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Toy Story 5

Diretor

Andrew Stanton, Kenna Harris

Gênero

Animação , Drama

Elenco

Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack

Roteirista

Andrew Stanton, Kenna Harris

Estúdio

Walt Disney Pictures

Duração

102 minutos

Data de lançamento

17 de junho de 2026

Os trabalhos de Woody, Buzz, Jessie e do resto da turma ficam em risco quando eles são apresentados aos aparelhos eletrônicos, uma nova ameaça à hora de brincar.

O maior obstáculo de “Toy Story 5” não é tecnológico, narrativo ou comercial. É afetivo. Continuar uma franquia depois da conclusão quase perfeita de “Toy Story 3” já era, por si só, uma decisão arriscada; insistir nela depois do gosto amargo deixado por “Toy Story 4” parecia menos uma necessidade dramática do que um reflexo previsível de uma indústria incapaz de abandonar seus brinquedos mais lucrativos. E, ainda assim, o quinto filme encontra um caminho digno. Não supera os três primeiros — e seria injusto fingir que chega perto desse patamar —, mas recupera parte da emoção que parecia ter sido deslocada no capítulo anterior.

O filme sabe emocionar. Essa talvez seja sua maior vitória. A Pixar, mesmo em sua fase mais irregular, ainda domina como poucos o mecanismo do afeto, e aqui reencontra uma chave sentimental poderosa ao deslocar Jessie para o centro da narrativa. A escolha funciona porque não soa apenas como alternância de protagonismo, mas como uma tentativa real de explorar uma ferida antiga da personagem: o medo de ser deixada para trás. Ao trazer de volta a memória emocional de “When She Loved Me”, canção escrita por Randy Newman e cantada por Sarah McLachlan em “Toy Story 2”, o filme se conecta a uma das sequências mais devastadoras de toda a franquia sem depender apenas da citação vazia. Jessie carrega o coração do longa, e sua trajetória tem força suficiente para arrancar lágrimas até de quem já deveria estar vacinado contra os golpes sentimentais da Pixar.

Esse acerto, porém, convive com fragilidades evidentes. O roteiro tem bom ritmo, mas demora a engrenar, como se precisasse justificar sua própria existência antes de finalmente assumir a história que quer contar. Há uma repetição nos dilemas dos brinquedos: a angústia de perder relevância, o medo da substituição, o pânico diante do crescimento da criança. Tudo isso faz parte do DNA de “Toy Story”, claro, mas o quinto filme às vezes parece reorganizar peças antigas em vez de encontrar uma nova brincadeira. A chegada de Lilypad — o tablet em forma de sapo que encarna o embate entre brinquedos e tecnologia — é uma ideia contemporânea e pertinente, mas o roteiro pesa demais a mão nessa dicotomia. A oposição entre o afeto físico dos brinquedos e a sedução fria das telas funciona melhor quando surge como drama íntimo de Bonnie do que quando vira tese martelada com força excessiva.

E é justamente Bonnie quem revela a mudança mais profunda do filme. Este é, em muitos momentos, menos um “Toy Story” do que um “Bonnie Story”. Não se trata necessariamente de um defeito: a franquia sempre dependeu da criança como eixo invisível do mundo dos brinquedos, primeiro Andy, agora Bonnie. O problema é que, ao aproximar tanto a narrativa da experiência dela, o filme acaba afastando parte da dinâmica coletiva que fez a série ser tão especial. Hamm, Slinky, Rex e Sr. Cabeça de Batata aparecem quase como lembranças de um universo maior, pequenos acenos para quem conhece aquela turma há décadas, mas sem o espaço necessário para que continuem vivos dentro da trama. A franquia sempre foi sobre brinquedos, mas também sobre comunidade; aqui, essa comunidade parece reduzida a uma função decorativa.

Woody, por sua vez, continua carregando o peso de uma escolha equivocada feita no filme anterior. Separá-lo dos outros brinquedos em “Toy Story 4” foi uma decisão problemática não apenas pelo que dizia sobre o personagem, mas pelo que tirava da engrenagem dramática da série. Em “Toy Story 5”, sua presença é agradável, especialmente quando a narrativa resgata um pouco da rivalidade com Buzz, mas é impossível ignorar que ele faz pouca diferença estrutural. O filme funcionaria quase perfeitamente sem ele. Para um personagem que já foi o coração moral da franquia, isso é sintomático. Woody está ali porque precisa estar, não porque a história realmente dependa dele.

Buzz também enfrenta uma contradição parecida. A legião de Buzz Lightyears rende uma cena de fan service absoluto, daquelas que atingem diretamente a memória afetiva do espectador e fazem o adulto na sala se render sem muita resistência. Mas, passada a catarse, sobra a sensação de que a ideia ocupa tempo demais para uma importância pequena demais. É divertido, é nostálgico, é tecnicamente bem executado, mas também é um desvio longo demais dentro de um filme que encontra sua melhor versão quando está perto de Jessie e Bonnie.

A nova personagem — Lilypad na divulgação oficial, embora o filme também introduza novos brinquedos ao redor desse conflito — tem carisma suficiente para não se reduzir a vilã tecnológica genérica. O mérito está em não tratá-la apenas como ameaça externa, mas como sintoma de uma transformação real: crianças brincam de outro modo, crescem de outro modo, se distraem de outro modo. O problema é que “Toy Story 5” nem sempre confia na sutileza dessa constatação. Quando observa a mudança, emociona; quando tenta explicá-la demais, força.

Ainda assim, depois do quarto filme, há algo reconfortante em ver “Toy Story 5” reencontrar alguma coerência emocional. Não é a obra-prima que encerrou a trilogia original, nem tem a invenção encantadora do primeiro, a expansão brilhante do segundo ou a despedida perfeita do terceiro. Mas é um filme decente, agradável, sincero em boa parte de seus sentimentos e suficientemente bem conduzido para justificar sua existência dentro de uma lógica industrial que, convenhamos, não vai deixar esses personagens descansarem tão cedo. Se a Disney e a Pixar insistem em continuar abrindo a caixa de brinquedos, ao menos desta vez há emoção verdadeira lá dentro.

9

Missão cumprida

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