“Beco do Pesadelo”, dirigido por Guillermo Del Toro, tem estética impecável, mas constrói história com muito mistério e pouco desenvolvimento

O grande diretor mexicano Guillermo Del Toro, volta aos cinemas com o novo suspense “Beco do Pesadelo”, que conta com elenco cheio de nomes de Hollywood, como Bradley Cooper, Rooney Mara, Cate Blanchett, Willem Dafoe, Toni Collette e muitos outros.

O novo longa é um remake do clássico filme noir, “O Beco das Almas Perdidas” de 1947, que conta a história do personagem Stanton Carlisle (Bradley Cooper), um homem misterioso, que acaba aprendendo truques em um circo e ganhando a vida como um charlatão.

Ambientada na cidade de Nova York de 1940, o filme surpreende com a grande qualidade técnica presente na direção de arte e figurinos detalhistas, que dão o ar dos anos 40. Os cenários carregam diversos simbolismos sobre uma sociedade com valores vazios e ambiciosa, o que ajuda a construir a narrativa do longa. Além disso, a fotografia traz homenagens ao estilo noir, com ambientes chuvosos e iluminação que brinca com luz e sombras.

Em “O Beco do Pesadelo”, vemos o diretor Guillermo Del Toro apresentando um lado seu mais realista e menos sobrenatural. Diferente de outras produções como “A Forma da Água”, “Labirinto do Fauno” e “Hellboy”, onde temos a presença de monstros fantasiosos, neste novo filme, o monstro retratado é em uma figura humana. O objetivo é mostrar através do personagem Carlisle, como o homem pode ser um lobo em pele de cordeiro. Mas também é mostrado essa dualidade de índole em outros personagens da trama, como a psicanalista Lililth Ritter, feito pela atriz Cate Blanchett, que pode ser vista como o grande destaque da produção, ofuscando muitas vezes o protagonista Bradley Cooper.

Mesmo com uma ótima história em mãos, existe um grande problema de desenvolvimento dos personagens, que entrega um filme de 2h20 de duração com uma história rasa. A escolha de estrutura do roteiro se perde ao tentar apresentar todas as etapas de ascensão e queda de Carlisle, algo que o clássico “O Beco das Almas Perdidas” consegue com mais êxito, pois mesmo se tratando de um filme de suspense, o enredo exagera nos mistérios do personagem, ocasionando no pouco aproveitamento da atuação de Cooper, que consegue brilhar apenas no ato final.

Está longe de ser um filme mal realizado, existem cenas ótimas e sacadas inteligentes que auxiliam para o ciclo da história, onde o primeiro ato com os personagens do circo de horrores é totalmente excepcional. Mas por se tratar de um filme tão bem elaborado tecnicamente, com um elenco de peso e um diretor incrível como Del Toro, a produção tem um resultado pouco explorado e mediano.