6.3/10

Nimrods: A Green Day Comedy

Director

Lee Kirk

Genre

Aventura , Comédia

Cast

Mason Thames, Kylr Coffman, Ryan Foust

Writer

Lee Kirk, Green Day

Company

Live Nation Studios

Runtime

116 minutos

Release date

11 de agosto de 2026

Tommy acredita que sua banda foi convidada para abrir um show do Green Day no Réveillon, sem saber que o convite é uma pegadinha de seu irmão. Ele então parte de Kansas City para Los Angeles com os amigos, numa viagem inspirada nos primeiros anos de estrada do próprio Green Day, antes do sucesso de Dookie.

Há algo quase que “anacrônico” em Nimrods: A Green Day Comedy, e esse é o seu principal trunfo. Em uma época na qual até as comédias juvenis parecem obrigadas a carregar algum grande conceito, uma lição de moral, subverter gêneros ou transformar cada sequência em um espetáculo, Lee Kirk faz um filme de estrada surpreendentemente simples. Três garotos, uma banda, um carro, alguns desvios pelo caminho e a convicção equivocada de que existe um grande show esperando por eles em Los Angeles. Não há qualquer intenção de reinventar o gênero e, curiosamente, o filme funciona justamente porque está confortável com isso.

A sensação é de uma comédia juvenil saída do fim dos anos 80 ou de algum momento dos anos 90, quando uma road trip podia simplesmente ser uma road trip. Há rebeldia, irresponsabilidade, pequenos delitos, romances, amizades e decisões ruins, mas quase nenhuma necessidade de transformar o espírito punk em uma sucessão de delírios ou extravagâncias. O filme abraça o imaginário do “contra as regras” sem perder o chão (ou a noção). E isso encontra respaldo nos primeiros anos de estrada do Green Day, que estavam muito mais ligados a longas viagens de van, trabalho e improviso do que ao clichê glamouroso da vida de uma banda de rock.

Esse pragmatismo torna Nimrods previsível praticamente do início ao fim. É (muito) fácil antecipar conflitos, reconciliações, romances e, sobretudo, o tipo de resolução que espera os personagens. Mas existe uma diferença considerável entre saber onde um filme vai chegar e não sentir prazer algum durante o percurso. Kirk entende essa distinção e conduz tudo com uma leveza que impede a fórmula de se tornar cansativa. O roteiro não está interessado em destruir expectativas; está interessado em entregar confortavelmente aquilo que promete. E entrega.

Naturalmente, é na música que o filme se encontra. A trilha percorre diferentes momentos da carreira do Green Day e ganhou inclusive uma música inédita, “I’m Never Gonna R.I.P.”. Para quem acompanha a banda, conhece as músicas e frequenta seus shows, determinadas sequências deixam de funcionar apenas como trilha sonora e passam a operar naquele espaço muito particular da memória afetiva. É fan service (quem disse que só filmes de heróis tem fan service?), mas daquele tipo que entende o fã em vez de simplesmente apontar referências para ele.

E é justamente por isso que a troca de título soa tão curiosa. O filme nasceu e chegou ao Festival de Toronto como New Years Rev (Algo como “Revolução de Ano Novo”), sendo posteriormente rebatizado como Nimrods após ganhar sua distribuição comercial. O novo nome é uma referência direta a Nimrod, álbum lançado pelo Green Day em 1997. Como aceno para fãs, funciona imediatamente. Como título para esta história específica, nem tanto. New Years Rev conectava o Réveillon ao impulso de partir, mudar de vida e alcançar alguma coisa antes que o calendário virasse. Estava ligado à própria engrenagem narrativa do filme. Nimrods vende melhor sua relação com Green Day, mas explica menos o filme. É um ótimo nome para estampar um pôster, mas o anterior era um título melhor para a história.

Isso se torna ainda mais evidente no desfecho. Nimrods não tem qualquer vergonha de acreditar em finais felizes, problemas resolvidos e na possibilidade de começar novamente. Em outro filme, tamanha disposição para fechar todas as contas poderia parecer ingênua. Aqui, combina perfeitamente com a proposta.

Não é um grande filme de estrada, tampouco pretende ser. Não há aqui a descoberta de uma nova linguagem para o gênero, uma grande reflexão sobre juventude ou qualquer profundidade escondida sob a camiseta de banda. É uma comédia punk, simples, previsível, bem conduzida e genuinamente simpática, que conhece perfeitamente o público que deseja atingir. Para quem mantém alguma relação afetiva com o Green Day, alguns pequenos momentos transformam uma história bastante convencional em uma experiência particularmente alegre. No fim, talvez Nimrods nasceu como um clássico confortável que se revisita quando o ano está acabando, claro, ao som de Good Riddance.

8.5

Mission Accomplished

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