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Depois do ótimo Tangerine”, o diretor Sean Baker nos presenteia mais uma vez com um filme maravilhoso: “Projeto Flórida”. O título do filme faz uma menção ao The ProjectFlorida, quando os planos do magnata Walt Disney em construir o famoso parque Walt Disney World Resort ainda estava no papel. Assim como as produções da Disney, “Projeto Flórida” também possui sua magia e o espectador vai descobrindo isso aos poucos, ou até mesmo logo de cara. O belíssimo trabalho de Baker — que é co-roteirista — consegue ser um tanto realista e retrata os conflitos familiares de maneira leve e simples.

De fato, “Projeto Flórida” é sedutor em todos os sentidos, mas sua principal arma de sedução está na inocência das crianças. O roteiro e as brilhantes atuações dos atores mirins, captam bem esta pureza e a defasagem do mundo dos adultos com o dos pequeninos que mesmo em meio a toda subsistência, não fazem a menor ideia de como suas brincadeiras se tornam problemas e podem afetar suas vidas e rumos.

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O filme se passa no hotel Magic Castle. O local, é aconchegante, de boa estrutura e com uma bonita tonalidade púrpura. Lá vivem inquilinos que moram há um bom tempo, como Moonee de seis anos e sua mãe. Além delas, residem lá Scooty e Jancey seus amiguinhos com suas famílias. De férias, estas crianças aprontam travessuras que para elas não passam de simples brincadeiras, mas que para Bobbyo gerente boa praça, são traquinagens que trazem prejuízos para o hotel. Bobby, além de supervisionar o hotel, tem que verificar se está tudo bem com pimpolhos, pois, ele é uma espécie de pai para elas.

Enquanto isso, no universo dos adultos, a coisa flui totalmente diferente. Halley, mãe de Moonee não tem emprego fixo e se vira como pode para pagar sua estadia semanal no hotel. Por falta de alternativas para pagar sua permanência no hotel, Halley passa a se prostituir expondo sua filha a álcoois, cigarros e situações constrangedoras. Ela não é exemplo de mãe, mas faz de tudo pela filha. Mais a frente, Halley tem uma desavença com Ashley a mãe de Scooty, melhor amigo de sua filha e as coisas começam a ficar ainda mais difíceis para Halley e Moonee, pois é Ashley quem ajuda Halley e Moonee a suprir suas necessidades lhes dando comida.

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Sean Baker mostra mais uma vez que é possível sim, fazer um longa extraordinário com poucos recursos. Com apenas um iPhone em mãos ele dirigiu o ótimo Tangerine”, mostrando conflitos próximo a Hollywood e em “Projeto Flórida” repetiu o feito nos arredores do lugar considerado o mais feliz do mundo: o Magic KingdomBaker também nos apresenta a beleza de um ambiente em uma linda fotografia e usando sequências de primeiro plano, enchendo os olhos daqueles que procuram sinceridade e delicadeza em único filme.

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Indicado a diversos prêmios e vencendo alguns dele como National Society of Film Critics AwardNew York Film Critics Circle Award New York Film Critics Circle Award de Melhor Ator Coadjuvante para Willem Dafoe e Golden Orange International Film Competition Jury Special Award para o diretor Sean Baker. Infelizmente ficou de fora do Oscar este ano nas categorias de Melhor Filme, Direção, Atriz Coadjuvante (para a pequena Brooklynn Prince), Roteiro Original e Fotografia. Apenas Dafoe foi indicado e mesmo assim, como coadjuvante.

Os relatos amargos do filme, são dosados congruentemente para não pôr nenhum personagem na condição de mau caráter. De fato, os temas abordados no filme são desagradáveis e cruéis, mas cabe ao espectador não enxergá-los como revés da fortuna. A impressionante atuação e o carisma dos atores mirins – em especial Brooklynn Prince (Moonee) – torna o longa ainda mais fascinante e é impossível não se emocionar com Brookynn nos plausíveis momentos finais. São cenas que por mais que você tente se segurar, não consegue conter as lágrimas.

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No elenco adulto, Willem Dafoe está em excelente performance como o gerente que age como se fosse pai dos pequenos inquilinos e também os protege de alguns perigos, como de um pedófilo, por exemplo. Talvez Bobby, seu personagem, tenha esta atitude não só por proteção ou para manter o hotel em ordem, mas por querer reparar o erro com Jack, seu filho (Caleb Landry Jones, também em bom desempenho). Outro destaque vai para Bria Vinaite como a mãe de Moonee. Bria faz brilhantemente uma mulher irresponsável com a educação de sua filha e elas vivem outra realidade que é a pobreza, sendo vizinhas de um lugar considerado um ambiente divertido. Os demais atores estão muito bons.

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O filme nos mostra que apesar de seus conflitos, acima de tudo estão: o amor maternal, a importância da amizade e o apego pela reciprocidade quando se é dado afeto. Além destes elementos, “Projeto Flórida” conquista o público pela sua agradável e simpática forma de narrar tudo isso. Este será com certeza o filme mais emocionante e profundo que você verá este ano.

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