6.9/10

Casamento Sangrento: A Viúva

Director

Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett

Genre

Comédia , Terror

Cast

Samara Weaving, Kathryn Newton, Elijah Wood

Writer

Guy Busick e R. Christopher Murphy

Company

Searchlight Pictures

Runtime

108 minutos

Release date

19 de março de 2026

A noiva retorna em uma nova e sinistra rodada do tradicional jogo de esconde-esconde, agora com elementos sobrenaturais e demoníacos.

“Casamento Sangrento”, lançado em 2019, é um filme tão bom, tão autêntico, que até sua continuação desnecessária e menos inovadora, ainda é melhor que a grande maioria dos filmes mais recentes do gênero. Quando o primeiro filme chegou aos cinemas, a temática “eat the rich” ainda era pouco explorada se comparada a hoje em dia, o que fez do filme um pioneiro, de certa forma, e um clássico instantâneo do terror. Para completar, ainda despontou Samara Weaving, que se consagrou como uma verdadeira (e uma das melhores da atualidade) scream queen. Com o comentário social em relação aos super ricos como base narrativa, “Casamento Sangrento” colocou uma única mulher, Grace, para lutar por sua sobrevivência contra toda uma família armada – e o resultado foram 96 minutos de entretenimento da melhor qualidade. O final extremamente marcante deu à história uma conclusão à altura de seu desenvolvimento, o que fez com que o anúncio de uma sequência, mais de 5 anos depois, fosse recebido com certa estranheza. 

“Casamento Sangrento 2: A Viúva” faz o que a grande maioria das sequências costuma fazer: expandem o universo do filme, acrescentam personagens e alguns detalhes sobre o passado da protagonista para que uma continuação possa se justificar. Enquanto a história do original parecia o tipo de coisa que só poderia acontecer uma vez na vida de uma pessoa e seguia regras estruturais bem simples, o novo filme pega exatamente de onde o primeiro deixou para transformar tudo em algo muito maior. Se você não se lembra do que aconteceu em “Casamento Sangrento”, não tem problema: a sequência continua com a cena final do original e dedica seus primeiros minutos a relembrar todos os fatos mais relevantes e essenciais para que os novos acontecimentos sejam compreendidos. Depois de Grace se livrar dos Le Domas, seu corpo acaba enfim sucumbindo a todos os mal-tratos a que foi submetido. Ela apaga na ambulância e acaba acordando no hospital, algemada ao leito (afinal de contas ela foi a única que saiu viva da mansão e seria a herdeira da família) e recebe a visita de Faith (Kathryn Newton), a irmã mais nova com quem ela não tinha contato há anos, mas que ainda era seu contato de emergência. Faith não está inclinada a acreditar na história de Grace sobre todo o acontecido, mas antes que Grace seja levada à delegacia, já sofre a primeira tentativa de assassinato no filme e Faith não tem escolha senão acreditar e se juntar a Grace em sua nova luta por sobrevivência. 

Acontece que os Le Domas não eram a única família a fazer pacto com o diabo para garantir sua riqueza absurda. Quando Grace sobreviveu ao jogo dos Le Domas, eles, que eram a “família #1” desse clube satânico bizarro montado pelo Sr. Le Bail, perderam o posto, o que significa que a vaga no topo ficou aberta. O que eles precisam fazer para tomar esse lugar? O que os Le Domas não conseguiram: matar a noiva. É assim que Grace acaba, mais uma vez, tendo que lutar contra bilionários que querem matá-la; a diferença é que agora são pessoas novas e em maior quantidade e o cenário da mansão foi substituído por um resort de luxo, pertencente a uma das famílias. Existem alguns pontos positivos na expansão desse universo, o principal deles sendo a qualidade do novo elenco de apoio (que também foi excelente no original); há grandes nomes como Sarah Michelle Gellar, Elijah Wood, Shawn Hatosy, entre outros, e todos fazem um ótimo trabalho mesmo quando seus personagens são menores. Para quem gostou do gore do primeiro filme, certamente ficará satisfeito com esse, tem mais mortes, mais sangue, mais explosões e muito mais violência, com diversas cenas de ação, algumas mais divertidas que outras. 

Entretanto, “Casamento Sangrento 2” desliza nos mesmos quesitos que sequências costumam falhar: a mitologia objetiva do original dá lugar para uma mitologia complexa e sobrecarregada, com mais regras e exceções que aparecem repentinamente. A subtrama da relação da Grace com a irmã também é inesperada e demora a fazer sentido e se tornar um elemento confortável da narrativa. Ver uma mulher matando ricos babacas, passando por todo obstáculo possível, e ainda viver para contar a história é extremamente divertido da primeira vez, mas é impossível sentir o mesmo impacto na segunda. O que antes era original, autêntico e inovador acaba se tornando menos marcante. O grande trunfo de “Casamento Secreto 2: A Viúva”, no entanto, é a base construída pelo original, que retorna nas mãos dos diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, dos roteiristas Guy Busick e R. Christopher Murphy e, principalmente, Samara Weaving. O filme ainda é um terrir, dessa vez apostando muito mais no humor, que funciona quase sempre e traz personagens envolventes o bastante para que não seja “apenas mais uma continuação”. 

 

Por Júlia Rezende

7

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