SINOPSE PEQUENA

O que tem incomum Kleber Mendonça Filho, Hilton Lacerda e Camilo Cavalcante? Muita coisa. Começando por serem pernambucanos. Estrearam na direção com filmes aclamados e premiados. Seus filmes têm como protagonista o excelente ator Irandhir Santos. Mendonça diretor de “O Som ao Redor“, Lacerda “Tatuagem” e agora, a vez de Cavalcante que com “A História da Eternidade” que rendeu elogios e foi laureado em festivais com os seguintes prêmios: no 21° Festival de Cinema de Vitória (Filme, Direção e Interpretação (Irandhir)), na 38° Mostra de Cinema de São Paulo (Filme Brasileiro de Prêmio do Público), no Paulínia Filme Festival (Melhor Filme, Direção, Ator, Atriz e Prêmio da Crítica) e no Festival Internacional de Cine de Ayacucho,que acontece no Peru, levou como Melhor Filme. Não seria exagero dizer que não seria surpresa se entrasse na lista de indicados ao Oscar de Filme Estrangeiro, sendo primoroso como é.

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No mês em que salas de cinemas estão sendo lotadas por filmes vencedores do Oscar, o que parece um obstáculo, a divulgação de “A História…” parece não ter se deixado intimidar. Mas, o cinema brasileiro começou com o pé direito em 2015 (não se deixe influenciar por comédias brasileiras bobas e apelativas já lançadas) com “Amor, Plástico e Barulho”, ”Depois da Chuva” e com este que hipnotiza e fascina a platéia ao mesmo tempo.
A história mostra a trajetória de duas mulheres e uma adolescente. Querência (Marcelia Cartaxo de Madame Satã), excelente e quase irreconhecível com afeições de uma mulher sofrida com pele ressecada por conta do ambiente quente e poeirento em que vive), uma mulher descrente do amor que diariamente é cortejada por um sanfoneiro cego. Das Dores (Zezita Matos de O Céu de Suely, ótima), uma idosa que vive sozinha, recebe o neto que veio de São Paulo. Alfonsina (a estreante Débora Ingrid que também faz bonito), uma ninfeta de 15 anos, oprimida pelo pai autoritário que sonha um dia em conhecer o mar e tem um carinho enorme e uma admiração por seu tio epilético. Com o passar do tempo, é apresentado ao público o cotidiano das três sofredoras em planos e ângulos que não se movem nem se quer para acompanhar, por exemplo, o trajeto que dona Das Dores faz para ir ao telefone público ou uma simples janta entre família. A câmera só começa a se mover e levar seus personagens as suas cenas quando Irandhir Santos surge de forma magistral dançando e dublando ”fala” da extinta banda “Secos e Molhados”.

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Não se trata de um dramalhão com sofrimento dos nordestinos (como talvez muitos sobrepusessem) e mesmo se fosse seria feita na medida certa. Mas lembra muito fábula poética em forma de cordel. Roteirizado pelo próprio Camilo (também produtor), é centrado na psicologia dos protagonistas e torna-se fascinante por mostrar uma história do povo do sertão de um modo diferente e fora dos padrões de filmes do gênero.

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Não vale só para quem busca um bom entretenimento, pois é esplêndido, humano e sério que consegue transmitir as angústias físicas e existenciais de seus personagens. O grande charme deste filme arrebatador além da fotografia que se deixa seduzir pela exploração das paisagens calorosas e secas, é a trilha sonora (composta por Zbigniew Preisner – indicado duas vezes ao Globo de Ouro por ”Brincando nos Campos do Senhor” e” A Liberdade é Azul”). Emocionante e convincente consegue a proeza de torná-lo apreciável dissecando diversos aspectos dos conflitos e com a competência que o roteiro conduz com uma sutileza que dá atenção ao drama de cada um. Esteticamente bonito, é uma obra prima completa que dá gosto de ver.

Trailer do filme:

 

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