101 Dálmatas” (com Glenn Close roubando o show como Cruella de Vil), estas só começaram mesmo em 2010 com a versão de Tim Burton para “Alice no País das Maravilhas”. Misturando “live-action” e animação, Burton se afastou bastante, tanto do longa animado Disney de 1951 como do livro original de Lewis Carroll, adicionando muitos toques pessoais à história com uma narrativa que foi muito criticada por ser confusa, porém criando um inegavelmente belíssimo espetáculo visual e adicionando elementos interessantes como uma jornada mais feminista para a personagem título.

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Depois em 2014 veio “Malévola”, escrito pela mesma autora de Alice do Burton, Linda Woolverton, dirigido por Robert Stromberg e estrelado por Angelina Jolie, foi o primeiro filme da nova geração que realmente era uma adaptação da versão Disney da história, no caso de “A Bela Adormecida” de 1959. Com a proposta diferente de contar a história sob o ponto de vista da vilã, “Malévola” destoa bastante dos que vieram depois, com uma atmosfera mais sombria e carregada, “Malévola” é o único dessa leva que desvirtua a história em uma narrativa carregada de cinismo de uma forma nada característica da Disney, porém também com um visual absolutamente estonteante. O filme foi um sucesso financeiro e realmente recontou a história de uma forma bem ao gosto do público atual com uma história que possui méritos, porém o filme distorceu a história do original de 1959 tornando vilões em heróis e heróis em vilões ou incompetentes, tornando-se assim uma versão completamente diferente da história e bem ímpar.

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Foi com a “Cinderela” de Kenneth Branagh em 2015 que as coisas mudaram de rumo, e passaram a abraçar completamente o original animado. Praticamente o oposto de “Malévola”, a versão de “Cinderela” estrelada por Lily James e Cate Blanchett não possui uma gota de cinismo, contando a história de uma forma extremamente tradicional e até inocente, porém recontando-a para uma audiência moderna, adicionando detalhes e um background psicológico mais interessante aos personagens sem nunca perder o tom do original, “Cinderela” foi pura magia Disney e ditou o tom dos próximos.

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Em 2016, tivemos o extraordinário “Mogli: O Menino Lobo” do diretor de “Homem de Ferro”, Jon Favreau, a terceira adaptação do “Livro da Selva” de Rudyard Kipling pela Disney, e a segunda em “live-action”, agora uma versão muito mais próxima ao longa animado de 1967. Com um elenco estelar que incluía Scarlett Johansson, Bill Murray, Lupita Nyong’o, Idris Elba, Christopher Walken e Ben Kingsley, o filme não apenas respeita o original, como o melhora. Todos personagens ganham mais profundidade, a história é contada de forma impecável, e os efeitos visuais alcançam um novo patamar, com uma animação absurdamente linda e realista como nunca antes vista. A nostalgia está lá, as músicas do original de 1967 estão presentes, mas a história é levada além. É um triunfo, o raríssimo caso onde o remake supera o original.

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A Disney encontrou sua magia e a forma perfeita para apresentar essas histórias para uma nova geração, então chegou a hora de ousar ainda mais e abordar uma de suas obras mais queridas e populares, o impossivelmente encantador “A Bela e a Fera”. E foi outro grande triunfo. Novamente uma adaptação muito fiel ao amado longa-metragem animado de 1991, o diretor Bill Condon conseguiu capturar toda a essência do original e recriar o universo com perfeição, enquanto fez uma análise mais profunda dos personagens, criando uma experiência de pura magia Disney. Com versões das músicas originais da genial e incomparável dupla Alan Menken e (o inesquecível) Howard Ashman incluindo a adição de músicas novas pelo próprio Menken, é impossível não ser transportado de volta à infância e esquecer todos seus problemas da vida adulta assim que a primeira canção começa. Possui um elenco tão grandioso como o “Mogli”, contando com Emma Watson, Ian McKellen, Emma Thompson e outras grandes estrelas. É um musical incrível que respeita e honra completamente o original, ao mesmo tempo que é também inovador e atual. O jeito perfeito de recontar uma história. E todo o carinho e cuidado levado em conta na adaptação refletiu nas bilheterias; o filme faturou mais de US$1,2 bilhões, tornando-se o musical live-action de maior sucesso de todos os tempos e o décimo terceiro filme de maior bilheteria da história.

Chegamos ao ponto em que estamos hoje. “Christopher Robin” chega aos cinemas, com direção de Marc Forster, além de McGregor, o filme conta com Hayley Atwell, e as vozes do lendário Jim Cummings como Pooh e Tigrão, Brad Garrett como Ió, Toby Jones como Leitão e Peter Capaldi como o Coelho Abel. Toda a turma do Bosque dos 100 Acres estará de volta aos cinemas para toda uma nova geração passar a conhecê-los enquanto resgatam a criança que existe dentro do Christopher Robin, e do público adulto assistindo.

Com adaptações de “Dumbo” (com o retorno de Tim Burton aos remakes Disney), “Rei Leão” (Jon Favreau retornando também), “Mulan”, “Aladdin” e uma sequência de “Malévola” já em produção, e muitos outros projetos como “Cruella”, “A Pequena Sereia”, “Peter Pan”, “A Espada era a Lei” e “A Dama e o Vagabundo” sendo desenvolvidos, parece que a tradição de recontar histórias e encantar novas gerações, tão inerente da empresa desde seu primeiro longa-metragem animado, continuará por muito tempo. O tom correto já foi encontrado, garantindo que nos anos que virão, em nossas visitas ao cinema, teremos muitas oportunidades de nos emocionar com reencontros cheios de magia com personagens queridos de nossas infâncias, exatamente como “Christopher Robin”.

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